Estado reforça ações de saneamento da baía

Novas unidades de tratamento melhoram a qualidade das águas

Jurujuba, Niterói, Baía de Guanabara. Foto: Alex Coleti | flickr.com/alexcoleti

Jurujuba, Niterói, Baía de Guanabara. Foto: Alex Coleti | flickr.com/alexcoleti

por Veronica Lopes
09/12/2014 – 08:57h

A melhoria na qualidade das águas da Baía de Guanabara é um dos principais legados da Secretaria do Ambiente este ano. Ao longo de 2014, foram feitas ações que integram o Plano Guanabara Limpa, dentre elas a Baía sem Lixo, o início das obras de saneamento da Marina da Glória, a reconstrução das Estações de Tratamento de Esgoto da Pavuna e São Gonçalo, a criação do sistema de coleta e tratamento de esgoto de Alcântara e o programa Sena Limpa.

O projeto Baía sem Lixo começou em janeiro com a operação de três ecobarcos que realizam a coleta de lixo flutuante na Baía de Guanabara. No fim de julho, outras sete novas embarcações foram contratadas pela secretaria. Com isso, cerca de 45 toneladas de resíduos são recolhidas mensalmente. Em julho, três das 11 ecobarreiras instaladas em rios do entorno da baía (nos rios Irajá e Meriti e canal do Cunha) foram reconstruídas. Juntas, as 11 ecobarreiras são responsáveis pela retenção de cerca de 300 toneladas de lixo por mês.

Veja o mapa do projeto de operação das ecobarreiras, ecopontos e embarcações

As obras de saneamento da Marina da Glória também começaram este ano, em outubro, com a construção de uma galeria de cintura. Serão implantados mil metros de galerias coletoras com 400 a 700 milímetros de diâmetro, estação elevatória de esgotos com capacidade para 450 litros por segundo, totalmente subterrânea, e que utiliza técnicas avançadas de redução de consumo de energia elétrica.

As Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) da Pavuna e São Gonçalo passaram por obras de reconstrução durante este ano, ambas com recursos do Fecam (Fundo Estadual de Conservação Ambiental). A primeira, com capacidade para tratar 1,5 mil litros de esgoto por segundo, já está operando com 750 litros por segundo, beneficiando cerca de 500 mil pessoas. Já a ETE São Gonçalo iniciou a operação em outubro, tratando 300 litros de esgoto por segundo em fase primária. Até o fim do ano, deve passar a operar com 800 litros de esgoto por segundo em etapa secundária.

Municípios do interior do estado também foram beneficiados com ações de saneamento básico durante o ano. As obras em Paraty, iniciadas em junho, vão favorecer 26 mil habitantes, 70% da população.

– Haverá redução do lançamento de esgoto in natura nos rios e praias da Baía de Ilha Grande, favorecendo o meio ambiente – disse o secretário Carlos Portinho.

Volta da balneabilidade no Leme

Outra novidade foi a volta da balneabilidade da Praia do Leme, resultado do programa Sena Limpa, parceria com o Inea (Instituto Estadual do Ambiente), a Cedae, o Rio Águas e a Secretaria Municipal de Habitação. O projeto também começa a favorecer por meio de obras de saneamento as praias da Ilha de Paquetá, da Urca e da Bica, na Ilha do Governador.

Duas obras licitadas este ano também colaboram para a limpeza da baía. Em julho, começaram as obras do sistema de coleta e tratamento de esgoto de Alcântara, em São Gonçalo. O empreendimento vai beneficiar inicialmente 230 mil pessoas, além de reduzir em 800 litros por segundo (média/dia) o volume de esgoto lançado in natura nas águas da baía.

Recuperação de lagoas na Zona Oeste

Em junho, foi lançado o projeto de Recuperação do Sistema Lagunar da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá, que inclui a dragagem das lagoas de Marapendi, da Tijuca, do Camorim e de Jacarepaguá, além dos canais da Joatinga e de Marapendi.

