Cientistas advertem que aproximadamente 270 mil toneladas de plástico podem estar flutuando nos oceanos do mundo

Costa do Dendê, litoral da Bahia. © Global Garbage Brasil

Costa do Dendê, litoral da Bahia. © Global Garbage Brasil

por John Schwartz, do New York Times
10 de dezembro de 2014
Traduzido por Natalie Andreoli, da ABLM – Associação Brasileira do Lixo Marinho

Não é nenhum segredo que os oceanos do mundo estão cheios de lixo plástico – as primeiras massas flutuantes de lixo foram descobertas na década de 1990. Mas os pesquisadores estão começando a ter uma noção melhor do tamanho e extensão do problema.

Um estudo publicado quarta-feira na revista PLOS One estima que 5,25 trilhões de pedaços de plástico, grandes e pequenos, pesando 269 mil toneladas, poderiam ser encontrados em todos os oceanos do mundo, mesmo nos lugares mais remotos.

Os navios que realizaram a investigação percorreram os mares coletando pequenos pedaços de plástico com redes e estimaram, a partir de suas amostras, quais seriam os valores mundiais, usando modelos de computador. A maior fonte de plástico, em termos de peso, vem de redes de pesca e bóias descartadas, disse Marcus Eriksen, o líder desse estudo e co-fundador do 5 Gyres Institute (Instituto 5 Giros), um grupo sem fins lucrativos que reúne investigação científica com ativismo antipoluição.

Dr. Eriksen sugeriu que um programa internacional que pagasse aos navios de pesca pelas redes recuperadas poderia ajudar a resolver essa questão. Mas isso não iria resolver o problema de garrafas, escovas de dentes, bolsas, brinquedos e outros tipos de lixo que flutuam pelos mares e se reúnem nos “giros”, onde as correntes convergem. Os pedaços de lixo colidem uns contra os outros por causa das correntes, da ação das ondas e da luz solar, tornando-os quebradiços, transformando estas sucatas flutuantes em “fragmentos”, disse ele, produzindo pedaços de plástico cada vez menores, que se espalham por toda parte.

Enquanto as equipes do estudo procuravam por plásticos flutuando na água, do tamanho de grãos de areia, eles ficaram surpresos ao encontrar muito menos amostras do que o esperado – um centésimo das muitas partículas que seus modelos previam. Isto, disse Dr. Eriksen, sugere que os pedaços menores podem ser levados mais para o fundo do mar ou consumidos por organismos marinhos.

Costa do Dendê, litoral da Bahia. © Global Garbage Brasil

Costa do Dendê, litoral da Bahia. © Global Garbage Brasil

O resultado foi semelhante ao de um artigo publicado este ano na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), que encontrou uma quantidade surpreendentemente baixa de pequenos lixos plásticos. Esses pesquisadores estimaram que aproximadamente 35 mil toneladas de lixos menores foram espalhados por todo os oceanos do mundo, mas eles esperavam encontrar milhões de toneladas.

Andrés Cózar, um pesquisador da Universidade de Cadiz que liderou o estudo, disse em um e-mail que ele e Dr. Eriksen chegaram a conclusões diferentes sobre a quantidade de plástico flutuante, mas que “é evidente que há muito plástico no oceano”, acrescentou: “O atual modelo de gestão de materiais plásticos é (economicamente e ecologicamente) insustentável”.

O fato de que os pequenos plásticos estão desaparecendo não é uma boa notícia. Na verdade, isto poderia ser muito mais preocupante do que a indesejável sujeira que os plásticos causam. Os plásticos atraem e ficam revestidos com substâncias tóxicas como o PCB (bifenila policlorada) e outros poluentes. Pesquisadores estão preocupados que peixes e outros organismos que consomem os plásticos poderiam reabsorver as substâncias tóxicas e passá-las a outros predadores na cadeia alimentar.

“Os plásticos são como um coquetel de substâncias contaminantes que flutuam por toda a parte no habitat aquático”, disse Chelsea M. Rochman, ecologista marinho da Universidade da Califórnia, em Davis. “Estes contaminantes podem estar aumentando na cadeia alimentar.”

Os estudos nos oceanos dão uma importante contribuição para a compreensão do problema do lixo flutuante, disse Nancy Wallace, diretora do Programa Lixo Marinho da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA – National Oceanic and Atmospheric Administration).

Costa do Dendê, litoral da Bahia. © Global Garbage Brasil

Costa do Dendê, litoral da Bahia. © Global Garbage Brasil

Mais pesquisas devem olhar além da superfície para testar onde os menores pedaços de plástico poderiam ter ido: nas partes mais profundas do oceano, ao longo da costa ou depositado no fundo do mar. “É muito cedo para dizer que há menos plástico no oceano do que pensávamos”, disse ela. “Pode ser que apenas tenha menos onde estamos olhando.”

Dr. Eriksen disse que a extensão do problema faz com que a coleta de lixo flutuante seja impraticável. Seu grupo tem tido algum sucesso com campanhas para fazer com que fabricantes de produtos de saúde e beleza parem de usar microesferas de plástico esfoliantes em seus produtos.

Os fabricantes de outros produtos, segundo ele, devem urgentemente mudar suas práticas também. “Temos que colocar algum ônus sobre os fabricantes”, disse ele. “Se você fizer isso, fizer com que eles voltem atrás, ou certificar-se que o oceano pode lidar com isso de uma maneira ambientalmente inofensiva.”

Dra. Wallace concordou. “A menos que possamos parar o fluxo – fechar a torneira desses pedaços de lixo que vão para o mar o tempo todo – nós não vamos ser capazes de parar o problema.”

O Conselho Americano de Química (American Chemistry Council) , que fala em nome das indústrias de plásticos, emitiu uma declaração dizendo que seus membros “concordam plenamente que os plásticos espalhados, de qualquer tipo, não pertencem ao ambiente marinho”, e citou os esforços da indústria para combater o problema, incluindo a Declaração das Associações Globais de Plásticos para soluções para o Lixo Marinho de 2011 (Declaration of the Global Plastics Associations for Solutions on Marine Litter), que levou ao desenvolvimento de 185 projetos em todo o mundo.

ONU ouve apelos a maior protecção dos ecossistemas marinhos – plástico nos oceanos aumenta

O lixo marinho afeta comunidades e mares em todas as regiões do mundo e afeta negativamente a biodiversidade, a pesca e as economias costeiras. Foto: UNEP GRID Arendal/Lawrence Hislop

O lixo marinho afeta comunidades e mares em todas as regiões do mundo e afeta negativamente a biodiversidade, a pesca e as economias costeiras. Foto: UNEP GRID Arendal/Lawrence Hislop

A acumulação constante de lixo nos oceanos de todo o mundo é um “desafio tremendo” e uma crescente ameaça para os ecossistemas marinhos do planeta com potencial para ter “consequências sócio-económicas significativas”, ouviu o Programa das Nações Unidas para Meio Ambiente (PNUMA), no último dia do 16º Encontro Global das Convenções e dos Planos de Acção das Regiões Marítimas, realizado em Atenas, na Grécia.

Cientistas, decisores políticos e as delegações reuniram em Atenas num momento em que aumenta a preocupação a nível mundial sobre o aumento da acumulação lixo de plástico nos mares e oceanos – um problema que poderá  representar cerca de 13 mil milhões de dólares em danos para a vida marinha e para os seus habitats, e que requer uma solução abrangente.

Na sua intervenção durante o encontro, Jacqueline Alder, coordenadora da  Divisão de Ecossistemas de Água doce e Marinhos, aplaudiu a criação de um “roteiro de visão” que visa traçar um caminho directo para governança dos oceanos na próxima década, particularmente nas áreas da extracção, governança, impactos das alterações climáticas, acidificação dos oceanos e poluição.

