Ecossistemas marinhos: o depósito de lixo do nosso planeta

Agência Ambiental Europeia lança vídeo para alertar sobre o problema global do lixo marinho

por Natalie Andreoli, da Associação Brasileira do Lixo Marinho
23 de abril de 2014 | ablm-sc@globalgarbage.org.br

Tudo aquilo que jogamos no lixo pode acabar indo parar no mar. O conhecimento sobre este problema global está aumentando cada vez mais, não apenas em relação aos impactos sobre a vida marinha, mas também sobre a saúde humana e para a economia. Pensando em compartilhar as informações existentes até o momento, a European Environment Agency (EEA – Agência Ambiental Europeia) lançou o vídeo The waste dump of our planet – a look at Marine Litter (O depósito de lixo do nosso planeta – um olhar sobre o lixo marinho).

O vídeo é narrado por Constança Belchior, que trabalha na EEA, e inicia mostrando o rápido percurso de uma sacola plástica usada para transportar maçãs, até seu descarte na lata do lixo. Mas muitas vezes não é isso que acontece e a sacola pode acabar indo parar no rio ou no mar, sendo esta uma das razões pela qual os ecossistemas marinhos estão se tornando um depósito de lixo e a situação está ficando cada vez pior, prejudicando a vida marinha.

Não são apenas as sacolas plásticas que são ingeridas por animais, as garrafas plásticas, bitucas de cigarro, petrechos de pesca, embalagens e outros itens que estão entrando em nossos mares também estão causando danos à vida marinha. No vídeo é citado um estudo realizado no mar do Norte, com aves (Fulmar), que mostra que 95% dos animais estudados continham plástico em seus estômagos, sendo encontrados em média 35 pedaços por animal, podendo assim causar mortes. Além disso, a vida marinha pode, por exemplo, se emaranhar em pedaços de rede de nylon, e acabar sendo sufocada, estrangulada ou morta.

O vídeo enfatiza que o lixo nas praias é apenas o topo do iceberg, pois muito dele está em alto mar ou no fundo do mar. O mais surpreendente é que a maioria do lixo marinho não é proveniente de navios ou banhistas, mas sim originado em terra, às vezes em locais longe do litoral e que mesmo quando usamos sacolas plásticas por um curto período de tempo, os efeitos prejudiciais ao meio ambiente duram por um período bem maior. É feita uma comparação dizendo que se o plástico tivesse existido no período do Renascimento (final do século XIV, início do século XV), nós ainda estaríamos lidando com esse lixo plástico em nossos mares.

Em mais de 100 anos descartando o plástico, nós criamos um grande problema. Este lixo está se acumulando em cinco grande áreas em nossos oceanos. No Pacific Garbage Patch (Mancha de Lixo do Pacífico) o tamanho desse lixo flutuante é duas vezes o tamanho dos Estados Unidos.

Então, no final das contas, para combater o lixo marinho temos que evitar que ele chege até nossos mares e isso começa com as escolhas que fazemos no nosso dia a dia. Para auxiliar nessas escolhas, o vídeo dá as seguintes dicas:

– Recuse-se a usar sacolas plásticas de uso único, ao invés disso, você pode usar uma sacola reutilizável;

– Evite embalagens plásticas ou garrafas plásticas de uso único;

– Seja voluntário para ajudar a limpar a praia ou monitorar o lixo nela;

– Na Europa, foi desenvolvido o aplicativo EEA mobile app em que você pode registrar o lixo que você encontra nas praias e isso pode ajudar a aprender mais sobre o problema.

Por fim a narradora menciona que aquilo que jogamos no mar pode prejudicar os seres humanos, pois o lixo marinho pode acumular substâncias tóxicas, os peixes podem ingerir este material e ao ingerirmos o peixe, ele pode conter essas minúsculas partículas tóxicas de plástico. Estamos apenas começando a entender este problema, mas ele pode ser muito grave.

Mundialmente existe uma grande quantidade de pessoas que está trabalhando para tentar resolver o problema do lixo marinho, como a Associação Brasileira do Lixo Marinho. Se você quiser ajudar a fazer parte da solução e conhecer mais sobre os projetos que estão em andamento, envie um e-mail para ablm@globalgarbage.org.br.

Uma ideia sobre “Ecossistemas marinhos: o depósito de lixo do nosso planeta

  1. Realmente o vosso é um trabalho de amor e dedicação a uma Causa que poucas
    pessoas entendem a sua importância. Felizmente, existem pessoas como vocês
    dispostas a enfrentarem todos os obstáculos, que não são poucos: desde a falta de engajamento até o total desinteresse dos maiores beneficiários dessa luta insana. Eu sou apenas um humilde colaborador anônimo. Pelo menos tenho o consolo de saber que estou fazendo a minha parte. Oxalá, outros brasileiros como eu, cheguem à conclusão de que o futuro do planeta e das próximas gerações depende de nós. Parabéns a todos!

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