Duas vidas da tampinha

Tampinha de garrafa se encaixa a outra e é compatível com blocos de montar

Designed by Clever Pack in Rio de Janeiro

Designed by Clever Pack in Rio de Janeiro

Revista Pesquisa FAPESP
Edição 220 – Junho de 2014

Uma tampinha de garrafa que se encaixa a outra e é compatível com blocos de montar como Lego e Mega Block. Assim são descritas as Clever Caps, novidade do design brasileiro apresentada em abril durante a 14ª Conferência da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), em São Paulo. O produto, desenvolvido pela Clever Pack, foi apresentado em garrafas de água mineral da Petrópolis Paulista, que chegam ao mercado em junho. “A proposta é que as tampas ganhem uma nova vida”, diz Cláudio Patrick Vollers, um dos idealizadores do produto e sócio da Bauen Plásticos, empresa parceira da Clever Pack no projeto. A ideia era fazer com que pelo menos parte da embalagem plástica, no caso a tampa, não tivesse como destino o lixo nem a reciclagem. “Dar uma nova utilidade para as tampinhas faz com que elas não sejam descartadas”, explica Henry Suzuki, consultor na área de propriedade intelectual e coinventor das tampinhas. Ele descobriu que existiam mais de 30 projetos semelhantes depositados em bancos de patentes pelo mundo, mas nenhum era compatível com os blocos de montar.

Depois de verificar que as patentes do Lego já haviam expirado, Suzuki abriu as portas para que a Clever Pack criasse a primeira tampinha de garrafa compatível com o brinquedo. No total, foram registradas sete patentes no Brasil. Em menos de três anos, as tampinhas venceram importantes premiações internacionais, entre elas o IF Design Awards, na Alemanha. O projeto, que teve um investimento de R$ 2 milhões, também foi um dos 76 selecionados para concorrer em uma votação popular do Museu de Design de Londres. “A indústria brasileira precisa abrir-se mais para o design, que ainda é visto por muitos empresários como algo superficial”, diz Vollers.

Poluição por plásticos causa perda equivalente a US$ 13 bilhões para ecossistemas marinhos

Relatórios apresentados na UNEA ressalta o risco de contaminação dos microplásticos

© John Johnson, onebreathphoto.com

© John Johnson, onebreathphoto.com

Escritório do PNUMA no Brasil

Nairóbi, 23 de junho 2014 – A poluição causada por partículas de plástico dispersas nos oceanos representa um dano financeiro de US$ 13 bilhões anuais, de acordo com dois relatórios divulgados na abertura da primeira Assembleia Ambiental das Nações Unidas (UNEA, na sigla em inglês).

O 11º Anuário do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (PNUMA) atualiza informações sobre dez desafios ambientais emergentes, incluindo resíduos plásticos. E o documento “Valorando o Plástico” (Valuing Plastic no original), produzido em parceria com o Plastic Disclosure Project (PDP) e pela empresa de pesquisas Trucost, analisa o uso de plástico na indústria de bens de consumo.

O estudo “Valorando o Plástico” aponta que o custo do capital natural no uso de plástico a cada ano é de US$ 75 bilhões – impactos decorrentes da poluição do meio ambiente marinho e da poluição do ar causada pela incineração de plástico, entre outras fontes. O relatório aponta que mais de 30% dos custos de capital natural de plástico se deve às emissões de gases de efeito estufa provenientes da extração de matéria-prima e do seu processamento. No entanto, o documento observa que a poluição marinha é o maior custo, e que o valor de US$ 13 bilhões pode ser subestimado.

“O plástico desempenha um papel crucial na vida moderna, mas seus impactos ambientais não podem ser ignorados”, afirmou o sub-secretário-geral da ONU e diretor executivo do PNUMA, Achim Steiner. “A redução, reciclagem e reformulação dos produtos que usam plásticos trazem vários benefícios, incluindo redução dos prejuízos e mais investimentos e oportunidades de inovação. Nas regiões polares, foram descobertos pequenos pedaços de plástico presos no gelo, que podem contaminar alimentos e o ecossistema local. É fundamental evitar que detritos plásticos poluam o ambiente, o que se traduz em um único objetivo: reduzir, reutilizar, reciclar”.

A grande e incalculável quantidade ​​de resíduos de plástico chega aos oceanos através do lixo, aterros mal geridos, turismo e da pesca. Parte deste material atinge o fundo do oceano, enquanto outra flutua e pode ser levada a grandes distâncias pelas correntes oceânicas.

© NOAA Marine Debris Program

© NOAA Marine Debris Program

Há muitos relatos ​​de danos causados por resíduos de plástico: a mortalidade ou doença quando ingeridos por animais marinhos, como tartarugas; emaranhamento dos animais, como golfinhos e baleias; e danos a habitats críticos, como os recifes de coral. Há também preocupação com a contaminação química e pela dispersão de espécies invasoras em fragmentos plásticos, o que causa perdas para as indústrias de pesca e de turismo em muitos países.

Desde 2011, última vez em que o Anuário do PNUMA analisou os resíduos plásticos no oceano, a preocupação tem crescido em torno dos microplásticos (partículas de até 5 mm de diâmetro, fabricados ou criados quando o plástico se decompõe). Sua ingestão tem sido amplamente disseminada em organismos marinhos, incluindo as aves marinhas, peixes, mexilhões, vermes e zooplânctons.

