EPA estudará os perigos do lixo plástico em ilha remota no Havaí

© NOAA Marine Debris Program

© NOAA Marine Debris Program

Por Tony Barboza
Los Angeles Times
19 de novembro de 2013, 10:03
Traduzido por Mariana Coutinho Hennemann, Global Garbage Brasil

A Agência de Proteção Ambiental (EPA) americana irá estudar uma ilha remota utilizada como pista de decolagem no noroeste das Ilhas Havaianas, que frequentemente recebe lixo plástico, o que é o primeiro passo para eventualmente colocar o local na lista de localidades mais perigosas do país.

Em uma carta a um grupo ambientalista, a agência disse que irá estudar a Ilha de Tern, parte de um atol de recifes de corais a cerca de 550 milhas (~885 Km) a noroeste de Honolulu, que serve como local de nidificação para milhares de aves marinhas.

A decisão foi tomada em resposta a uma petição preenchida no ano passado pelo “Center for Biological Diversity” (Centro para a Diversidade Biológica). O grupo solicitou à EPA estudar uma extensão de 1.200 milhas (~1.931 Km) no noroeste das Ilhas Havaianas e parte do chamado Pacific Garbage Patch (Mancha de Lixo do Pacífico), como um local que faz parte do fundo fiducidário* devido à quantidade de lixo plástico que flutua nas correntes oceânicas e é levado à costa.

“Esse foi um grande pedido”, disse Emily Jeffers, uma advogada do Center for Biological Diversity. Mas ela disse que a decisão da agência de estudar a Ilha de Tern foi “um primeiro passo extremamente importante para compreender os perigos que a poluição por plásticos causa à vida selvagem”.

Uma tempestade danificou um quebra-mar ao redor da Ilha de Tern no ano passado, expondo um aterro com equipamentos elétricos descartados que poderiam conter PCBs tóxicos e outros contaminantes, de acordo com a EPA.

“A EPA pretende avaliar liberações potenciais e observadas de substâncias tóxicas da Ilha de Tern, incluindo substâncias perigosas que se incorporamao lixo plástico marinho na superfície da água dos arredores da ilha”, escreveu o administrador regional da EPA, Jared Blumenfeld, na carta de 14 de novembro para o grupo.

Blumenfeld escreveu que a área também “apresenta uma oportunidade cientificamente significativa para avaliar o impacto toxicológico potencial da ingestão de lixo marinho plástico sobre receptores altamente sensíveis”.

Um porta-voz da EPA caracterizou o estudo, denominado como uma avaliação preliminar, como um esforço de coleta de dados inicial para determinar se o local ameaça a saúde humana ou do meio ambiente. Somente se for categorizado como altamente perigoso e preencher diversos outros requisitos, o local será colocado na lista de localidades para o fundo fiducidário nacional.

“A designação ao fundo fiducidário está longe”, disse Dean Higuchi, um assessor de imprensa da EPA da região sudoeste do Pacífico. “Este é um primeiro passo no caminho”.

O Center for Biological Diversity solicitou o estudo devido à grande quantidade de lixo flutuante que chega às praias das ilhas do noroeste do Havaí, após viajarem em lentas correntes oceânicas. Aves, peixes e mamíferos marinhos podem ser aprisionados no lixo e ingerir pedaços de plásticos e químicos tóxicos.

O grupo também pediu que a EPA estude a Mancha de Lixo do Pacífico, uma grande concentração de lixo, petrechos de pesca abandonados e minúsculas partículas de lixo que ficam girando em redemoinho, algumas vezes descrita como uma “sopa de plásticos”.

A Ilha de Tern e seus recifes formam uma das maiores colônias tropicais de aves marinhas do mundo e fornecem hábitat para a foca monge do Havaí (Monachus schauinslandi) em perigo de extinção e as ameaçadas tartarugas verdes do Havaí.

A ilha de 10,52 ha (~0,1 Km²) foi utilizada como pista de pouso naval durante a Segunda Guerra Mundial e, mais tarde, como uma estação da Guarda Costeira americana. O U.S. Fish and Wildlife Service (Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos E.U.A.) operou uma base de campo lá até ela ser danificada por uma tempestade no ano passado.

tony.barboza@latimes.com
Twitter: @tonybarboza

*N.T. Superfund – fundo fiducidário estabelecido em 1980 para financiar a despoluição de áreas altamente poluídas (E.U.A.).

