Sobre lixo marinho e a Irlanda

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Falando sobre o lixo marinho ingerido por aves marinhas com a repórter Mariane Salerno

por Heidi Acampora, da ABLM – Associação Brasileira do Lixo Marinho

02 de Fevereiro de 2015

Recentemente tive a oportunidade de dar uma entrevista no programa na TV Globo “Como será?” e falar um pouco da pesquisa sobre lixo marinho no meu doutorado, e a vida na Irlanda. O programa foi ao ar no dia 31 de Janeiro e está disponível online.

Confira o video no link Irlanda: Rota de Estudantes

 

Lixo Marinho é abordado no Congresso Brasileiro de Oceanografia (CBO’2014)

Cartaz de divulgação do CBO'2014. © Comissão Organizadora do CBO'2014

Cartaz de divulgação do CBO’2014. © Comissão Organizadora do CBO’2014.

por Natalie Andreoli, da ABLM – Associação Brasileira do Lixo Marinho
10 de novembro de 2014

Entre os dias 25 a 29 de outubro de 2014 foi realizado na cidade de Itajaí, Estado de Santa Catarina, Brasil, a sexta edição do Congresso Brasileiro de Oceanografia (CBO’2014), organizado pela Associação Brasileira de Oceanografia – AOCEANO em parceria com o Curso de Oceanografia da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI.

Este é o evento técnico-científico mais importante na área das ciências do mar do Brasil e contou com a participação de aproximadamente 2.000 congressistas e uma diversificada programação, incluindo quatro conferências internacionais, 21 sessões temáticas, 14 palestras, 32 minicursos e a apresentação de 996 trabalhos científicos, nas formas de painéis e orais.

O lixo marinho esteve presente entre os diversos assuntos abordados no Congresso, tanto nas apresentações orais, como na forma de painéis. Foram apresentados os resultados obtidos em pesquisas científicas, como por exemplo, a interação de tartarugas marinhas com o lixo e seus efeitos prejudiciais, a geração e distribuição de lixo em praias turísticas. Veja mais abaixo a relação dos trabalhos que abordaram o tema lixo marinho.

Além disso, durante a palestra dos “Principais Resultados da Análise Integrada dos Projetos de Monitoramento de Praias Executados nas Bacias Potiguar, Sergipe-Alagoas e Campos-Espírito Santo”, feita pelo Professor Doutor Sérgio Rosso, do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), foram apresentados os principais achados necroscópicos evidenciando as principais causas de morte de animais marinhos. De acordo com os resultados apresentados, dos 17.619 registros de encalhes de mamíferos, aves e quelônios marinhos, ocorridos nas três Bacias desde 2010, as principais causas de morte foram devido a: interação com artefatos de pesca (0,54 registros/10 km); resíduos sólidos antropogênicos (0,35 registros/10 km); e afecção do trato intestinal (0,31 registros/10 km). Os resultados destes projetos fazem parte de condicionantes do licenciamento ambiental de obras da Petrobras e ainda não foram divulgados. De acordo com a empresa, para se ter acesso aos dados é necessário entrar em contato com a Coordenação-Geral de Petróleo e Gás – CGPEG do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A organização do CBO’2014 informou que no final deste mês os resumos apresentados no congresso estarão disponíveis para download no site www.cbo2014.com/site/.

Trabalhos científicos, nas formas de painéis e apresentações orais que abordaram o tema Lixo Marinho durante o CBO’2014:

Apresentações Orais

Oceanografia Biológica – Necton – Aves, Répteis e Mamíferos

1191. Interação de tartarugas marinhas com resíduos antropogênicos no litoral do estado do Rio de Janeiro, Brasil. Katie Lima da Costa, Liana Rosa, Alexandre de Freitas Azevedo, José Lailson Brito Junior.

Gestão Ambiental

133. Praias turísticas do Rio Grande do Norte (Jenipabu, Ponta Negra e Pirangi): Caracterização do uso e impactos associados. Gabriela Pereira, Dina Ayara Araujo de Azevedo, Maria Christina Barbosa de Araujo.

Gestão Ambiental

134. Geração de resíduos em praias turísticas do Rio Grande do Norte (Jenipabu, Ponta Negra e Pirangi): Relação com o uso das praias. Gabriela Pereira, Dina Ayara Araujo de Azevedo, Ingrid Paulliany Bezerra Dantas, Maria Christina Barbosa de Araújo.

Painéis

Gestão Ambiental

362. A contribuição dos fragmentos plásticos na composição do lixo marinho nas praias de Salvador / BA. Thiago Brito, Gerson Fernandino, Carla Elliff.

Gestão Ambiental

365. Diagnóstico do estado de poluição por lixo marinho de praias do litoral da Bahia, Brasil. Gerson Fernandino, Carla Elliff, Kalena Ferraz, Poliana Guimarães, Mariana Vasconcelos.

