Tweet do dia – Ruth Avelino

Comunidades da Califórnia gastam em torno de US$ 500 milhões anualmente para manter o lixo fora dos cursos d’água

Plastic debris, washed off the city streets of Los Angeles, gathers at the mouth of the Los Angeles River. (Rick Loomis / Los Angeles Times)

Plastic debris, washed off the city streets of Los Angeles, gathers at the mouth of the Los Angeles River. (Rick Loomis / Los Angeles Times)

Leila Monroe’s Blog
Natural Resources Defense Council
Postado em 28 de Agosto de 2013
Traduzido por Mariana Coutinho Hennemann, Global Garbage Brasil

Hoje, a equipe de poluição por plástico da NRDC (Natural Resources Defense Council – Conselho de Defesa dos Recursos Naturais) divulgou um novo relatório mostrando que as comunidades da Califórnia estão gastando quase meio bilhão de dólares anualmente para prevenir que o lixo polua as praias, rios e o oceano do estado. Os US$428.000.000 gastos pelas cidades e municípios da Califórnia cobrem os custos de seis atividades relacionadas à redução de resíduos sólidos em cursos d’água: limpezas de rios e praias; varredura de ruas; instalação de equipamentos de captura de águas pluviais; manutenção e limpeza de redes de águas pluviais; limpeza manual de lixo; e educação pública.

O relatório, Resíduos em Nossa Água: O Custo Anual para as Comunidades da Califórnia da Redução do Lixo que Polui Nossos Cursos d’Água (Waste in Our Water: The Annual Cost to California Communities of Reducing Litter That Pollutes Our Waterways), pesquisou 95 comunidades da Califórnia, variando entre populações de apenas 700 até 4 milhões de residentes. A análise descobriu que, independente do tamanho e da distância do oceano, essas comunidades estão pagando coletivamente um alto valor para limpar o lixo e prevenir que ele chegue aos cursos d’água. Em uma época em que as cidades californianas estão sofrendo com orçamentos apertados, nosso relatório mostra o fardo econômico que esses resíduos criam para governos locais e contribuintes, e faz com que os argumentos para ações imediatas por medidas que reduzam essa poluição sejam convincentes. A seguir, são apresentados exemplos das 10 comunidades que mais gastam, comparando com para onde esse dinheiro poderia ir:

  • Los Angeles é listada como número um em “Resíduos em Nossas Águas”, gastando US$36,3 milhões por ano para manter os resíduos fora das águas. Compare isso ao déficit de US$216 milhões no orçamento enfrentado pela cidade, ou os US$9,58 milhões no orçamento do prefeito para 2013-2014 para manter o número de oficiais de polícia nos níveis atuais.
  • San Diego é listada como número dois, gastando US$14,1 milhões para manter os resíduos fora das águas, enquanto este ano, um déficit de US$20 milhões no orçamento foi preenchido por planos de recisão para expandir serviços de polícia e bibliotecários.
  • Em seguida vem Long Beach, que está em terceiro lugar, gastando US$12,9 milhões/ano, San Jose é listada em quarto lugar, com gastos anuais totalizando US$8,8 milhões, enquanto a cidade está sofrendo um déficit projetado de US$22,5 milhões no orçamento em 2013-14.
  • Oakland é listada em quinto, gastando US$8,3 milhões, em um momento em que o déficit estrutural da cidade é estimado em US$155 milhões.
Mapa das cidades e municípios da Califórnia pesquisados no relatório produzido pela NRDC

Mapa das cidades e municípios da Califórnia pesquisados no relatório produzido pela NRDC

Infelizmente, esses custos são necessários para prevenir que os resíduos poluam rios, lagos, praias e, por fim, o oceano. A limpeza também é necessária para prevenir danos e prejuízos a atividades econômicas – especialmente o turismo – que são dependentes dos ambientes limpos da Califórnia. Os custos computados no relatório também não incluem as despesas dos condados ou do estado nessas mesmas atividades, nem os custos de gestão e reciclagem de resíduos.