“Fazer mudanças relativas à governação ou gestão dos oceanos, especialmente quando os problemas são transfronteiriços, leva muitos anos”, afirmou Adler.

“O roteiro vai-nos permitir, a todos aqui presentes e àqueles que nos seguem,  ficar concentrados nos resultados que precisamos atingir nas décadas seguintes”.

O encontro gerou amplo consenso entre os especialistas e os decisores políticos sobre o problema do microplástico – pequenos pedaços de plástico com menos de um milímetro – que dizem, merece mais atenção para perceber melhor o impacto físico e biológico nos ecossistemas que poluem.

Para além disso, os especialistas e decisores políticos aconselharam a que se adopte uma abordagem em três níveis no combate ao lixo marinho ao nível nacional, regional e municipal, uma vez que são os municípios que costumam ter a responsabilidade da gestão do lixo.

O encontro do PNUMA coincidiu com a inauguração de uma instalação artística sobre o tema da poluição marítima,  no hall de entrada da sede da ONU em Nova Iorque intitulado de “The Garbage Patch State”.

O trabalho é uma criação da artista Italiana, Maria Cristina Finuccim e foi inspirada nas cinco manchas de lixo, conhecidas como Giros que se formaram nos oceanos, em consequência da acumulação de resíduos ou outros materiais descartados que são arrastados pelas correntes e que agora ocupam cerca de 15,915,933 quilómetros quadrados de oceano, ameaçando o meio ambiente marinho e as plantas e os animais que vivem nele.

2 de outubro de 2014, Centro de Notícias da ONU | traduzido e editado por UNRIC

Califórnia: Governador Brown assina legislação para proibir as sacolas plásticas de uso único

© Shutterstock.com

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por Natalie Andreoli, da ABLM – Associação Brasileira do Lixo Marinho
02 de outubro de 2014 | brasil@ablm.org.br

No início desta semana o estado da Califórnia deu um grande passo ao ser o primeiro a aprovar uma lei estadual que proíbe a distribuição de sacolas plásticas de uso único, a partir de julho de 2015. Além disso, a lei concede empréstimos a taxas competitivas para as empresas que passarem a fabricar sacolas reutilizáveis. Dessa forma, a questão levantada pelas indústrias de que existiriam impactos negativos nos empregos pode ser minimizada.

Esperamos que esta lei sirva de exemplo para outros estados americanos e para o Brasil.

Leia abaixo a reportagem na íntegra, publicada pelo Gabinete do Governador da Califórnia.

Pelo Gabinete do Governador da Califórnia, Edmund G. Brow Jr.
30 de Setembro de 2014
Traduzido por Natalie Andreoli, ABLM

SACRAMENTO – O governador Edmund G. Brown Jr. assinou hoje a primeira proibição estadual dos Estados Unidos de sacolas de plástico de uso único – a lei do Senado SB 270 – alinhando a lei estadual com Portarias já aprovadas por um grande número de governos locais da Califórnia, para reduzir os resíduos de plástico.

“Este projeto de lei é um passo na direção certa – ele reduz a enxurrada de plástico que polui nossas praias, parques e até mesmo o próprio imenso oceano”, disse o governador Brown. “Nós somos os primeiros a proibir essas sacolas e não seremos os últimos.”

A legislação, de autoria do senador Alex Padilla (Distrito de Pacoima), proíbe mercados e farmácias de distribuírem sacolas plásticas de uso único a partir de julho de 2015 e decreta a mesma proibição para lojas de conveniência e lojas de bebidas, no ano seguinte. A legislação também irá fornecer até 2 milhões de dólares em empréstimos competitivos – administrados pelo CalRecycle – para as empresas que fizerem a transição para a fabricação de sacolas reutilizáveis.

Até o momento, mais de 120 governos locais na Califórnia haviam aprovado Portarias que proíbem as sacolas de uso único sacos de alguma forma, com grande apoio da comunidade e grupos ambientalistas. A lei do Senado SB 270 é apoiada por muitos destes mesmos grupos, juntamente com os governos locais, empresas e organizações trabalhistas.

“Eu elogio a atitude do governador Brown em assinar a SB 270 e transformá-la em lei. Ele continua a liderar o nosso Estado em direção a um compromisso com a sustentabilidade. A sociedade descartável não é sustentável. Esta nova lei irá reduzir significativamente o fluxo de bilhões de sacolas de plástico de uso único que poluem nossas comunidades e prejudicam o meio ambiente a cada ano. Mudar de sacolas de plástico de uso único sacos para sacolas reutilizáveis é senso comum. A assinatura do governador Brown reflete o nosso compromisso de proteger o meio ambiente e reduzir os custos do governo”, disse o Senador Padilla.

“A costa da Califórnia é um tesouro nacional e um cartão de visita para o mundo, que nos ajuda a atrair visitantes e negócios de todo o mundo. Removendo a praga nociva das sacolas de plástico de uso único, especialmente ao longo da nossa costa e vias navegáveis, ajuda a garantir o tipo de ambiente limpo e saudável que precisamos para ter uma economia mais forte e um futuro melhor “, disse o Presidente da Assembleia Toni Atkins.

“A SB 270 é uma vitória para o meio ambiente e para os trabalhadores da Califórnia. Estamos acabando com a calamidade das sacolas de plástico de uso único e fechando o ciclo do fluxo de resíduos de plástico, e fazendo tudo isso mantendo – e ampliando – os empregos na Califórnia. À medida que desenvolvemos ainda mais a nossa economia verde, a SB 270 será um modelo para o equilíbrio da saúde do planeta com a preservação do modo de vida das pessoas”, disse o Presidente Interino eleito do Senado Kevin de Leόn, co-autor do projeto de lei.

“Para quase 10 milhões de californianos, a vida sem sacolas plásticas já é uma realidade. A proibição de sacolas reduz a poluição por plásticos e os resíduos, diminui os custos com sacolas em mercados e agora estamos vendo o crescimento do emprego na Califórnia, em instalações que produzem alternativas melhores”, disse Mark Murray, diretor-executivo da Californians Against Waste Foundation (“Fundação Californianos Contra Resíduos”).

“A Califórnia é o primeiro Estado nos EUA a proibir o item de consumo mais onipresente no planeta, em um esforço para impulsionar os consumidores para uma mudança de comportamento sustentável. Os dados de mais de 127 proibições locais de sacolas de plástico provou que as proibições são eficazes na redução de lixo e mudam as atitudes dos consumidores, e refutaram as alegações da indústria que existiriam impactos apocalípticos nos empregos e nas comunidades pobres. Uma proibição estadual de sacolas plásticas poupa os contribuintes da enorme quantidade de dinheiro que é gasta com a limpeza de lixo e protege o meio ambiente”, disse Leslie Tamminen, diretor da Clean Seas Coalition (“Coalizão Mares Limpos”) e Seventh Generation Advisors (“Conselheiros da Sétima Geração”).

“A SB 270 é uma grande vitória para toda a Califórnia. Temos visto localmente que as proibições de sacolas plásticas deixam a água mais limpa e saudável para a vida selvagem, mantendo o lixo fora de nossas praias e fora de nossos riachos. O sucesso das proibições de sacolas em nossas comunidades locais deu força aos legisladores estaduais a tomar a decisão certa para a saúde dos cursos d’água da Califórnia. A assinatura do governador Brown para esta proibição estadual é um momento importante para o nosso Estado, demonstrando que a Califórnia está novamente disposta a assumir a liderança em questões ambientais importantes”, disse David Lewis, o diretor-executivo da Save the Bay (“Salve a Baía”).