Já o Inventário Florestal do Rio de Janeiro apresentou seus primeiros resultados em setembro deste ano. O levantamento inédito identificou 31 espécies de vegetais ameaçados de extinção em território fluminense. O objetivo do trabalho é encaminhar 15 mil amostras de plantas para o Jardim Botânico até o fim de 2015. Durante este primeiro ano, o projeto catalogou 1,2 mil espécies e alertou sobre a necessidade de conservação de exemplares raros da flora.

Nova ETE favorece Arraial do Cabo

O município de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, recebeu em julho um Sistema de Esgotamento Sanitário, localizado no bairro de Monte Alto, que inclui a ETE de Figueira, com capacidade para tratar 15 litros de esgoto por segundo, três estações elevatórias e implantação de rede coletora de esgoto, com cerca de dez quilômetros. O novo sistema foi criado para beneficiar 9 mil habitantes, além de reduzir a quantidade de esgoto in natura despejado na Praia de Monte Alto.

A secretaria também deu continuidade ao programa Lixão Zero, que tem como meta a erradicação de todos os lixões do estado.

Rio reconhece necessidade de “enxugar gelo” na baía de Guanabara para Olimpíada

Foto: Rodrigo Thome/2olhares.com

Foto: Rodrigo Thome/2olhares.com

RIO DE JANEIRO, 10 Abr (Reuters) – O governo do Estado do Rio de Janeiro assumiu nesta quinta-feira que vai ser necessário “enxugar gelo” para garantir as condições de limpeza da baía de Guanabara para a realização das provas de vela dos Jogos Olímpicos de 2016.

“Limpar lixo da baía de Guanabara, o flutuante, é enxugar gelo. Mas é o dever de casa que nós temos que fazer”, disse o subsecretário de Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Portinho, que assumiu o cargo nesta semana e será o homem à frente do problema.

Ambientalistas e velejadores têm alertado que será difícil limpar a raia olímpica dentro do prazo diante da situação atual, em que o lixo se acumula tanto nas águas quanto nas margens da baía. Mesmo assim, o local vai receber em agosto o primeiro evento-teste oficial dos Jogos.

Entre as medidas previstas está o lançamento, até o final de abril, de licitações para mais sete “ecobarcos”, que recolhem resíduos sólidos da superfície da água, e novas ecobarreiras, que retém o lixo na foz dos rios.

Mas, segundo o subsecretário, que percorreu parte do trajeto das provas de vela na manhã desta quinta, essas medidas são paliativas e incapazes de resolver o problema da poluição enquanto os municípios do entorno da baía não se engajarem no saneamento de suas redes de esgoto.

“Os municípios estão de costas para a baía de Guanabara e acham que não é responsabilidade deles o lixo que é jogado na baía de Guanabara”, afirmou.

Ao se candidatar como sede da Olimpíada, o Rio de Janeiro se comprometeu a tratar e sanar 80 por cento do esgoto despejado na baía até os Jogos. No entanto, de acordo com o coordenador do programa estadual de saneamento da baía de Guanabara, Gelson Serva, apesar da continuidade dos esforços apenas metade dessa meta foi alcançada até agora.

“É um trabalho enorme em todas as áreas. Agora, não tem milagre, as obras de infraestrutura não se resolvem da noite para o dia… É muito trabalho de urbanização, de mobilização de pessoas”, disse Serva.

Foto: Marcelo Piu / Agência O Globo

Foto: Marcelo Piu / Agência O Globo

SAÚDE DOS ATLETAS

Os pontos mais críticos de preocupação no que se refere aos Jogos Olímpicos são a praia de Botafogo e a Marina da Glória, pontos de largada das provas de vela e onde a presença de coliformes fecais está acima dos níveis considerados normais.

Em dias de chuva, nesses locais o esgoto dos bairros adjacentes vaza diretamente para a baía, o que tem levantado preocupações a respeito da saúde dos atletas.