Como parte do lançamento do relatório, nós também criamos um mapa online das cidades que foram pesquisadas, facilitando para os usuários encontrarem informações relevantes sobre sua comunidade. Esse mapa e o relatório estão disponíveis no recém lançado web site StopPlasticPollution.org, que é uma nova plataforma para desenvolver auxílios para soluções que irão ajudar a acabar com a poluição de nossas comunidades por resíduos, antes que eles cheguem às ruas de nossas cidades.

Soluções

De acordo com décadas de pesquisas costeiras, embalagens plásticas baratas e descartáveis constituem a maior e mais perigosa quantidade de lixo encontrada no meio ambiente. Nós descartamos muito mais plástico do que reciclamos ou reutilizamos. Muitos plásticos são jogados na rua ou escapam de lixeiras e chegam aos nossos espaços públicos, rios, lagos, praias e, por fim, ao oceano. Esses resíduos plásticos geram custos aos governos e comerciantes locais, geram perigos à navegação, matam aves, tartarugas, golfinhos e outros animais marinhos, e podem até mesmo ameaçar a saúde humana. A durabilidade, leveza e baixo custo do plástico fazem com que ele seja um material útil para diversas aplicações em longo-prazo. Mas ao se levar em consideração os custos ambientais e econômicos de se utilizar um material altamente resistente para um item descartável de uso único, fica bastante claro que, na maioria dos casos, os custos ultrapassam os benefícios.

A Califórnia precisa de um programa para distribuir corretamente o fardo dessa quantidade sempre crescente de lixo plástico entre governos locais, contribuintes e fabricantes de plásticos. Isso significa parar o problema em sua fonte, através da redução da quantidade de resíduos produzidos, enquanto se expandem programas que estão funcionando, tais como reciclagem e instalação e manutenção de equipamentos de captura em redes de drenagem pluviais.

O NRDC e uma crescente coalizão de grupos de gestão de resíduos, comunidades, ambientalistas e empresários apóiam medidas que iriam tratar dos diversos diferentes tipos de plásticos de uso único de uma vez só, através da criação de incentivos para as indústrias utilizarem menos embalagens de plástico para seus produtos, para torná-las totalmente recicláveis, e assegurar que a reciclagem realmente aconteça. O aumento da reciclagem também tem demonstrado criar empregos. Um estudo mostra que um objetivo nacional para reciclar 75% dos resíduos da nação pode criar 1,1 milhões de empregos até 2030.

Essas soluções também podem auxiliar o trabalho das comunidades da Califórnia para implementar programas de redução de lixo e resíduos, incluindo tanto planos de Cargas Máximas Diárias Totais (Total Maximum Daily Load – TMDL) e requisitos para licenciamento de Sistemas de Águas Pluviais Municipais Separados. As TMDL do condado de Los Angeles, por exemplo, exigem que as cidades do sul da Califórnia que descarregam no rio, reduzam sua contribuição de lixo em 10% por ano, por um período de 10 anos, com um objetivo de lixo zero em 2015.

Acesse www.stopplasticpollution.org para inscrever sua empresa, agência ou organização no seguinte compromisso:

Nós apoiamos os programas da Califórnia para fazer com que os fabricantes de embalagens plásticas de uso único assumam sua porção de responsabilidade pela poluição por plásticos. Nós convocamos os legisladores da Califórnia a criarem um programa de responsabilidade compartilhada, exigindo que esses produtores ajudem a expandir a reciclagem, a instalação e manutenção de equipamentos de redes de captura de águas pluviais, e a limpeza de nossas ruas, parques, praias e outros espaços públicos. Nós convocamos os fabricantes a inovarem e reduzirem embalagens desnecessárias, aumentarem alternativas de reutilização, e assegurarem que seus produtos sejam totalmente recicláveis e realmente reciclados ao final de sua vida útil.