Para o texto completo do projeto de lei, visite: http://leginfo.ca.gov/bilinfo.html.

 

Microesferas de plástico: um grande problema no rio Los Angeles

As minúsculas esferas de plástico, comuns em produtos de higiene pessoal e não biodegradáveis, são uma preocupação emergente entre os cientistas e ambientalistas

© Los Angeles Times

© Los Angeles Times

Por Louis Sahagun, Los Angeles Times
25 de janeiro de 2014, 10:00
Traduzido por Natalie Andreoli, Global Garbage Brasil

O cientista Marcus Eriksen entrou no turvo rio Los Angeles na sexta-feira e mergulhou uma rede na água, à procura de um problema.

Eriksen estava procurando por “microesferas”, pedaços de plástico do tamanho de grãos de sal que absorvem toxinas, tais como o óleo de motor e inseticidas, à medida que correm rio abaixo e em direção ao Oceano Pacífico.

As minúsculas esferas de polietileno e polipropileno são uma preocupação emergente entre os cientistas e ambientalistas. As esferas são provenientes principalmente de produtos de higiene pessoal, como esfoliantes faciais e produtos para ducha/banho. No entanto, elas não são biodegradáveis, e, pelo fato de não serem removidas facilmente por estações de tratamento de esgoto, escorrem para o mar e entram na cadeia alimentar.

“O microplástico é agora o principal contaminante no Oceano Pacífico – e mares ao redor do mundo”, disse Eriksen, um cientista do 5 Gyres Institute (“Instituto 5 Giros”), uma organização sem fins lucrativos dedicada à pesquisa de plásticos nos cursos d’água do mundo. “Acreditamos que 80% do microplástico seja proveniente de bacias hidrográficas costeiras, como Los Angeles.”

Eriksen está apenas começando a analisar o Rio Los Angeles para determinar se ele contém microesferas, e, se houver, qual a sua fonte. Na sexta-feira, ele encontrou o que estava procurando em cerca de 10 minutos.

Perto da confluência do rio Los Angeles e do rio Arroyo Seco, cerca de cinco quilômetros ao norte do centro da cidade, Eriksen encontrou algumas algas e sanguessugas se contorcendo, cobertas por pequenos filamentos, cacos e esferas que poderiam ter vindo de inúmeras fontes: águas residuais de lavanderia, sacolas plásticas degradadas, mexedores de plástico, produtos de higiene pessoal.

“O mais assustador é que as esferas absorvem toxinas, em seguida, são consumidas por organismos como mariscos até caranguejos e peixes”, e depois são consumidas por humanos, disse ele.

Os cientistas estão apenas começando a entender os perigos resultantes da poluição por microplásticos nos oceanos do mundo e nos cursos d’água interiores. Em 2012, Eriksen e uma equipe de pesquisadores descobriram grandes quantidades de microesferas e outras formas de poluição por microplástico nos Grandes Lagos. Essas descobertas levaram a formação de uma coalizão dos prefeitos das cidades dos Grandes Lagos para pedir à U.S. Environmental Protection Agency (Agência de Proteção Ambiental dos EUA) para determinar os possíveis riscos à saúde dos ecossistemas lacustres e dos seres humanos.

Um ano depois, o 5 Gyres Institute lançou uma campanha pedindo aos fabricantes de produtos de higiene pessoal para remover as microesferas plásticas e substituí-las por alternativas sem plástico, como cascas de nozes trituradas e sementes de damasco, que se degradam naturalmente. Várias empresas concordaram em eliminar gradualmente as microesferas de suas linhas de produtos.

Em um comunicado, a Johnson & Johnson Family of Consumer Companies, por exemplo, disse que “parou de desenvolver novos produtos contendo microesferas de polietileno.” A empresa espera que, até 2015, já tenha substituído as microesferas por outras alternativas, em metade dos produtos que as utilizam atualmente.

Isso ainda não é suficiente para o 5 Gyres, que está circulando uma petição intitulada “Get plastic off my face and out of my water now!” (Remova o plástico do meu rosto e da minha água agora!)

Em pé, no rio, Eriksen demonstrou o problema. Ele espremeu várias gotas do esfoliante facial Clean and Clear da Johnson & Johnson em um pequeno frasco cheio de água, em seguida, agitou o frasco e filtrou a mistura espumosa através de uma camiseta preta.

No tecido ficaram retidas centenas de minúsculas esferas de plástico brancas, rosas e azuis. “Estimamos que existam cerca de 330.000 microesferas por tubo”, disse ele.

A fonte das esferas que estão sendo carregadas pelo rio Los Angeles ainda é desconhecida. Em tempo chuvoso, o rio retém grandes quantidades de escoamentos de toda a região. Mas na atual seca, 80% do fluxo vem da Donald C. Tillman Water Reclamation Plant (Estação de Tratamento de Efluentes para Reuso de Água), que fica a aproximadamente 19 quilômetros a montante do local de pesquisa de Eriksen, e trata o esgoto das casas dos 800.000 moradores de San Fernando Valley. Os outros 20% vem de inúmeras fontes na área.

Jimmy Tokeshi, um porta-voz do Los Angeles Department of Public Works (Departamento de Obras Públicas de Los Angeles), manifestou que as microesferas não estão vindo da estação de tratamento, a qual envia o esgoto através de uma série de tanques de retenção, digestores, filtros e sanitizantes antes de liberar a água tratada para o rio, a uma taxa de até 102 milhões de litros por dia.

“A cidade de Los Angeles cumpre e/ou excede todos os requisitos da Clean Water Act (Lei da Água Limpa), bem como todos os regulamentos locais, regionais e estaduais de água”, disse Tokeshi. Usando filtros de pano, “Captamos microplásticos que são maiores em tamanho do que 10 mícrons, ou 0,01 milímetros, na Estação de Tratamento de Efluentes para Reuso de Água”, disse ele.

A maioria dos lixos plásticos visíveis que Eriksen encontrou eram muito maiores do que 10 mícrons de tamanho.

Eriksen disse que ainda não sabe qual a origem das esferas. Mas ele disse que suas redes não mentem.

“Usando uma rede de apenas 60 centímetors de largura, por 10 minutos, em um córrego de poucas centenas de metros de diâmetro, capturei dezenas de pedaços de plástico”, disse ele. “Então, é fácil extrapolar que milhões de partículas plásticas fluem através desse canal diariamente.”

Ele virou para olhar rio abaixo, e, acenando com as mãos enlameadas, declarou: “Isso é um problema.”

louis.sahagun@latimes.com

Clique aqui para assistir ao vídeo

Novo vídeo da Seas At Risk destaca os desafios do lixo plástico

A Seas At Risk (Mares em Risco) encomendou um novo vídeo para destacar os desafios apresentados aos nossos mares e oceanos pela nossa sociedade do desperdício e do consumo interminável de plástico

Seas At Risk
Traduzido por Natalie Andreoli, Global Garbage Brasil

Os elevados níveis de consumo da nossa sociedade e a dependência de plásticos de uso único está fazendo com que grandes quantidades de plástico entrem em nossos mares. Todos os tipos de efeitos indesejáveis estão sendo descobertos por pesquisadores, incluindo plásticos que atuam como ímãs para produtos químicos tóxicos, sendo então engolidos pela vida marinha. Devemos agir agora para evitar que mais nenhum plástico chegue aos oceanos. Há muitas maneiras de fazer isso e cada pessoa pode fazer alterações simples em suas vidas para reduzir o seu impacto, mas também precisamos de leis para garantir a ação dos governos europeus.