Portinho garantiu, no entanto, com base no acompanhamento mensal feito pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que os atletas podem entrar na água sem medo, como “nas praias do Leblon e Ipanema”.

A poluição da baía de Guanabara se soma a outros problemas enfrentados pelos organizadores dos Jogos Olímpicos, incluindo a falta de um orçamento completo, obras atrasadas e uma greve de operários do Parque Olímpico.

Nesta quinta-feira, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou que vai adotar uma série de medidas para acelerar os preparativos olímpicos, incluindo uma presença mais forte no Rio para monitorar a organização dos Jogos.

(Por Felipe Pontes)

Poluição na Baía de Guanabara é um desafio olímpico

Autoridades correm contra o tempo para prepará-la para competições da Rio 2016

De frente para o Pão de Açúcar, grupo de remadores numa canoa havaiana corta uma extensa ilha de lixo e espuma: pequenas embarcações usadas no esporte já encalharam em meio a detritos na Baía de Guanabara Foto: Marcelo Piu / Agência O Globo

De frente para o Pão de Açúcar, grupo de remadores numa canoa havaiana corta uma extensa ilha de lixo e espuma: pequenas embarcações usadas no esporte já encalharam em meio a detritos na Baía de Guanabara
Foto: Marcelo Piu / Agência O Globo

Ludmilla de Lima – Jornal O Globo
Publicado: 16/02/14 – 6h00
Atualizado: 17/02/14 – 8h39

RIO – As canoas havaianas se lançam ao mar na Urca antes de o sol nascer por trás do Morro do Morcego, em Niterói. Na reta do Forte da Laje, os adeptos da modalidade remam nas águas calmas, pontilhadas por navios e protegidas por fortalezas. Seria o casamento perfeito entre o esporte e um cenário idílico se, a cada remada, as canoas não precisassem cortar ilhas de lixo flutuante e uma espuma amarelada e borbulhante, resultado da proliferação de algas com ajuda do esgoto. Diante de tantos obstáculos, se exercitar na Baía de Guanabara, seja de canoa, caiaque, vela ou stand up paddle, ganha dimensão olímpica.

A pouco mais de dois anos dos Jogos, o desafio de despoluir em 80% a baía, onde acontecerão as competições de vela, parece hercúleo. Afinal, ela recebe ainda 60% de todo o esgoto produzido à sua volta — ou seis mil litros por segundo — e toneladas de lixo diariamente. Hoje, esportistas travam uma disputa contra a sujeira. Numa manhã de janeiro, três caiaqueiros — Bruno Fitaroni, Bruno Carelli e Rafael Cajá — deslizavam pelo espelho d’água quando, perto do Porto do Rio, se depararam com um mar de tom incomum, alaranjado, que destoava do resto da baía.

Remando em volta da Ilha da Pombeba, que seria uma pequena joia de praias de areia branca se não fosse o lixo, que ocupa até a copa das árvores, os caiaqueiros simplesmente não conseguiam enxergar o remo sob a água, de tão opaca e cinza que era. O número incontável de pneus de todos os tamanhos boiando em volta da ilha espanta quem é remador de primeira viagem.

À medida que se vai remando em direção ao fundo da Baía de Guanabara, mais chocante é a poluição. Na altura do Caju, o mar é fétido. O nível de coliformes na área da Ilha do Fundão, de acordo com dados do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) sobre o monitoramento da água da baía, repassados com frequência ao Comitê Organizador dos Jogos, pode atingir 390 mil, ou 390 vezes o limite estabelecido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). O total registrado é a média de 2013 (entre janeiro e setembro), que consta do último boletim.

Mas a orla da Zona Sul não escapa aos elementos mais indesejáveis da baía. Ao longo da murada da Urca, saídas de esgoto fazem os atletas taparem o nariz.