Arte e foto por Kathryn Hannay: Mapa de Lixo da Califórnia

Arte e foto por Kathryn Hannay: Mapa de Lixo da Califórnia

Nas areias, limpeza quase impossível

Fiscais encontram dificuldades para autuar quem joga lixo nas praias
Comlurb promete aumentar o contingente e ajustar estratégias

Sujeira. Lixo deixado por banhistas na areia de Ipanema Paula Giolito / Paula Giolito

Sujeira. Lixo deixado por banhistas na areia de Ipanema Paula Giolito / Paula Giolito

LÍVIA NEDER
Publicado: 17/10/13 – 5h00

RIO – Domingo de sol, praias lotadas. É hora de os fiscais do programa Lixo Zero, da prefeitura, entrarem em cena. Entretanto, diferentemente das ações realizadas pelos bairros e nos calçadões, coibir quem joga lixo nas areias não tem sido uma tarefa simples. Um balanço com o número de multas aplicadas desde que o programa começou na Zona Sul, há um mês e meio, reflete essa dificuldade. Das 2.846 multas, apenas 145 foram na orla.

Ao flagrar uma banhista jogar uma guimba de cigarro no calçadão de Ipanema, o fiscal da Comlurb Marcos Henrique da Silva precisou aguardar cerca de 20 minutos para aplicar a multa. A banhista entrou no banheiro do Posto 9 e demorou a sair. Quando enfim foi abordada, fugiu correndo pela areia.

— Precisamos ver o cidadão cometer a infração para poder multar. No caso do cigarro, acaba sendo mais fácil flagrar. Já na areia, temos dificuldade de multar quem deixa o lixo porque só podemos provar se estivermos vendo na hora que a pessoa levanta e deixa o lixo para trás — declarou.

Ciente das dificuldades da aplicação da lei na areia, o presidente da Comlurb, Vicente Roriz, afirma que ajustes estão sendo feitos e que vai aumentar o contingente de homens e e o número de lixeiras na orla:

— Temos que repensar o modelo para os agentes ficarem mais estimulados. Vamos adquirir mais uniformes de praia e deslocar mais homens para as areias. Mais do que fiscalizar, queremos que a praia fique limpa no final do dia. Para isso, estamos com uma parceria com os barraqueiros, que vão nos ajudar na conscientização.

VEJA TAMBÉM
VÍDEO Lixo Zero nas praias da Zona Sul

Jornal O Globo

Nº de tartarugas mortas por ingestão de lixo cresce a cada ano em Maceió

Animais confundem sacolas plásticas com alimentos, dizem biólogos.
Mortes mais que triplicaram em três anos, aponta Instituto Biota.

Plastic bags, like these floating near the Philippines, look like jellyfish. These pieces of ocean debris float on ocean currents and accumulate in collections called "garbage patches."

Photograph by Norbert Wu/Minden Pictures
http://education.nationalgeographic.com/education/encyclopedia/great-pacific-garbage-patch/?ar_a=1

Fabiana De Mutiis
Do G1 AL

Copo descartável, canudo, embalagens plásticas e muitos outros detritos estão nas praias de Alagoas. O lixo gerado pelo homem contrasta com a cor do mar, um dos mais bonito do país. Mas o problema não fica restrito ao visual das praias. Além de gerar desconforto para os banhistas, todo esse “material” vai para o oceano e atinge diretamente a fauna marinha.

As principais vítimas são as tartarugas, que confundem o plástico com águas vivas, principal alimento desses animais. De acordo com o Instituto Biota, única entidade que cuida de animais marinhos em Maceió, o número de tartarugas encalhadas na capital alagoana mais que triplicou em três anos. Foram quase 20 animais nos chamados atendidos pelo instituto em 2010. Cerca de 60 em 2011 e pelo menos 70 no ano seguinte. Desse montante, apenas 11 foram resgatadas com vida e somente quatro conseguiram ser reabilitadas e devolvidas ao mar.

Os dados de 2013 ainda não foram fechados, mas o Biota já catalogou 53 tartarugas encalhadas nas praias de Maceió, a maioria estava morta ou morreu dias depois.

Na última terça-feira (15), uma tartaruga verde foi encontrada por banhistas na Praia de Garça Torta, em Maceió. Eles contaram que a tartaruga tinha um plástico na boca. Os estudantes e voluntários do Biota abriram a tartaruga e constataram que ela havia ingerido plástico.

Enquanto o Biota fazia os procedimentos, a aposentada Clícia Leite, que veio a Maceió, para visitar a filha, fazia o seguinte questionamento: “Por que ela estão morrendo tanto? Em 15 dias eu encontrei cinco tartarugas mortas aqui na região”.