2014 é o ano em que a Comissão Europeia revisa suas diversas políticas de resíduos, incluindo a Diretiva-Quadro de Resíduos. Isso significa que temos uma oportunidade de reconhecer a gravidade do lixo marinho e dar grandes passos para reduzir o lixo e melhorar a forma como ele é gerenciado. Vamos mostrar aos legisladores o quanto nos preocupamos com nossas belas praias e mares: curta e compartilhe este vídeo, usando a hashtag #marinelitter e vamos chamar a atenção sobre o problema dos plásticos em nossos mares!

Condado do Havaí vai começar a proibir sacolas plásticas

© Shutterstock.com

© Shutterstock.com

HuffPost Green
Publicado: 31/12/2013 14:37 EST | Atualizado: 23/01/2014 08:17 EST
Traduzido por Natalie Andreoli, Global Garbage Brasil

Imagine um futuro onde infinitas esferas de plástico (originadas de sacolas plásticas) não são levadas pelo ralo da pia da cozinha, onde a ideia de um “suporte para guardar sacolas plásticas” é tão esquisita como um rack para CD e onde essa famosa cena no filme “Beleza Americana” motiva as crianças a perguntar aos seus pais sobre como era no tempo em que havia poluição por sacolas plásticas.

Para o Havaí, tal futuro está muito próximo. Todos os quatro condados povoados no Havaí aprovaram uma lei que proíbe sacolas plásticas nos caixas, tornando-se o primeiro estado do país a aprovar tal proibição. (Há um quinto condado no Havaí, chamado de Kalawao, mas é muito remoto e pouco povoado.) Na Big Island (“Ilha Grande”), onde, no último ano, os consumidores pagaram por sacolas plásticas no momento de finalizarem suas compras, a proibição começa oficialmente em 17 de janeiro de 2014 em supermercados, restaurantes e varejistas.

Os consumidores podem optar por sacos de papel ou trazer suas próprias sacolas reutilizáveis. As sacolas plásticas ainda estarão disponíveis para os itens a granel, como nozes, peixe, carne, grãos e produtos frescos.

As ilhas de Kauai e Maui já aplicam essa proibição e a ilha mais povoada, Oahu, está prevista para se juntar a elas em julho de 2015.

“Sendo um estado marinho, talvez, estamos expostos mais diretamente aos impactos da poluição por plástico e os danos que eles causam ao nosso meio ambiente“, disse Robert Harris, diretor da Sierra Club Hawaii Chapter, em 2012. “As pessoas no Havaí estão mais propensas a ficarem dentro d’água ou ao ar livre e verem as ervas daninhas dos tempos modernos – as sacolas plásticas – no meio ambiente.”

De acordo com a Surfrider Foundation (“Fundação dos Surfistas”), o sucesso desta ação no Havaí surgiu de seus movimentos locais, de base. A proibição em todo o estado, segundo eles, “não foi feita pelo legislativo estadual, mas sim pelos quatro Conselhos dos Condados.”

A Fundação também observa que a proibição de sacolas plásticas é apenas o primeiro passo: se o estado decretasse uma taxa para sacos de papel, isto reduziria ainda mais o uso de produtos descartáveis.

CORREÇÃO: Uma versão anterior deste artigo havia subestimado o número de condados no estado do Havaí.

Nota do Tradutor: Condado é uma divisão territorial existente na Inglaterra e nos EUA.

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County of Hawai‘i Plastic Bag Reduction Ordinance

© County of Hawai‘i Department of Environmental Management

© County of Hawai‘i Department of Environmental Management

Máquinas de lavar depositam microplásticos nas zonas costeiras ao redor do mundo

© Shutterstock.com

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UCD University Relations
24 de outubro de 2011
Traduzido por Mariana Coutinho Hennemann, Global Garbage Brasil

Da próxima vez que você lavar suas roupas, pense no meio ambiente. Não apenas na temperatura em que você lava as suas roupas, mas na contaminação das zonas costeiras por microplásticos – pedaços de poliéster e acrílico menores do que uma cabeça de alfinete – liberados de suas roupas durante o ciclo de lavagem.

De acordo com um estudo liderado pelo Dr. Mark Browne da School of Biology and Environmental Science (Escola de Biologia e Ciências Ambientais), do University College Dublin (Colégio Universitário de Dublin), Irlanda, mais de 1.900 fibras podem sair de uma única peça de roupa durante um ciclo de lavagem em máquina e acabar nas zonas costeiras.

As descobertas recentemente publicadas no periódico americano Environmental Science and Technology fornecem novas visões acerca das fontes, depósitos e caminhos dos microplásticos nos hábitats. Elas mostram que 18 zonas costeiras ao longo de seis continentes foram contaminadas por microplásticos.

Áreas onde os pesquisadores descobriram concentrações significativas de microplásticos

Áreas onde os pesquisadores descobriram concentrações significativas de microplásticos

Para investigar as principais fontes de contaminação por microplásticos nas praias, a equipe do Dr. Browne examinou locais de disposição de lodo de esgoto e efluentes de estações de tratamento de esgotos. Eles também lavaram roupas e cobertores sintéticos, e descobriram que eles liberam mais de 100 fibras por litro de efluente.

Descobriu-se que a proporção de fibras de poliéster e acrílico nas roupas era semelhante àquela nos efluentes em praias e locais de disposição de esgoto.

Isso, dizem os pesquisadores, sugere que a lavagem de roupas – ao invés da fragmentação de resíduos de plásticos ou produtos de limpeza – seria a principal fonte de lixo microplástico nas zonas costeiras.

“Nós mostramos que fibras de poliéster, acrílico, polipropileno, polietileno e poliamida contaminam as costas em uma escala global, com maiores concentrações em áreas densamente populadas e hábitats que recebem esgotos”, explica o Dr. Browne.

© Dr. Mark Browne, University College Dublin e Environmental Science and Technology

© Dr. Mark Browne, University College Dublin e Environmental Science and Technology

“À medida que a população humana cresce e as pessoas utilizam mais têxteis sintéticos, a contaminação de hábitats e animais por microplásticos tende a aumentar”, diz ele.

“Designers de roupas e máquinas de lavar deveriam considerar a necessidade de reduzir a liberação de fibras nas águas residuais”.

De acordo com o Dr. Browne e a equipe internacional de cientistas que conduziram o estudo, trabalhos são necessários urgentemente para determinar se os microplásticos podem ser transferidos do ambiente e se acumular nas cadeias tróficas através da ingestão.

“Em humanos, fibras de microplásticos quando inaladas são absorvidas pelos tecidos pulmonares e podem estar associadas a tumores, enquanto corantes dispersivos de fibras de poliéster e acrílico têm sido associados à dermatite”.

A equipe internacional incluiu cientistas do University College Dublin (Colégio Universitário de Dublin), Irlanda; da University of Sydney (Universidade de Sydney), Austrália; da University of Plymouth (Universidade de Plymouth), Reino Unido; e da University of Exeter (Universidade de Exeter), Reino Unido.

A pesquisa foi financiada pelo Leverhulme Trust (Reino Unido), pelo Centre for Research on Ecological Impacts of Coastal Cities (Centro de Pesquisa de Impactos Ecológicos de Cidades Costeiras) da University of Sydney (Universidade de Sydney), e pelo Hornsby Shire Council (Conselho de Hornsby Shire), Austrália.

Como são visualizados os fragmentos de microplásticos em um microscópio óptico © Dr. Mark Browne, University College Dublin e Environmental Science and Technology

Como são visualizados os fragmentos de microplásticos em um microscópio óptico
© Dr. Mark Browne, University College Dublin e Environmental Science and Technology

Artigo científico:

Accumulation of Microplastic on Shorelines Woldwide: Sources and Sinks” foi publicado no periódico americano Environmental Science and Technology.