— O que me espanta mais é o que está na cara de todo mundo, ali na Praia de Botafogo. Teve um dia em que fui pegar um aluno e a linha da maré estava ocupada por fezes. É nojento — conta o instrutor de caiaque Bruno Fitaroni, que já passou mal devido à poluição da baía. — Uma vez, eu e um amigo num caiaque duplo, ao nos aproximarmos do Porto, vimos um negócio evaporar dessa água laranja. Começamos a ter uma sensação de desmaio e saímos às pressas.

Os que praticam atividades na baía não estão livres de situações insólitas.

— Quando tem chuva forte, a drenagem da cidade carrega o lixo para a baía. Com a maré e o vento, se formam ilhas de lixo flutuante, às vezes profundas. São como se fossem plataformas. Eu mesmo já fiquei preso várias vezes em ilhas de lixo, que agarram no leme — diz Paulo Cordeiro, biólogo e professor de canoa havaiana.

Quem adotou o stand up paddle como atividade de verão — hoje praticado no Flamengo, na Urca e na orla de Niterói — já sabe que, mesmo remando muito, às vezes é impossível achar um trecho mais limpo para dar um mergulho. Números sobre lixo recolhido dão uma ideia do problemão que chega à baía: dez ecobarreiras em saídas de rios retêm cerca de 18 toneladas de detritos por mês, enquanto três ecobarcos, no seu primeiro mês de operação, tiraram 14 toneladas.

— Já teve dia em que não dava para entrar na água. Ver uma privada ou uma cadeira boiando é muito feio — comentava o instrutor de stand up paddle Luiz Rocha, que dá aulas na Praia de Icaraí, enquanto tirava de dentro do mar um pneu.

Risco para velejadores

Para os velejadores, o estado atual da Guanabara é um pesadelo.

— Vai ser a raia mais suja da história olímpica. Espero que isso seja melhorado, mas vamos ganhar o troféu de pior água dos Jogos — afirma Torben Grael, treinador-chefe da seleção brasileira de vela, que, na sua última regata na baía, desviou de um cone de trânsito à deriva.

A Secretaria estadual do Ambiente diz que tecnicamente é possível vencer esse jogo. A meta olímpica de limpar em 80% o espelho d´água prevê uma série de ações, que vão de ecobarreiras em saídas de rios e ecobarcos para recolher o lixo à ampliação das redes coletoras de esgoto e de Unidades de Tratamento de Rio (UTRs). As medidas substituem o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara, lançado em 1994, mas que pouco avançou.

Índio da Costa, que assumiu a Secretaria estadual do Ambiente na semana retrasada, ressalta que ainda precisa estudar as fontes de recursos para colocar todos os planos em prática. E eles são muitos. Índio afirma que, de concreto, estão sendo investidos R$ 1,5 bilhão — recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam) — na instalação de redes coletoras pelo Programa de Saneamento dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara (Psam). O objetivo é passar de 40% para 60% o percentual de esgoto tratado em volta da baía até 2016.

Para chegar à meta olímpica, Índio destaca que são necessárias cinco UTRs (unidades na foz dos rios, onde retiram 80% de toda a poluição).

— As UTRs não são uma solução definitiva, mas impedem que a poluição vá para o mar até que se acabe de fazer a grande obra de saneamento no entorno da baía. A do Rio Irajá fica pronta em março, e a dos rios Pavuna e Meriti começará a ser construída até abril. Mas são necessárias mais três para atingir esses 80% — diz Índio.

A secretaria vai licitar mais oito ecobarreiras (feitas com PET e cabos de aço) este mês, que se somarão às dez existentes. Outra licitação contratará mais sete ecobarcos. No momento são três circulando.

— O compromisso assumido é limpar 80% do espelho d’água da baía até 2016, mas só com saneamento tradicional não vamos chegar a isso — declarou Carlos Minc, ex-secretário do Ambiente.

