Monitorização do lixo marinho permitirá encontrar estratégias de mitigação

Zélia Castro

Reserva Natural das Ilhas Desertas. Foto: Serviço do Parque Natural da Madeira

Reserva Natural das Ilhas Desertas. Foto: Serviço do Parque Natural da Madeira

No âmbito de uma colaboração entre o Serviço do Parque Natural da Madeira (SPNM) e a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL), será dado início, em breve, a um programa de monitorização de lixos no mar nas áreas protegidas da Região, com o intuito de estudar a dimensão deste problema e apurar estratégias para mitigá-lo.

Segundo o director do SPNM, Paulo Oliveira, este projecto é “bastante válido, interessante e extremamente útil para a gestão do meio marinho”. O envolvimento das áreas protegidas neste projecto surge porque, de forma indirecta, são afectadas pelos lixos marinhos. “Obviamente que esses lixos não são produzidos naqueles espaços, mas são lixos oceânicos”, disse.

Paulo Oliveira frisou que os lixos oceânicos e costeiros não são controláveis nas áreas protegidas. “É um trabalho que tem de ser feito a montante dessas áreas protegidas, ou seja, o lixo que chega às desertas ou às selvagens é produzido aqui na Madeira ou é mal acondicionado eventualmente através dos barcos”, explicou, afirmando que é preciso “trabalhar a montante, na sensibilização, na não produção e no fazer com que as pessoas não produzam lixo”.

Paula Sobral, da FCT-UNL, explicou que esta parceria pretende estudar e fazer uma avaliação das quantidades de lixo que existem não só no fundo do mar. “O fundo do mar é apenas um dos ‘compartimentos’ porque o lixo marinho existe em toda a massa de água”, referiu, apontando que 80 ou 90% dos lixos marinhos são plásticos. “Queremos envolver os vários actores neste tema, os industriais, os compressores de plástico, os recicladores, os retalhistas que compram e vendem as embalagens e os próprios indivíduos”, sublinhou.

Este projecto já começou há dois anos, é de investigação e tem por objectivos investigar a quantidade de lixo na costa portuguesa, a degradação do plástico e a ingestão de partículas de plástico pelos organismos marinhos.

A parceria durará pelo menos dois anos e poderão vir a ser publicados artigos científicos sobre esta matéria. No final do protocolo, será feito um relatório.

Actualizado em 5 de Fevereiro, às 17:25
DNOTICIAS.PT


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