Os autores incluem: Mark Anthony Browne, University College Dublin; Phillip Crump, University of Plymouth; Stewart J. Niven, University of Plymouth; Emma Teuten, University of Plymouth; Andrew Tonkin, Waters Canada, Ontario, Canada; Tamara Galloway, University of Exeter; e Richard Thompson, University of Plymouth.

Relatório – Grande quantidade de poluição por microplástico prejudica “minhocas do mar”

A ingestão de microplásticos por minhocas aquáticas poderia ter impacto sobre os ecossistemas oceânicos devido à sua importância para a cadeia alimentar

Minhocas aquáticas (Arenicola marina) são amplamente encontradas em todo o território do Atlântico Norte, vivendo em tocas na areia das praias. Foto: Alamy

Minhocas aquáticas (Arenicola marina) são amplamente encontradas em todo o território do Atlântico Norte, vivendo em tocas na areia das praias. Foto: Alamy

Jessica Aldred
theguardian.com, segunda-feira, 02 de dezembro de 2013 17:03 GMT
Traduzido por Natalie Andreoli, Global Garbage Brasil

Pequenos pedaços de lixo plástico ingeridos pelas minhocas marinhas estão prejudicando significativamente a saúde delas e terão um impacto mais amplo sobre os ecossistemas oceânicos, descobriram os cientistas.

As partículas de microplástico, medindo menos de 5mm de tamanho, vêm se acumulando nos oceanos desde 1960 e são agora a forma mais abundante de poluição por resíduos sólidos na Terra.

Dois estudos feitos no Reino Unido, publicados na revista Current Biology, analisaram se estes plásticos microscópicos, quase invisíveis, que se afundam na lama e areia em altas concentrações, estão causando danos a espécies na base da cadeia alimentar, que ingerem esse sedimento durante a alimentação e desempenham um papel ecológico fundamental como fonte de alimento para outros animais.

Usando a minhoca aquática como uma espécie indicadora, o primeiro estudo, da Universidade de Exeter, descobriu que as minhocas que se alimentam nos sedimentos oceânicos altamente contaminados comeram menos e tiveram níveis mais baixos de energia. O segundo estudo, da Universidade de Plymouth, estabeleceu, pela primeira vez, que ingerir microplásticos pode transferir poluentes e aditivos para as minhocas, reduzindo a saúde e a biodiversidade.

A ingestão de microplásticos por espécies na base da cadeia alimentar é um motivo de preocupação, pois pouco se sabe sobre seus efeitos até agora. Muitos outros organismos que têm um comportamento alimentar semelhante, tais como estrelas do mar, pepinos do mar e caranguejos (Uca pugnax), podem ser igualmente afetados.

As minhocas aquáticas são invertebrados comuns amplamente encontrados em todo o território do Atlântico Norte, vivendo em tocas na areia das praias. Elas comem partículas de areia, digerindo quaisquer microrganismos e nutrientes e passando a areia como resíduo através de suas caudas, ​​deixando um rastro característico ou um “trajeto” na praia. A minhoca pode formar cerca de 30% da biomassa de uma praia de areia média, tornando-a uma importante fonte de alimento para aves aquáticas e peixes.

As “minhocas do mar” prestam um outro importante serviço ao ecossistema, revirando grandes volumes de areia, repondo material orgânico e oxigenando as camadas superiores para manter o sedimento saudável para outros animais e microrganismos terem sucesso neste ambiente.

Os microplásticos podem ser feitos a partir de polietileno, tereftalato de polietileno, PVC ou poliestireno. Eles são pequenos demais para serem capturados através do processo de tratamento de esgoto existente e são levados direto para o oceano.

Pellets de plástico em pré-produção, ou 'nurdles' a barlavento  na Ilha South Sokos, Hong Kong. Fotografia: Alex Hofford/EPA

Pellets de plástico em pré-produção, ou ‘nurdles’ a barlavento na Ilha South Sokos, Hong Kong. Fotografia: Alex Hofford/EPA

Eles se dividem em três categorias: matéria-prima chamada “nurdles“, que é derretida para fazer itens de plástico maiores; ou  esferas esfoliantes em produtos cosméticos; ou pedaços maiores de plástico que se degradaram e se fragmentaram em partículas menores ao longo do tempo. Os microplásticos também são encontrados como fibras e têm sido identificados em tecidos sintéticos como o poliéster, que são usados ​​para fazer roupas,  que podem liberar até 1.900 minúsculas fibras por peça de roupa cada vez que são lavados.

Os microplásticos carregam uma mistura complexa de substâncias químicas que têm o potencial de prejudicar as minhocas, mostrou a pesquisa. Muitos materiais plásticos contêm aditivos químicos, tais como plastificantes, corantes e agentes antimicrobianos, que podem lixiviar nos sedimentos e na água do mar. Os microplásticos também concentram em suas superfícies substâncias químicas transmitidas pela água, como pesticidas e detergentes.

Tem havido muita campanha sobre o impacto da grande poluição marinha por plástico, com exemplos amplamente documentados de aprisionamento, ingestão e sufocamento de peixes e aves. Porém, partículas desse tamanho microscópico estão disponíveis para uma gama muito mais ampla de organismos marinhos, que ingerem e retêm essas pequenas partículas de plástico e servem como presa para espécies maiores.

O primeiro estudo, por Stephanie Wright, da Universidade de Exeter, colocou minhocas em tanques de laboratório com diferentes níveis de contaminação por plásticos por um período de até um mês, medindo o seu crescimento, fisiologia, sobrevivência e capacidade de ganhar peso. Ela descobriu que as minhocas aquáticas que se alimentavam de sedimentos que estavam altamente contaminados com microplásticos tinham menos peso do que minhocas em sedimentos limpos e  menos energia para investir em processos-chave, tais como crescimento e reprodução. Esses efeitos podem fazer com que as populações diminuam, com efeitos negativos para os predadores, constatou o artigo.

A alimentação reduzida também significa que o sedimento está sendo menos trabalhado, constatou a pesquisa. A qualidade do sedimento pode baixar, levando a um declínio nas comunidades que vivem nele. Wright disse: “Se as minhocas em ambientes contaminados reduzissem os níveis de alimentação para uma quantidade comparável à observada no laboratório, isto significaria muito menos movimento de sedimentos. Em uma área do tamanho do Mar de Wadden, por exemplo, o movimento do sedimento poderia cair por mais de 130.000 litros por ano”.

“Acreditamos que nosso estudo evidenciou a necessidade de reduzir a quantidade de resíduos de plástico e, portanto, de microplásticos que entram em nossos mares”, diz a Professora Tamara Galloway, da Universidade de Exeter. “Os plásticos são materiais extremamente benéficos. No entanto, se a poluição marinha por plásticos continuar a aumentar, os impactos tais como aqueles demonstrados em nossos estudos de laboratório poderiam ocorrer no ambiente natural. Por isso, é importante que nós evitemos o acúmulo de lixo plástico e microplástico em habitats marinhos, através de melhores práticas de manejo de resíduos e escolhas mais inteligentes nos materiais que usamos.”

Um outro relatório, do Dr. Mark Anthony Browne, sobre o trabalho realizado na Universidade de Plymouth, mostrou que microplásticos podem transferir substâncias químicas nocivas para as minhocas aquáticas, incluindo hidrocarbonetos, antimicrobianos e retardadores de chama. Devido ao seu papel como uma espécie de presa, as minhocas aquáticas poderiam passar esses produtos químicos na cadeia alimentar para predadores de topo, como peixes.