A reposta é simples. Segundo o biólogo Bruno Stefanis, do Instituto Biota, as duas principais causas de morte desses animais estão relacionadas à intervenção humana. A primeira é a intervenção com a pesca e a segunda por ingestão de resíduos.

A atuação dos voluntários se restringe a Maceió. O Biota depende de doações para manter o trabalho e faltam recursos para ampliar o atendimento a todo o litoral alagoano. O diretor do instituto, o biólogo Bruno Steffanis, diz que os locais onde mais encontraram tartarugas encalhadas foram nas praias de Jatiúca e Pajuçara, áreas urbanas de Maceió. Um problema que não está relacionado apenas à ingestão dos resíduos, mas também à desova. “Os animais comem mais plástico ao se aproximar da costa, onde está a maioria dos resíduos, e esse lixo também atrapalha na postura dos ovos e no nascimento das tartarugas”, diz.

Mergulhadora fotografa lixo doméstico encontrado na Praia do Francês (Foto: Flavia Dabbur/Arquivo pessoal)

Mergulhadora fotografa lixo doméstico encontrado na Praia do Francês (Foto: Flavia Dabbur/Arquivo pessoal)

Há 15 dias, outra morte de tartaruga chamou a atenção de biólogos e médicos veterinários. Uma tartaruga verde adulta, encontrada no Pontal da Barra, chegou a ser resgatada com vida pelo Biota, mas não resistiu. Durante a necropsia, foi descoberto que ela estava cheia de ovos e também com dois sacos plásticos enormes no estômago.

Mas não é só o plástico que é descartado irregualrmente nas belas praias de Maceió. O personal trainer Rodrigo Piñeiro, que dá treino funcional entre as praias de Pajuçara e Ponta Verde, sabe bem disso. “Infelizmente os banhistas e comerciantes deixam muito lixo aqui. Encontro desde canudos e copos descartáveis até lâmina de barbear, camisinha usada e tijolo”, afirma.

A questão é que o lixo que vai para o mar não é só o deixado na praia. Tudo o que é jogado nas ruas da cidade, de alguma maneira, vai direto para rios, córregos, lagoas e, consequentemente, para o mar.

A mergulhadora e amante da natureza Flavia Scigliano Dabbur vive na Praia do Francês, um dos cartões postais de Alagoas. Ela faz caminhada diariamente na praia e conta que fica muito triste com o que encontra no caminho. “Todos os dias eu acho lixo doméstico que vem da Lagoa. São embalagens de detergente, de água sanitária, de óleo de carro, de iogurte e tantas outras coisas que fica até difícil descrever”, afirma.

Flavia é instrutora de mergulho há dez anos. Ela e a equipe costumam filmar o nado das tartarugas no fundo do mar (Veja o vídeo). ”Já encontramos várias aqui no litoral, é a coisa mais linda. Os visitantes ficam encantados. Mas eles se surpreendem quando encontramos lixo como sacolas plásticas grudadas nos corais, além de vidros e latas que são os objetos que afundam”, lamenta.

A estudante de biologia e voluntária do Instituto Biota, Waltyane Bonfim, diz que tem vontade de andar com a foto de uma tartaruga morta para mostrar às pessoas que jogam lixo na rua. “Eu já pensei várias vezes em adotar essa medida para chocar a população. Eu vejo o tempo todo gente jogando de tudo nas ruas, pela janela do ônibus e do carro. Será que eles não sabem que isso prejudica os animais?”, desabafa a jovem de 23 anos.

A médica veterinária Luciana Medeiro, que também é voluntária do Instituto Biota, afirma que a maioria dos casos de tartarugas que morrem ou são encontradas mortas se dá por ingestão de lixo. “Não conseguimos avaliar todas, até porque muitas já são encontradas em estado avançado de decomposição”, diz.

Ela afirma ainda que um grupo de veterinários e biólogos está fazendo cursos de capacitação fora de Alagoas para identificar com mais precisão a causa mortis desses animais. “Com esses cursos, a gente tem como fazer um diagnóstico mais profundo e, assim, melhorar os dados estatísticos”, revela.