Diante da complexidade do problema, chegou-se a cogitar a transferência da disputa da vela para Búzios. O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016 diz que não há chances de mudança. Pelo monitoramento do Inea, as três áreas das raias de competição (cuja base será a Marina da Glória) apresentaram no ano passado resultados satisfatórios, com média de 180 coliformes, enquanto o limite é de mil. Mesmo assim, a poluição que se vê hoje por todo lado pode jogar por terra uma medalha.

— O lixo atrapalha a performance. Já pensou um atleta que treinou oito anos para a competição perder posição porque ficou agarrado num saco plástico? — diz Torben, que, ainda assim, insiste na competição na baía. — Se não for feita alguma coisa pela Baía de Guanabara agora, não vamos ver nada acontecer no tempo de nossas vidas.

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Manifestação na Baia de Guanabara alerta para a falta de saneamento

“A baia não é lata de lixo. A Baia de Guanabara é nossa. Chega de lixo, chega de esgoto. Chega de enrolação. Chega de projeto que não dá em nada. Alô, presidente Dilma. Alô, governador. Alô, secretário. Estamos passando vergonha internacional”

Foto: Rodrigo Thome/2olhares.com

Foto: Rodrigo Thome/2olhares.com

Cristina Indio do Brasil – Repórter da Agência Brasil
16/02/2014 17h38

Condutores de cerca de 80 embarcações como lanchas, traineiras, caiaques, canoas havaianas e barcos a vela, participaram hoje (16), no Rio, de uma manifestação pelo saneamento da Baia de Guanabara. A maior parte partiu do Iate Clube, na Enseada de Botafogo. Outros saíram da Marina da Glória, locais na zona sul da cidade. Depois todos se concentraram na altura do Monumento Estácio de Sá, tendo como fundo um dos mais conhecidos cartões-postais do Rio, o Pão de Açúcar.

A manifestação chamada de “Revoada do Saneamento” foi organizada pela Rede Meu Rio, pelo Instituto Trata Brasil, pelo Iate Clube do Rio de Janeiro e Clube Guanabara. Todas as embarcações estavam com uma fita preta simbolizando o luto pelas condições da Baia de Guanabara.

Dentro de uma das embarcações, o biólogo Mário Moscatelli, utilizou um megafone para criticar a falta de condições de saneamento do local.

“A baia não é lata de lixo. A Baia de Guanabara é nossa. Chega de lixo, chega de esgoto. Chega de enrolação. Chega de projeto que não dá em nada. Alô, presidente Dilma. Alô, governador. Alô, secretário. Estamos passando vergonha internacional”, disse.

Para o americano Lenny que mora no Rio há dez anos e preferiu se identificar apenas por Bud, como é chamado pelos amigos, os governantes têm que tomar providências. Ele estava caminhando na orla e fez questão de colocar, no braço, a fita preta, que estava sendo distribuída pela Meu Rio, em frente ao Monumento Estácio de Sá.

“Quero as coisas mais limpas. Tem pouca coisa feita. Quem tem que se manifestar são os governantes. Não pode ser uma voz no vento”, explicou.

Lucia Alves, que é massoterapeuta e casada com o americano, disse que as águas da baia são um perigo para a população. “Como a gente pode viver em um estado desse, com uma água nestas condições. A gente traz criança e como ela pode mergulhar ainda mais com o calor que está”, contou acrescentando que concordou em colocar a faixa preta no braço em protesto.

A publicitária sergipana Luana de Oliveira, que está visitando o Rio pela primeira vez, também participou da campanha e aceitou usar a fita simbolizando o luto pela Baia. “O Rio é tão lindo. Imagine ele lindo e limpo. A manifestação tem que acontecer, porque para haver mudanças tem que ter manifestação”, destacou.

O ato faz parte da campanha “Verão do Saneamento”, organizada por voluntários da Rede Meu Rio desde novembro e que seguirá até o fim de março, para chamar a atenção de moradores e turistas do Rio.