“Esses produtos químicos são persistentes, o que significa que podem se acumular nos tecidos dos organismos e levar muito tempo para se fragmentarem”, disse o professor Richard Thompson da Escola de Ciência e Engenharia Marinha da Universidade de Plymouth, que foi o líder do projeto para o estudo. “Nossos estudos de laboratório fornecem a primeira evidência clara de que os microplásticos poderiam causar danos e mostra que isso pode resultar tanto da presença física de plástico ingerido quanto da transferência de produtos químicos. Nossos próximos passos serão estabelecer todas as implicações desses resultados para organismos em habitats naturais.”

Microesferas de plástico poluem os Grandes Lagos da América do Norte

Empresas se comprometem a remover minúsculas esferas esfoliantes de polietileno dos produtos de higiene pessoal

MINÚSCULAS ESFERAS Um cientista filtrou minúsculas esferas de plástico, mostradas nos frascos, de cada um desses produtos de limpeza de pele. A Johnson & Johnson, fabricante destes três produtos, está eliminando o uso de microesferas de polietileno em seus produtos de higiene pessoal. Crédito: Cortesia do 5 Gyres Institute

MINÚSCULAS ESFERAS
Um cientista filtrou minúsculas esferas de plástico, mostradas nos frascos, de cada um desses produtos de limpeza de pele. A Johnson & Johnson, fabricante destes três produtos, está eliminando o uso de microesferas de polietileno em seus produtos de higiene pessoal.
Crédito: Cortesia do 5 Gyres Institute

Por Cheryl Hogue
Chemical & Engineering News
Volume 91 Edição 37 | pp 23-25
Data de Emissão: 16 de setembro de 2013
Traduzido por Natalie Andreoli, Global Garbage Brasil

Uma variedade de produtos de limpeza de pele no mercado prometem esfoliar e desobstruir os poros. Alguns desses produtos de esfoliação contêm pequenas esferas de plástico dispersas em um gel ou uma pasta cremosa. Após a lavagem com esses produtos de limpeza, os consumidores enxaguam a área tratada – juntamente com suas minúsculas esferas – por ralo abaixo, não tendo nem sequer uma ideia do que acontece com os pedaços de plástico, que são menores do que 1 mm de diâmetro.

Recentemente, os pesquisadores estão encontrando microesferas plásticas nos Grandes Lagos. Eles dizem que as minúsculas esferas podem prejudicar animais aquáticos, que as confundem com alimento. Talvez mais preocupante, eles temem que as esferas de plástico possam ajudar a transferir poluentes tóxicos dos Grandes Lagos para a cadeia alimentar, incluindo os peixes que as pessoas comem.

Embora os estudos desses cientistas ainda não estejam publicados, os dados a partir deles, que documentam a presença de microesferas nos Grandes Lagos, têm sido compartilhados com empresas que fazem produtos de higiene pessoal que contenham as esferas. E essas empresas estão respondendo.

Os pesquisadores que estão coletando e analisando as informações sobre plásticos nos Grandes Lagos incluem um químico da SUNY Fredonia e cientistas do Instituto 5 Gyres (“5 Giros”), uma organização que luta em favor do meio ambiente, trabalhando para reduzir a poluição por plástico. Stiv J. Wilson, diretor de políticas do Instituto 5 Gyres, diz que sua organização forneceu os dados para as empresas americanas que fazem produtos de limpeza de pele ou outros produtos de higiene pessoal que contêm microesferas plásticas. A Johnson & Johnson (J&J), L’Oréal e Procter & Gamble (P&G) se comprometeram nos últimos meses a eliminar progressivamente as esferas de polietileno de seus produtos de limpeza de pele.

Mas essas empresas não foram as primeiras fabricantes de produtos de higiene pessoal a dar esse passo. Quem liderou esse movimento foi a Unilever, com sede no Reino Unido. Sob pressão de ativistas ambientais europeus, a Unilever, em dezembro de 2012, anunciou que estaria trabalhando para eliminar as microesferas de plástico nos próximos três anos. Enquanto isso, o Instituro 5 Gyres diz que a Colgate-Palmolive também se comprometeu a eliminar gradualmente as microesferas dos cremes dentais e outros produtos, mas a empresa não respondeu no prazo da C&EN para confirmar isso. Em declarações que anunciaram ou confirmaram a eliminação de microesferas de plástico, a J&J, a L’Oréal, a P&G e a Unilever não dizem o motivo ou quando, inicialmente, decidiram adicionar esferas de plástico em produtos destinados a serem liberados na água.

A descoberta de microesferas nos Grandes Lagos começou com um palpite de um químico ambiental. Cada vez mais estudos têm documentado a presença de grandes quantidades de plástico nos oceanos do mundo, aponta  Sherri (Sam) Mason, professora associada de química na SUNY Fredonia. “Se nós os encontramos nos oceanos, provavelmente iremos encontrá-los na região dos Grandes Lagos”, diz ela à C&EN.

Ela fazia parte de uma equipe de pesquisadores formada no verão de 2012 para investigar essa premissa. No trabalho financiado pela Burning River Foundation (“Fundação Rio Ardente”), uma organização sem fins lucrativos de Ohio, que foca na proteção dos recursos aquáticos, eles viajaram pelos lagos: Superior, Huron e Erie para coletar amostras das águas superficiais. Para fazer isso, eles fixaram uma rede com malha de 0,33 mm à embarcação.

Os pesquisadores, então, dividiram os plásticos que coletaram em três grupos, de acordo com a maior dimensão, diz Mason. Um grupo consiste em pedaços maiores do que 5 mm. O segundo é composto de partículas entre 1 e 5 mm. A terceira categoria, os microplásticos, são pedaços com menos de 1 mm na sua maior dimensão e tão pequenos quanto 0,355 mm. Mason está focada em estudar esse último grupo.

Cada pedaço de microplástico coletado em 2012 – havia milhares – foi examinada usando um microscópio eletrônico de varredura e espectroscopia de raios-X de energia dispersiva, diz Mason. “Este é um trabalho cansativo”, ela observa. Alguns dos pequenos pedaços são fragmentos irregulares de pedaços maiores de plástico. Porém, a maioria deles é esférico, sugerindo que eles foram liberados no meio ambiente como grânulos (pellets), diz ela. Além do mais, muitos deles são do mesmo tamanho e cor, incluindo branco, azul, verde ou vermelho-alaranjado, como as pequenas esferas utilizadas em uma série de produtos de higiene pessoal, diz Mason.

A análise da coleta de plásticos de 2012 nos lagos está descrita em um artigo submetido ao Marine Pollution Bulletin (Boletim de Poluição Marinha). De acordo com Wilson, que é um coautor, o artigo seria o primeiro a documentar a poluição por grânulos plásticos (pellets) nos Grandes Lagos.

Dos plásticos coletados durante as viagens de investigação em 2012, cerca de 80% dos fragmentos são menores do que 1 mm de tamanho, diz Mason. Embora a quantidade em cada amostra tenha variado amplamente em todos os lagos estudados, os pesquisadores estimaram que encontraram uma concentração relativamente baixa de microplásticos no Lago Superior, que tem a bacia hidrográfica menos densamente povoada dos Grandes Lagos. A densidade de microplásticos encontrada na superfície do Lago Superior foi, em média, cerca de 2.400 partículas por km2. No outro extremo do espectro, a superfície do Lago Erie teve a maior densidade, com média de em torno de 80.000 partículas de microplástico por km2. A bacia hidrográfica do Lago Erie tem o maior número de pessoas e indústrias dos Grandes Lagos e isso pode ajudar a explicar seus números mais elevados de partículas de plástico, diz Mason.