© Global Garbage Brasil

© Global Garbage Brasil

Mortes pelo mundo
Um estudo australiano publicado no periódico “Conservation Biology” no mês de setembro, revela que as tartarugas verde estão ingerindo cada vez mais detritos humanos, incluindo produtos de plástico que podem ser letais.

A pesquisa revisou toda a literatura científica sobre a ingestão de lixo humano no oceano por tartarugas marinhas desde 1985. A análise mostrou que há registro da ingestão de detritos em seis das sete espécies de tartarugas marinhas do mundo. Todas as seis são listadas como espécies vulneráveis ou em perigo.

“Descobrimos que, para as tartarugas verdes marinhas, a probabilidade de ingestão de detritos quase dobrou nos últimos 25 anos”, disse o pesquisador Qamar Schuyler, da Universidade de Queensland, que liderou o estudo.

A pesquisa analisou 37 estudos publicados de 1985 a 2012 que reportou informações coletadas desde 1900 até 2011. Resultados mostram que tartarugas em quase todas as regiões ingerem detritos, mais frequentemente o plástico. “Nossos resultados mostram claramente que a ingestão de detritos por tartarugas marinhas é um fenômeno global de magnitude crescente”, diz o estudo.

19/10/2013 16h32
G1 AL

Banhistas encontram tartaruga verde morta na praia de Garça Torta, AL

Voluntários do Instituto Biota encontraram plástico dentro da tartaruga.
Esse é o 14º animal achado em menos de dois meses no estado.

Banhistas disseram que tinha um plástico na boca da tartaruga quando ela foi encontrada. (Foto: Jonathan Lins/G1)

Banhistas disseram que tinha um plástico na boca da tartaruga quando ela foi encontrada. (Foto: Jonathan Lins/G1)

Do G1 AL

Mais uma tartaruga verde foi encontra morta no Litoral de Alagoas, na tarde desta terça-feira (15). Banhistas encontraram o animal boiando na Praia de Garça Torta, em Maceió. Segundo o Instituto Biota, só nos últimos 45 dias, foram encontradas 14 tartarugas no estado. Muitas são encontradas com vida, mas, mesmo sendo tratadas, não resistem.

O Instituto Biota foi acionado e, chegando ao local, constatou que se tratava de uma tartaruga juvenil. Como os banhistas relataram que tiraram um plástico da boca do animal, os voluntários e estudantes de biologia resolveram abrir a tartaruga para verificar se também tinha plástico no intestino dela.

“Somente um veterinário pode identificar a causa da morte do animal, mas como nem sempre podemos contar com um profissional que esteja disponível para fazer a necropsia, nós abrimos só para verificar se houve ingestão de plástico. E realmente houve”, diz Waltyane Bonfim.

Estudantes de biologia e voluntários do Biota encontraram plástico dentro da tartaruga. (Foto: Jonathan Lins/G1)

Estudantes de biologia e voluntários do Biota encontraram plástico dentro da tartaruga. (Foto: Jonathan Lins/G1)

A tartaruga foi enterrada na praia pelo voluntário e estudante de biologia Oscar Cadique, 18. “A gente ainda não fez o balanço deste ano, mas tenho a sensação de que os casos de tartarugas encalhadas estão aumentando em nosso litoral”, relata Waltyane Bonfim que trabalha no Biota desde 2009.

Essa foi a mesma sensação da aposentada Clícia Leite. Ela é de Porto Alegre e sempre visita a filha que mora em Garça Torta.”Eu sempre venho pra cá, mas nunca tinha visto tanta tartaruga morta. Em 15 dias, eu encontrei duas enormes por aqui mesmo, duas pequenas perto de Guaxuma e hoje essa, de tamanho médio. É muito triste saber que elas estão morrendo e que nós, seres humanos, somos os grandes responsáveis”, afirma se referindo ao lixo deixado nas praias e que elas acabam ingerindo.