Gestão Ambiental

830. Análise do lixo marinho na orla da Baía de Guanabara no município de Niterói. Amanda Paiva, Barbara Franz.

Gestão Ambiental

1177. Distribuição de lixo marinho na orla da Baía de Guanabara no município do Rio de Janeiro. Barbara Franz, Arlindo Leoni Hartz.

Educação Ambiental

668. O lixo na praia do Francês, Alagoas, Brasil. Conhecer para evitar. Elaine Martins Silva, Elíne Monteiro Calazans, Josinete da Silva de Liro, Cláudio l. S. Sampaio.

Oceanografia Química – Poluição

24. Variação sazonal, espacial e composicional de lixo nas praias de Boa Viagem, São Francisco, Charitas, Piratininga, Itacoatiara e Camboinhas, Niterói, RJ no ano de 2009. Rodrigo Alexandre de Sousa, Tadeu Albuquerque Cardoso da Cunha, Graciano Lourenço Fernandes Junior.

Oceanografia Química – Poluição

1166. Lixo marinho vamos reutilizar? Avaliação do potencial energético do lixo marinho da praia do Embrulho em Bombinhas (SC). Diulie Ane Tavares Carneiro, Camila Burigo Marin, Patricia Foes Scherer Costodio.

Oceanografia Biológica – Necton – Aves, Répteis e Mamífero

336. Ingestão de lixo por tetrápodes marinhos no litoral norte de Santa Catarina. Suelen Maria Beeck da Cunha, Renan Paitach, Tiago Ramos de Andrade, Mariana Flach, Marta Jussara Cremer.

Workshop Anual de Fulmares

Jan van Franeker demonstra uma necropsia inicial  – ©Heidi Acampora

Jan van Franeker demonstra uma necropsia inicial – ©Heidi Acampora

por Heidi Acampora, da ABLM – Associação Brasileira do Lixo Marinho
26 de outubro de 2014

Entre 17-22 de Outubro, aconteu o workshop anual para o estudo de fulmares, na ilha de Texel, na Holanda. O workshop de fulmares é apresentado por Jan Andries van Franeker, que começa explicando sobre o monitoramento de lixo marinho por fulmares no Mar do Norte, e logo depois realiza uma necrópsia inicial para ensinar sobre a metologia padrão utilizada para os trabalhos da OSPAR (Convenção Oslo-Paris). A partir daí, os participantes se colocam em pares para realizarem suas próprias necrópsias nas aves providenciadas para o workshop, durante todo o fim de semana. Definitivamente uma oportunidade incrível para afiar suas técnicas e aprender novas. A padronização de técnicas e metodologias é uma importante característica da pesquisa, pois permite que dados de diferentes estudos possam ser comparados e validados então.

Nos próximos dias que seguiram, os participantes do workshop, deram apresentações sobre seus trabalhos atuais e nos também tivemos a oportunidade de sair para uma observação de aves no campo. O tempo estava um pouco ruim, mas com sorte tivemos alguns momentos quando a chuva deu uma trégua e pudemos correr para fora da van e passar algum tempo observando as aves (algumas interessantes para os livrinhos de algumas pessoas :)).

Eu aproveitei a oportunidade do workshop para levar algumas das minhas aves aqui da Irlanda, incluindo um fulmar que encontrei em Dog’s Bay, Connemara, no início do ano, e realizar as necrópsias com o Jan. Eu também fiquei alguns dias a mais após o workshop para estudar melhor as técnicas de análise de conteúdos estomacais e assim, analisar também o conteúdo estomacal do meu fulmar irlandês e o resultado foi bem perturbador. A pobre ave havia ingerido uma enorme quantidade de plásticos, especialmente pedaços de isopor e outros fragmentos.

O limite ecológico para a OSPAR é que não mais que 10% dos fulmares no Atlântico Norte contenham mais que 0.1g de plástico em seu estômago. Atualmente, todos os fulmares estudados ultrapassam essa meta em grandes proporções.

O workshop de fulmares foi uma experiência bastante válida para mim no sentido de calibrar meus métodos, me atualizar nas pesquisas atuais em aves marinhas e lixo marinho, fazer contatos profissionais e ainda fazer amigos. Com certeza foram dias bem divertidos e eu definitivamente tenho planos de voltar no ano que vem.

Fulmares aguardam sua vez de serem dissecados :) - ©Stefan Weiel

Fulmares aguardam sua vez de serem dissecados – ©Stefan Weiel

Dissecando minha ave irlandesa, auxiliada pelo Jan - ©Heidi Acampora

Dissecando minha ave irlandesa, auxiliada pelo Jan – ©Heidi Acampora

Meu fulmar irlandês tinha ingerido uma quantidade imensa de plástico - ©Jan van Franeker

Meu fulmar irlandês tinha ingerido uma quantidade imensa de plástico – ©Jan van Franeker

Grupo participante do workshop - ©Stefan Weiel

Grupo participante do workshop – ©Stefan Weiel