A circulação de água através do sistema dos Grandes Lagos também pode ser um fator influenciando na densidade de fragmentos de microplástico na superfície, Mason ressalta. A água dos lagos Superior, Michigan e Huron eventualmente se move através do Lago Erie no caminho para o Oceano Atlântico. Isso significa que os plásticos perto da superfície desses três lagos poderiam mover-se com a água que faz a sua viagem para o mar. O Lago Erie drena através das cataratas do Niágara para o Lago Ontário, que deságua no rio São Lourenço e esse canal flui para o Atlântico. Os pesquisadores coletaram plásticos no Lago Ontário pela primeira vez no verão de 2013, e esses pedaços estão sendo examinados minuciosamente agora.

O estudo das amostras de 2012 não inclui a identificação do tipo de plástico ou plásticos nas esferas, diz Mason. Mas as partículas coletadas no verão de 2013, nos Lagos Erie, Ontário e Michigan, em um esforço financiado pela Illinois-Indiana Sea Grant e Burning River Foundation, passarão por análises para determinar as suas composições químicas, acrescenta.

A descoberta de microesferas nos Grandes Lagos tem levantado muitas questões para futuras pesquisas.”Eu tenho muitas perguntas que quero investigar”, disse Mason, acrescentando que ela está colaborando com uma série de outros cientistas para procurar respostas.

Por exemplo, os pesquisadores estão planejando experimentos para determinar se as estações de tratamento de esgoto liberam minúsculas esferas de plástico, diz Mason. Especificamente, ela e os seus colaboradores estão se preparando para estudar amostras de efluentes de estações que são despejadas nos Lagos Erie e Ontário, para verificar a presença de microplásticos.

Porém, pelo menos um fabricante de produtos de higiene pessoal descarta essa possibilidade. Em uma declaração sobre a eliminação de microesferas, a J&J diz: “Até o momento, a ciência mostra que as microesferas de produtos de higiene pessoal são removidas em sistemas de tratamento de águas residuais.”

A afirmação da J&J é novidade para a National Association of Clean Water Agencies (Associação Nacional de Agências de Água Limpas), que representa as estações de tratamento de esgoto de propriedade pública. A associação classifica as minúsculas esferas de plástico, que são desenhadas para se serem levadas pelos canos de esgoto, como um contaminante emergente, diz Chris Hornback, diretor sênior de assuntos regulatórios da associação. Os contaminantes emergentes são materiais que entram nas águas residuais, como produtos farmacêuticos, que as instalações de tratamento de esgotos não são projetadas para remover ou decompor.

Usando a tecnologia desenvolvida nas décadas de 1950 e 1960, as estações de tratamento de águas residuais dependem principalmente da ação da gravidade e microorganismos para eliminar biossólidos e outros resíduos da água antes dela ser desinfetada e liberada em rios ou lagos, diz Hornback. Mason ressalta que muitas estações de tratamento adicionam agentes floculantes para ajudar a remover materiais sólidos das águas residuais. Porém, pedaços de plástico não tendem a flocular e, portanto, não são susceptíveis de serem capturados durante o tratamento, diz ela. As microesferas de plástico tendem a flutuar e, assim, são susceptíveis a fluir com as águas residuais tratadas para ambientes aquáticos, diz Hornback à C&EN.

Além disso, outra pesquisa está focada em saber se os minúsculos grânulos de plástico retirados da superfície estão entrando na cadeia alimentar, diz Mason. Os cientistas coletaram amostras de peixes do lago durante suas viagens de investigação neste verão e irão analisar o conteúdo de seus estômagos para a presença de plásticos.

Pequenos peixes e zooplâncton podem estar se alimentando de microplásticos porque as partículas são aproximadamente do mesmo tamanho que o alimento deles. Se esses animais estiverem ingerindo as partículas, o plástico pode interferir na absorção de nutrientes ou até mesmo obstruir fisicamente suas vísceras, explica Mason.

Há uma outra preocupação também. Os pesquisadores estão preocupados que substâncias tóxicas persistentes encontradas nos Grandes Lagos, como bifenilas policloradas (PCBs), podem adsorver ao plástico e serem liberadas nos corpos de animais aquáticos que ingerem as minúsculas partículas. O plástico pode servir como um veículo para as substâncias tóxicas moverem-se para dentro dos peixes e, em seguida, para aqueles que os comem, incluindo os seres humanos e aves, diz Mason. Wilson salienta que as microesferas têm uma grande razão superfície/volume, uma característica explorada em equipamentos de laboratório em que as microesferas são usadas ​​para separar materiais ou moléculas. Isso poderia fazer com que as esferas de plástico encontradas nos Grandes Lagos fossem eficientes veículos de poluentes tóxicos, diz ele.

Olhando para a questão da contaminação por microesferas a partir de uma perspectiva maior, Wilson diz que toda a poluição por plástico nos oceanos e lagos é um problema. Mas a adição de minúsculas esferas plásticas em produtos de higiene pessoal destinados a ir para o ralo e para o meio ambiente é “notória”, diz ele. Isso reflete a falta de análise do ciclo de vida, que é a chave para a sustentabilidade, continua ele. Diante disso, as campanhas dos ativistas ambientais contra o uso de minúsculas esferas em produtos de higiene pessoal apresentaram às empresas “um pesadelo muito sério de relações públicas”, afirma Wilson. “Eles reconhecem que isso é indefensável”.

A Unilever anunciou a eliminação de minúsculas esferas de plástico em produtos de higiene pessoal sob pressão da Plastic Soup Foundation (Fundação Sopa de Plástico), uma organização que luta em favor do meio ambiente, com sede na Holanda, que visa reduzir a quantidade de plástico no oceano. A Unilever aponta em sua declaração: “A quantidade de plástico no ambiente marinho que se acredita que seja originada da utilização de esferas de plástico esfoliantes em produtos de higiene pessoal é considerada limitada em comparação com outras fontes.” Porém, considerando a crescente quantidade e impacto potencial desses fragmentos de plástico, a Unilever planeja completar sua eliminação mundial de microesferas em 2015. A empresa diz que está “explorando alternativas adequadas que melhor podem corresponder à experiência sensorial que as esferas esfoliantes de plástico proporcionam”.

Assim como a Unilever, a J&J fez a sua declaração anunciando a eliminação de microesferas de polietileno, no contexto da poluição marinha por plástico. “As prováveis ​​fontes de microplásticos nos oceanos são a partir da fragmentação das garrafas e sacos plásticos descartados”, diz a J&J. Levando em conta as preocupações dos consumidores, ela diz: “Nós queremos que nossos produtos de beleza e de cuidados para bebês reflitam as necessidades atuais e futuras dos consumidores, para que eles sempre tenham tranquilidade ao usar nossos produtos”. A empresa diz que está avaliando a segurança ambiental de “uma alternativa promissora” para as esferas de polietileno.

A L’Oréal, uma terceira empresa que está eliminando as microesferas, possui a The Body Shop, uma marca de produtos de higiene pessoal considerada como social e ambientalmente consciente. Wilson diz que a 5 Gyres encontrou microesferas nos itens da The Body Shop. A L’Oréal afirma que “está comprometida em garantir que todos os nossos produtos tenham o melhor perfil ambiental” e realiza pesquisas sobre os impactos de seus itens sobre os ecossistemas aquáticos. A L’Oréal diz que não vai desenvolver novos produtos utilizando microesferas de polietileno como esfoliantes e “a empresa favorece a substituição deles em suas fórmulas existentes, sempre que possível.”