Uma questão emergente é o uso crescente de microplásticos em pastas de dentes, géis e produtos de limpeza facial. Estes microplásticos tendem a não ser filtrados durante o tratamento de esgoto e são lançados diretamente em rios, lagos e oceano.

As tendências da produção, padrões de uso e as mudanças demográficas são atribuídas como causa do aumento do uso de plástico. Os dois relatórios convidam empresas, instituições e consumidores a reduzir a geração de resíduos.

O estudo “Valorando o plástico” relata que as empresas atualmente economizam US$ 4 bilhões ao ano por meio de uma boa gestão de plástico, e que os custos podem ser ainda mais reduzidos. Entretanto, a divulgação do uso do plástico é pobre: ​​de 100 empresas avaliadas, menos da metade dispunha de dados relativos à gestão do plástico.

Plastic bags, like these floating near the Philippines, look like jellyfish. These pieces of ocean debris float on ocean currents and accumulate in collections called "garbage patches."

© Norbert Wu/Minden Pictures

“A pesquisa revela a necessidade das empresas considerarem sua ‘pegada’ de plástico, assim como fazem para carbono, água e florestas”, disse o diretor do PDP, Andrew Russell. “Ao gerenciar e reportar o uso do plástico e sua eliminação, as empresas podem mitigar os riscos, maximizar as oportunidades e se tornar mais bem sucedidas e sustentáveis.”

Iniciativas como o PDP e parcerias globais do PNUMA sobre lixo marinho têm ajudado na crescente conscientização sobre plástico e poluição. No entanto, muito mais precisa ser feito. Recomendações para ações futuras a partir dos relatórios incluem:

  • As empresas devem monitorar seu uso de plástico e publicar os resultados em relatórios anuais.
  • As companhias devem comprometer-se a reduzir o impacto ambiental do plástico através de metas e prazos bem definidos, e inovar para aumentar a eficiência dos recursos e reciclagem.
  • Deve haver um foco maior em campanhas de sensibilização para desencorajar a jogar lixo nos oceanos e evitar o desperdício de plástico. Um aplicativo que permite aos consumidores verificar se um produto contém microesferas já está disponível em http://get.beatthemicrobead.org/
  • Uma vez que as partículas de plástico podem ser ingeridas por animais marinhos e potencialmente e dispersar toxinas através da cadeia alimentar, os esforços devem ser intensificados para preencher as lacunas de conhecimento e compreensão da capacidade de vários plásticos em absorver e transferir produtos químicos persistentes, tóxicos e bioacumuladores.

Acesse o release completo, em inglês, aqui.

Mais informações

O Anuário do PNUMA 2014 está disponível em inglês no formato aplicativo, e pode ser baixado em http://www.unep.org/yearbook/2014/ e uneplive.unep.org/global.

O relatório “Valorando o Plástico” está disponível para download em www.unep.org/pdf/ValuingPlastic.

Na véspera do jogo do Brasil, praias de Fortaleza amanhecem cheias de lixo

© Irineu Machado/ UOL

© Irineu Machado/ UOL

Irineu Machado
Do UOL, em Fortaleza (CE) 16/06/2014 | 10h11

As praias de Meireles e Iracema, das mais badaladas de Fortaleza, amanheceram repletas de lixo nesta segunda-feira (16). Em um trecho de dois quilômetros da orla, a reportagem do UOL presenciou latinhas de alumínio, garrafas plásticas, pratos, copos e outros dejetos abandonados por turistas à beira-mar. Na véspera de sediar o jogo Brasil x México, pela segunda rodada da Copa do Mundo, Fortaleza está repleta de turistas e em clima de festa.

As duas praias são consideradas próprias para banho, de acordo com os boletins de balneabilidade das praias da Secretaria do Meio Ambiente do Ceará.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), 13 mil partículas de lixo plástico são encontradas em cada quilômetro quadrado do mar. Pássaros e peixes morrem de inanição por confundirem as partículas plásticas, compostas por produtos químicos tóxicos, com alimento. Parte desse lixo é tragada pelo mar e causa danos ambientais.

Cartilha “Uma Lei para o Mar” é lançada em Brasília

© Fundação SOS Mata Atlântica

© Fundação SOS Mata Atlântica

SOS Mata Atlântica
04/06/2014

Foi lançada em Brasília na manhã desta quarta-feira (04/06), como parte das atividades do Dia Mundial do Meio Ambiente (05/06), a cartilha “Uma Lei para o Mar: Uso e Conservação para Benefício de Todos”. Promovido pela Fundação SOS Mata Atlântica, pela Frente Parlamentar Ambientalista e pelo Grupo de Trabalho de Conservação Marinha, o lançamento ocorreu durante café da manhã na Câmara dos Deputados, e foi seguido de debates sobre a importância do Projeto de Lei nº 6.969/2013, que institui a Política Nacional para a Conservação e o Uso Sustentável do Bioma Marinho Brasileiro (PNCMar).

“A importância do lançamento da cartilha Uma Lei para o Mar é divulgar o conteúdo do projeto de lei para todos. É levar para as ruas e para as praias uma lei que servirá para promover o uso sustentável do mar e sua conservação. O mar é um dos biomas mais ameaçados. E só de forma participativa e democrática será possível promover a sua conservação” afirma Leandra Gonçalves, bióloga, doutoranda em Relações Internacionais e consultora da Fundação SOS Mata Atlântica.

Acesse a versão online da Cartilha Uma Lei para o Mar.