Segundo a Rede Meu Rio, a cidade tem índices de oferta de água, coleta e tratamento de esgoto incompatíveis com as necessidades da população. De acordo com a Rede Meu Rio, o ato teve também o objetivo de chamar a atenção para o descaso da Companhia Estadual de Águas e Esgotos com o saneamento da cidade e consequente poluição da baía.

Edição: Valéria Aguiar

Frequentadores da praia de Icaraí, em Niterói (RJ), tiveram que compartilhar a areia com muito lixo

© Sandro Vox/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

© Sandro Vox/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

5.jan.2014 – Frequentadores da praia de Icaraí, em Niterói (RJ), tiveram que compartilhar a areia com muito lixo, neste domingo (5), no encerramento da semana do Réveillon

UOL Notícias

Lixo se intromete em foto de turista na praia de Copacabana

22.jan.2014 - A corrente marítima levou o lixo da baía de Guanabara para as águas da praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (22) Domingos Peixoto/Agência O Globo

22.jan.2014 – A corrente marítima levou o lixo da baía de Guanabara para as águas da praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (22)
Domingos Peixoto/Agência O Globo

22.jan.2014 - A corrente marítima levou o lixo da baía de Guanabara para as águas da praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (22) Domingos Peixoto/Agência O Globo

22.jan.2014 – A corrente marítima levou o lixo da baía de Guanabara para as águas da praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (22)
Domingos Peixoto/Agência O Globo

Ecobarcas começam trabalho de recolhimento de lixo da Baía de Guanabara

© Tânia Rêgo/ Agência Brasil

© Tânia Rêgo/ Agência Brasil

Da Agência Brasil
03/01/2014 – 12h55

Rio de Janeiro – A Secretaria Estadual do Ambiente começou hoje (3) a operar três embarcações especializadas em recolhimento de lixo, para retirar resíduos flutuantes da Baía de Guanabara. Nas próximas semanas, uma base de operação será instalada no Clube Jardim Guanabara, na Ilha do Governador, na zona norte, e outra na Escola Naval, na região central do Rio. Ao todo, dez ecobarcos foram contratados para limpar a Baía.

Os resíduos recolhidos serão depositados em contêineres da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb), instalados na Marina da Glória, e encaminhados para indústrias de reciclagem. A iniciativa é financiada pelo Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam) e está orçada em R$ 3 milhões. A ação integra o projeto Baía Sem Lixo 2016, uma das 12 ações do plano Guanabara Limpa.

O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, informou que foram recolhidos na manhã desta sexta-feira resíduos sólidos variados, como bancos, assentos de vaso sanitário e grandes galhos de árvore.

“Hoje a gente pegou a tampa de uma latrina aqui e um galho enorme de uma árvore. Não é só a questão da poluição, é a questão do risco de acidentes com as embarcações. Porque esses grandes resíduos podem quebrar hélices de barcos e causar acidentes”, disse o secretário.

Ainda segundo Minc, além da coleta de lixo flutuante, a campanha visa também à conscientização dos donos e usuários de barcos. “Estamos aqui com o apoio da Marina da Glória. Já tem uma orientação para uma campanha de conscientização dos proprietários de barcos, para coletarem também o lixo flutuante, para tomarem conta dos lixos dos próprios barcos”.

O projeto Baía Sem Lixo 2016 prevê ainda, para fevereiro, o início da construção de oito ecobarreiras às margens da Baía de Guanabara. Atualmente, dez ecobarreiras estão espalhadas pelo estado. Elas recolhem, em média, 15 toneladas de lixo por mês. As ecobarreiras são estruturas feitas de materiais reciclados instaladas próximas à foz de rios para o recolhimento de resíduos sólidos.