15/10/2013 17h59 – Atualizado em 15/10/2013 18h09
G1 AL

Tweet do dia – Matheus Henrique

Secretaria do Ambiente lança site Guanabara Limpa

População ganha ferramenta para acompanhar desenvolvimento das 12 iniciativas de plano de despoluição da Baía de Guanabara

© Sally Fitzgibbons http://instagram.com/sally_fitz

© Sally Fitzgibbons http://instagram.com/sally_fitz

Steven McCane

A Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) lançou hoje (22/10) o site Guanabara Limpa, que reúne as 12 ações que visam à despoluição da Baía Guanabara. Em coletiva realizada no prédio da SEA, o secretário do Ambiente, Carlos Minc, apresentou o site que mostra o desenvolvimento das iniciativas de revitalização da baía e convidou a população a participar desse importante processo de recuperação ambiental com sugestões e atitudes sustentáveis.

As ações do Plano Guanabara Limpa envolvem desde obras de esgotamento sanitário até ações de reflorestamento, coleta de lixo flutuante e educação ambiental. O site www.guanabaralimpa.eco.br exibe com transparência e em tempo real o andamento das metas de 12 ações do Plano Guanabara Limpa através de galeria de imagens, vídeos e notícias sobre a baía, com espaço para a população colaborar com críticas, sugestões e denúncias de crimes ambientais sobre esse importante cartão-postal do Rio de Janeiro.

Dentre as novidades exibidas no Guanabara Limpa, estão a inauguração da Unidade de Tratamento (UTR) do Rio Irajá, prevista para final de novembro, a instalação de oito ecobarreiras na foz de rios e contratação de dez embarcações para impedir a disseminação de lixo flutuantes nas águas da Baía de Guanabara, além do lançamento da segunda etapa do Programa Sena Limpa, que irá beneficiar quatro praias da baía, e a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alcântara, a ser licitada até o final de 2013.

Minc ressaltou o envolvimento de diversos órgãos públicos e do setor privado nas intervenções do Plano Guanabara Limpa, que contam com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam), além de investimentos garantidos em Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados com grandes empreendimentos instalados ao redor da baía, como o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e a Refinaria Duque de Caxias (Reduc).

“Em 2006, o antigo Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG) construiu quatro ETEs que tratavam zero litro de esgoto. A maior estação, ETE Alegria, no Caju, que atualmente trata 2.350 litros de esgoto por segundo, terá sua capacidade dobrada até 2016. Hoje estamos ampliando as redes coletoras de esgoto de São Gonçalo e Itaboraí, com recursos do Comperj, e da Baixada Fluminense, que serão interligadas a essas estações, ajudando a alcançar o compromisso olímpico de sanear a Baía de Guanabara em 80% e, principalmente, atingir nossa meta ambiental”, disse o secretário.

Uma das ações de esgotamento sanitário, o Programa Sena Limpa, já mostrou resultados positivos na Praia Vermelha que se encontra balneável em 95% do ano. A segunda etapa do programa, prevista para início de 2014, irá beneficiar as praias da Ilha de Paquetá, da Guanabara, na Ilha do Governador, e de Botafogo e Flamengo, Zona Sul do Rio.

Outra importante ação para o saneamento ambiental da baía é a implantação de cinco Unidades de Tratamento de Rios (UTRs) na foz dos principais corpos hídricos que deságuam na baía removendo cerca de 90% dos resíduos sólidos e coliformes fecais da água.

Segundo o secretário Carlos Minc, as UTRs não substituem as obras de saneamento, apenas aceleram a recuperação da baía. Após a conclusão das redes de saneamento sanitário dos municípios, as unidades podem ser transferidas para outros corpos hídricos poluídos. Com inauguração prevista para final de novembro, a UTR do Rio Irajá removerá 12% das fontes de poluição hídrica que deságuam na baía.

Minc afirmou que as ações de recuperação ambiental ao redor da baía, como o reflorestamento do entorno do Comperj e a revitalização do Canal do Fundão, que promoveu a abertura de cinco estaleiros que estavam desativados há mais de 10 anos, possibilitaram a criação de cerca de 10.000 empregos de forma direta e indireta.

Também participaram da cerimônia de lançamento a presidente do Instituto Estadual do Ambiente, Marilene Ramos, o subsecretário-executivo da SEA, Luiz Firmino, e o gerente-executivo do Programa de Saneamento Ambiental dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara (Psam), Gelson Serva.

22/10/2013
Plano Guanabara Limpa