Tweet do dia – Jota Huch

Portugal já tem Associação dedicada ao Lixo Marinho

Nesta segunda-feira, dia 25 de novembro, foi fundada a Associação Portuguesa do Lixo Marinho, em reunião na Agência Portuguesa do Ambiente, que contou com mais de 25 participantes individuais e representantes de várias entidades.

© João Vianna

© João Vianna

Por Associação Portuguesa do Lixo Marinho
Lisboa, 26 de novembro de 2013

Na passada segunda-feira, dia 25 de novembro de 2013, um grupo constituído por mais de 25 pessoas de vários setores da sociedade reuniu-se para fundar a Associação Portuguesa do Lixo Marinho (APLM).

Entre os vários participantes individuais que realizam trabalho na área, a título profissional ou pessoal, destaca-se a presença de algumas entidades que se fizeram representar como a Associação Bandeira Azul da Europa, a Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos, a Brigada do Mar, a Global Garbage, a Surfrider Foundation Lisboa, o Observatório do Mar dos Açores e a coordenadora do projeto Coastwatch Portugal.

Durante a reunião foram aprovados os estatutos e eleitos os órgãos sociais da APLM. Paula Sobral, docente na Universidade Nova de Lisboa e que trabalha com lixo marinho há vários anos, será a presidente da associação.

A APLM será uma entidade privada sem fins lucrativos cuja missão é a defesa e conservação do ambiente face aos impactes do lixo marinho. As ações da APLM serão maioritariamente de informação, sensibilização e corresponsabilização, apoio científico e técnico, e ainda, contribuir para as políticas públicas relacionadas com a temática e cooperar com diferentes organismos, nacionais e internacionais, para potenciar soluções para os problemas ambientais relacionados com o lixo marinho.

A APLM pretende estabelecer parcerias com os países de Língua Oficial Portuguesa para a realização de ações conjuntas na temática do lixo marinho, o que já lhe valeu o reconhecimento e apoio do UNEP (United Nations Environment Programme).

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Praia da Barra da Tijuca sofre com a sujeira deixada por visitantes

Leitor diz que há serviço de limpeza na área, mas banhistas não colaboram e deixam lixo espalhado
Ele diz que falta trabalho de conscientização dos usuários e de fiscalização no local

Lixo deixado na orla da Barra da Tijuca. Foto: Leitor Marinho Santiago / Eu-Repórter

Barra da Tijuca. Foto: Leitor Marinho Santiago / Eu-Repórter

O Globo, com leitor Marinho Santiago
Publicado: 22/11/13 – 17h37

RIO – Alvo frequente de reclamação de moradores, o lixo deixado por banhistas é um problema que se arrasta há décadas nas praias do Rio. Nos últimos dias não foi diferente, principalmente na orla da Zona Oeste. Quem passou pela Praia da Barra no feriado da Consciência Negra, por exemplo, pôde observar a quantidade de detrito deixado na areia e na calçada da orla, como relata o leitor Marinho Santiago, que também é fotógrafo:

— Trabalho há seis anos na praia e nunca vi tanto lixo como nesses últimos feriados que tivemos. Se a quantidade de banhistas dobrou, a de lixo triplicou. Apesar de a Comlurb prestar um árduo e bom serviço na orla, está faltando a conscientização das pessoas e a fiscalização por meio de ações que já deveriam estar sendo implantadas antes da chegada do verão.

O leitor disse que recentemente foram instalados fornecedores de sacolas plásticas na região. No entanto, segundo ele, ainda é pouco.

— Precisamos de uma força-tarefa cuidando de nossas areias, de um plano verão que comece na primavera, se no futuro quisermos continuar desfrutando deste democrático lazer, um dos preferidos dos cariocas — alertou.

De acordo com a Comlurb, a quantidade de detritos deixada nas praias no último feriado foi tanta que a companhia teve que botar 120 funcionários para retirar as cerca de 76 mil toneladas de lixo da orla das zonas Sul e Oeste.

A Comlurb informou que, na quarta-feira, pelo menos 14 pessoas foram flagradas e multadas na Zona Sul ao jogar lixo nas avenidas Atlântica, em Copacabana; Vieira Souto, em Ipanema; e Delfim Moreira, no Leblon.

Tweet do dia – Ruth Avelino