O plano Guanabara Limpa espera alcançar o saneamento de 80% da Baía de Guanabara até 2016, quando vai sediar competição de barco a velas durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Veja a galeria de fotos aqui

Edição: Denise Griesinger

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Dez ecobarcos vão retirar lixo flutuante da baía até 2016

Projeto custará R$ 3,1 milhões só no ano que vem

Foto: Rodrigo Thome/2olhares.com

Foto: Rodrigo Thome/2olhares.com

Emanuel Alencar
Jornal O Globo
16/11/13 – 5h00

RIO – O governo do estado está licitando a contratação de dez ecobarcos que vão coletar o lixo flutuante da Baía de Guanabara até 2016. O investimento estimado é de R$ 3,13 milhões somente no ano que vem, com recursos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam). Conforme noticiou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO, será escolhida a empresa que apresentar a proposta com menor preço.

A Baía de Guanabara, que recebe diariamente em média 100 toneladas de lixo flutuante, será palco de competições de vela durante as Olimpíadas. O material que chega ao ecossistema é levado pelos rios que cortam a Região Metropolitana do Rio, segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Atualmente, o órgão possui somente um barco de fiscalização para reprimir crimes ambientais na Baía.

— A expectativa é que os barcos iniciem a operação já no verão do ano que vem. Estamos estudando alternativas para os pontos de escoamento dos resíduos. A ideia é que o catador já separe o material reciclável no barco. Há, de fato, reclamação de velejadores com a quantidade de lixo flutuante, embora a situação tenha melhorado com as ecobarreiras. Hoje, são dez no entorno da Baía — diz Gelson Serva, coordenador executivo do Programa de Saneamento da Baía de Guanabara (Psam) da Secretaria estadual do Ambiente.

Serva explica que a secretaria optou por não fazer o contrato inicial por prazo de três anos, por questão de prudência. Assim, em 2014, será feita uma avaliação do programa. O governo do estado também deve licitar, ainda este ano, a reforma das ecobarreiras e a construção de outras oito: duas em Niterói, duas em São Gonçalo, duas em Duque de Caxias e duas na capital.

Um site sobre despoluição

A Secretaria do Ambiente já colocou no ar o site Guanabara Limpa, onde é possível acompanhar as ações do governo que visam à despoluição da Baía de Guanabara, um dos mais importantes cartões-postais da cidade. No site, no entanto, ainda não é possível companhar o andamento das obras em tempo real, uma promessa recente do secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc. O monitoramento da qualidade das águas da Baía também não está disponível.

A iniciativa de contratação de barcos para coletar lixo na Baía de Guanabara não é nova. Há dez anos, a Secretaria municipal de Meio Ambiente anunciava o programa Eco Baía. Um barco e dois botes de alumínio faziam a limpeza dos canais do Fundão e do Cunha. O material era recolhido e levado para o Complexo do Maré, onde era separado e encaminhado para a indústria recicladora. O projeto acabou sendo abandonado.

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Os cata-lixos da Guanabara

Divulgação

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Por Ancelmo Gois
O Globo

Este é o modelo das dez barcas que serão usadas para coletar lixo flutuante da Baía de Guanabara. A Secretaria estadual do Ambiente do governo Cabral licita, dia 28 agora, o serviço de operação delas, que custará em torno de R$ 3,5 milhões. Com isso, poderá dobrar a capacidade de coleta de lixo na baía, que hoje é de 15 toneladas por dia e já conta com a ajuda de dez ecobarreiras e catadores de cooperativas. Aliás, em dezembro, será licitada a compra de mais oito ecobarreiras. O secretário Carlos Minc está confiante de que, nos Jogos de 2016, a baía terá condições de receber as regatas, mas alerta: “A população também precisa fazer sua parte.” É que, segundo ele, nove milhões de pessoas ainda jogam lixo nos rios que desembocam nas águas da Guanabara. Na verdade, o Comitê Olímpico ainda duvida se a baía estará limpa nos Jogos. Vamos torcer, vamos cobrar

15.11.2013 | 12h50m
Ancelmo.com: blog do colunista do jornal O Globo

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