24° Encontro Anual da SETAC Europa

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A apresentação de M. Rani sobre o vazamento de HBCD em bóias de EPS – © Heidi Acampora

por Heidi Acampora, da ABLM – Associação Brasileira do Lixo Marinho
26 de maio de 2014

O 24° encontro anual da SETAC (Sociedade de Toxicologia e Química Ambiental) aconteceu na Basiléia, Suíça, nos dias 11 a 15 de maio de 2014. O encontro contou com mais de 2.000 participantes, durante 4 dias no Centro de Congressos da Basiléia.  Sendo um encontro sobre Toxicologia, os assuntos poderiam se tornar muito amplos, e de fato eram, mas especificamente em um dos dias houve uma inteira sessão dedicada à poluição por macro e microplásticos (Denominada de “Poluição por macro, micro e nanoplásticos em ambientes aquáticos e terrestres: Fontes, destinos, exposição e impactos toxicológicos e ecológicos”). Os assuntos nas palestras variaram desde a presença de microplásticos em sedimentos à contaminação de frutos do mar, passando pela liberação de compostos químicos do plástico aos organismos ingerindo o mesmo e ao meio ambiente.

Particularmente, as palestras mais interessantes e inovadoras vieram de E. Besseling, da Universidade de Wageningen, que estudou os efeitos de nanoplásticos no crescimento e reprodução de algas e zooplâncton; e M. Rani e M. Jang, do Instituto de Ciências Oceânicas e Tecnologia da Coreia, que estudaram a liberação de Hexabromociclododecano, também conhecido como HBCD (um anti-chamas usado como aditivo em plásticos) em bóias de poliestireno expandido – EPS (e outros produtos como eletrônicos e utensílios de casa) na água e nos mexilhões fixados nas bóias.

Explico porque achei essas palestras inovadoras. Primeiro, porque aparentemente, existe um novo tamanho que precisamos nos preocupar quando falamos de lixo marinho: as nanopartículas, que parecem ser o próximo item mais abundante no meio ambiente devido à quebra de macroplásticos em microplásticos e destes, em nanoplásticos. Partículas nano também podem ser industrialmente produzidas. Então definitivamente precisamos saber mais sobre isso. Segundo, porque muito tem sido feito em reportar a presença de partículas plásticas em todo lugar, porém pouco sabemos sobre os efeitos reais que essas partículas estão causando ao meio ambiente e seus habitantes, a não ser pelos efeitos óbvios como aprisionamento em redes ou embalagens, ocupação de espaço no estômago, perfuração do trato digestivo, etc. Mas quando uma partícula foi ingerida, quando ela está dentro do trato digestivo de um animal, o que ela causa, e como isso afeta a cadeia alimentar? Besseling, em trabalho anterior (Besseling et al., 2013), provou que vermes marinhos eram menos ativos e fortes após ingerirem microplásticos. Dessa vez, efeitos no crescimento de S. obliquus, uma alga verde, foram demonstrados, bem como efeitos reprodutivos em D. magna, uma espécie de zooplâncton.

Com Rani e Jang, o interesse vem em saber que bóias de poliestireno expandido são amplamente utilizadas em todos os lugares, incluindo fazendas de aquacultura. HBCDs foram adicionados à lista global de componentes químicos a serem eliminados sob a Convenção de Estocolmo, em maio de 2013, devido aos seus efeitos bioquímicos adversos (aumento do fígado, tireóide e glândula pituitária em ratos testados). Os estudos de Rani e Jang provam que existe uma maior concentração de HBCD em mexilhões presos às bóias e em seu entorno, bem como maiores concentrações na água e sedimentos do entorno, concluindo que bóias de EPS são uma fonte de HBCD no meio ambiente. A pergunta que todos queriam fazer era: Qual a necessidade de se adicionar algo como um anti-chamas a um produto que vai estar todo o tempo na água, como uma bóia, por exemplo?

Se você quer saber mais sobre o estudo de Besseling com vermes marinhos e microplásticos, clique aqui. Para saber mais sobre nanoplásticos e algas e zooplâncton, clique aqui para o resumo publicado na conferência.

Se você quer saber mais sobre o trabalho de Rani e Jang em HBCDs, clique aqui. E para HBCDs em bóias de EPS, clique aqui para o resumo publicado na conferência.

Se você deseja saber mais sobre a SETAC, clique aqui. Se você deseja ler o livro de resumos da última conferência da SETAC Europa 2014, clique aqui.

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