Uma porta-voz da P&G disse à C&EN que sua empresa vai substituir as microesferas de polietileno “assim que alternativas estiverem disponíveis e sua conformidade esteja absolutamente comprovada”. A empresa pretende eliminar gradualmente as esferas em nível global ao longo dos próximos anos, com a eliminação completa o mais tardar em 2017.

À medida que essas empresas trabalham para acabar com a utilização de microesferas, a pressão dos consumidores sobre as empresas para eliminar progressivamente as minúsculas esferas de plástico em produtos de higiene pessoal está pronta para crescer em todo o mundo.

A Plastic Soup Foundation oferece um aplicativo para smartphones chamado “Beat the Microbead” (“Combata as microesferas”). Com isso, os consumidores podem escanear o código de barras de um produto e saber se ele contém as minúsculas esferas de plástico. O aplicativo conta com um banco de dados que o grupo montou através da compra de dezenas de produtos de higiene pessoal e verificação deles para a presença de microesferas. Wilson ressalta que determinar se um produto contém microesferas pode ser feito facilmente diluindo o produto e passando-o através de um filtro de café, para capturar quaisquer grânulos.

O aplicativo foi desenvolvido inicialmente para o mercado europeu. Maria Westerbos, diretora da Plastic Soup, disse à C&EN que o grupo vai lançar uma versão do aplicativo gratuito expandida, mais global, no início de outubro.

A esperança de Wilson é que as esferas de microplástico intencionalmente adicionadas aos produtos de higiene pessoal, em breve tornem-se uma coisa do passado. Ele diz: “Este é um exemplo de um projeto mal feito e um problema solucionável”.

Coletar e examinar

Pesquisadores retiraram fragmentos de microplástico, incluindo esferas brancas e azuis, das superfícies dos Grandes Lagos (acima). Dezenas de esferas podem cobrir a cabeça de Abraham Lincoln em uma moeda de um centavo de dólar (centro). A micrografia eletrônica de varredura mostra a desagregação de uma microesfera com o tempo, na região dos Grandes Lagos (abaixo).

Esta é uma foto de uma rede afixada ao navio que coleta plástico nos Grandes Lagos. Crédito: Cortesia do 5 Gyres Institute

Esta é uma foto de uma rede afixada ao navio que coleta plástico nos Grandes Lagos.
Crédito: Cortesia do 5 Gyres Institute

Esta é uma foto que mostra partículas de plástico com menos de 1 mm, incluindo esferas de plástico, sobre o Presidente Lincoln, em uma moeda de um centavo de dólar. Crédito: Cortesia do 5 Gyres Institute

Esta é uma foto que mostra partículas de plástico com menos de 1 mm, incluindo esferas de plástico, sobre o Presidente Lincoln, em uma moeda de um centavo de dólar.
Crédito: Cortesia do 5 Gyres Institute

Micrografia Eletrônica de Varredura que mostra microesferas de plástico desagregadas, em função da ação do tempo, coletadas nos Grandes Lagos. Crédito: Cortesia do 5 Gyres Institute

Micrografia Eletrônica de Varredura que mostra microesferas de plástico desagregadas, em função da ação do tempo, coletadas nos Grandes Lagos.
Crédito: Cortesia do 5 Gyres Institute


Nota do tradutor: C&EN – Chemical & Engineering News (Notícias de Química e Engenharia) é uma revista semanal publicada pela American Chemical Society (Sociedade Americana de Química), que fornece informação técnica e profissional nas áreas de química e engenharia química.

EPA estudará os perigos do lixo plástico em ilha remota no Havaí

© NOAA Marine Debris Program

© NOAA Marine Debris Program

Por Tony Barboza
Los Angeles Times
19 de novembro de 2013, 10:03
Traduzido por Mariana Coutinho Hennemann, Global Garbage Brasil

A Agência de Proteção Ambiental (EPA) americana irá estudar uma ilha remota utilizada como pista de decolagem no noroeste das Ilhas Havaianas, que frequentemente recebe lixo plástico, o que é o primeiro passo para eventualmente colocar o local na lista de localidades mais perigosas do país.

Em uma carta a um grupo ambientalista, a agência disse que irá estudar a Ilha de Tern, parte de um atol de recifes de corais a cerca de 550 milhas (~885 Km) a noroeste de Honolulu, que serve como local de nidificação para milhares de aves marinhas.

A decisão foi tomada em resposta a uma petição preenchida no ano passado pelo “Center for Biological Diversity” (Centro para a Diversidade Biológica). O grupo solicitou à EPA estudar uma extensão de 1.200 milhas (~1.931 Km) no noroeste das Ilhas Havaianas e parte do chamado Pacific Garbage Patch (Mancha de Lixo do Pacífico), como um local que faz parte do fundo fiducidário* devido à quantidade de lixo plástico que flutua nas correntes oceânicas e é levado à costa.

“Esse foi um grande pedido”, disse Emily Jeffers, uma advogada do Center for Biological Diversity. Mas ela disse que a decisão da agência de estudar a Ilha de Tern foi “um primeiro passo extremamente importante para compreender os perigos que a poluição por plásticos causa à vida selvagem”.

Uma tempestade danificou um quebra-mar ao redor da Ilha de Tern no ano passado, expondo um aterro com equipamentos elétricos descartados que poderiam conter PCBs tóxicos e outros contaminantes, de acordo com a EPA.

“A EPA pretende avaliar liberações potenciais e observadas de substâncias tóxicas da Ilha de Tern, incluindo substâncias perigosas que se incorporamao lixo plástico marinho na superfície da água dos arredores da ilha”, escreveu o administrador regional da EPA, Jared Blumenfeld, na carta de 14 de novembro para o grupo.

Blumenfeld escreveu que a área também “apresenta uma oportunidade cientificamente significativa para avaliar o impacto toxicológico potencial da ingestão de lixo marinho plástico sobre receptores altamente sensíveis”.

Um porta-voz da EPA caracterizou o estudo, denominado como uma avaliação preliminar, como um esforço de coleta de dados inicial para determinar se o local ameaça a saúde humana ou do meio ambiente. Somente se for categorizado como altamente perigoso e preencher diversos outros requisitos, o local será colocado na lista de localidades para o fundo fiducidário nacional.

“A designação ao fundo fiducidário está longe”, disse Dean Higuchi, um assessor de imprensa da EPA da região sudoeste do Pacífico. “Este é um primeiro passo no caminho”.

O Center for Biological Diversity solicitou o estudo devido à grande quantidade de lixo flutuante que chega às praias das ilhas do noroeste do Havaí, após viajarem em lentas correntes oceânicas. Aves, peixes e mamíferos marinhos podem ser aprisionados no lixo e ingerir pedaços de plásticos e químicos tóxicos.

O grupo também pediu que a EPA estude a Mancha de Lixo do Pacífico, uma grande concentração de lixo, petrechos de pesca abandonados e minúsculas partículas de lixo que ficam girando em redemoinho, algumas vezes descrita como uma “sopa de plásticos”.

A Ilha de Tern e seus recifes formam uma das maiores colônias tropicais de aves marinhas do mundo e fornecem hábitat para a foca monge do Havaí (Monachus schauinslandi) em perigo de extinção e as ameaçadas tartarugas verdes do Havaí.

A ilha de 10,52 ha (~0,1 Km²) foi utilizada como pista de pouso naval durante a Segunda Guerra Mundial e, mais tarde, como uma estação da Guarda Costeira americana. O U.S. Fish and Wildlife Service (Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos E.U.A.) operou uma base de campo lá até ela ser danificada por uma tempestade no ano passado.

tony.barboza@latimes.com
Twitter: @tonybarboza

*N.T. Superfund – fundo fiducidário estabelecido em 1980 para financiar a despoluição de áreas altamente poluídas (E.U.A.).