Estado reforça ações de saneamento da baía

Novas unidades de tratamento melhoram a qualidade das águas

Jurujuba, Niterói, Baía de Guanabara. Foto: Alex Coleti | flickr.com/alexcoleti

Jurujuba, Niterói, Baía de Guanabara. Foto: Alex Coleti | flickr.com/alexcoleti

por Veronica Lopes
09/12/2014 – 08:57h

A melhoria na qualidade das águas da Baía de Guanabara é um dos principais legados da Secretaria do Ambiente este ano. Ao longo de 2014, foram feitas ações que integram o Plano Guanabara Limpa, dentre elas a Baía sem Lixo, o início das obras de saneamento da Marina da Glória, a reconstrução das Estações de Tratamento de Esgoto da Pavuna e São Gonçalo, a criação do sistema de coleta e tratamento de esgoto de Alcântara e o programa Sena Limpa.

O projeto Baía sem Lixo começou em janeiro com a operação de três ecobarcos que realizam a coleta de lixo flutuante na Baía de Guanabara. No fim de julho, outras sete novas embarcações foram contratadas pela secretaria. Com isso, cerca de 45 toneladas de resíduos são recolhidas mensalmente. Em julho, três das 11 ecobarreiras instaladas em rios do entorno da baía (nos rios Irajá e Meriti e canal do Cunha) foram reconstruídas. Juntas, as 11 ecobarreiras são responsáveis pela retenção de cerca de 300 toneladas de lixo por mês.

Veja o mapa do projeto de operação das ecobarreiras, ecopontos e embarcações

As obras de saneamento da Marina da Glória também começaram este ano, em outubro, com a construção de uma galeria de cintura. Serão implantados mil metros de galerias coletoras com 400 a 700 milímetros de diâmetro, estação elevatória de esgotos com capacidade para 450 litros por segundo, totalmente subterrânea, e que utiliza técnicas avançadas de redução de consumo de energia elétrica.

As Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) da Pavuna e São Gonçalo passaram por obras de reconstrução durante este ano, ambas com recursos do Fecam (Fundo Estadual de Conservação Ambiental). A primeira, com capacidade para tratar 1,5 mil litros de esgoto por segundo, já está operando com 750 litros por segundo, beneficiando cerca de 500 mil pessoas. Já a ETE São Gonçalo iniciou a operação em outubro, tratando 300 litros de esgoto por segundo em fase primária. Até o fim do ano, deve passar a operar com 800 litros de esgoto por segundo em etapa secundária.

Municípios do interior do estado também foram beneficiados com ações de saneamento básico durante o ano. As obras em Paraty, iniciadas em junho, vão favorecer 26 mil habitantes, 70% da população.

– Haverá redução do lançamento de esgoto in natura nos rios e praias da Baía de Ilha Grande, favorecendo o meio ambiente – disse o secretário Carlos Portinho.

Volta da balneabilidade no Leme

Outra novidade foi a volta da balneabilidade da Praia do Leme, resultado do programa Sena Limpa, parceria com o Inea (Instituto Estadual do Ambiente), a Cedae, o Rio Águas e a Secretaria Municipal de Habitação. O projeto também começa a favorecer por meio de obras de saneamento as praias da Ilha de Paquetá, da Urca e da Bica, na Ilha do Governador.

Duas obras licitadas este ano também colaboram para a limpeza da baía. Em julho, começaram as obras do sistema de coleta e tratamento de esgoto de Alcântara, em São Gonçalo. O empreendimento vai beneficiar inicialmente 230 mil pessoas, além de reduzir em 800 litros por segundo (média/dia) o volume de esgoto lançado in natura nas águas da baía.

Recuperação de lagoas na Zona Oeste

Em junho, foi lançado o projeto de Recuperação do Sistema Lagunar da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá, que inclui a dragagem das lagoas de Marapendi, da Tijuca, do Camorim e de Jacarepaguá, além dos canais da Joatinga e de Marapendi.

Já o Inventário Florestal do Rio de Janeiro apresentou seus primeiros resultados em setembro deste ano. O levantamento inédito identificou 31 espécies de vegetais ameaçados de extinção em território fluminense. O objetivo do trabalho é encaminhar 15 mil amostras de plantas para o Jardim Botânico até o fim de 2015. Durante este primeiro ano, o projeto catalogou 1,2 mil espécies e alertou sobre a necessidade de conservação de exemplares raros da flora.

Nova ETE favorece Arraial do Cabo

O município de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, recebeu em julho um Sistema de Esgotamento Sanitário, localizado no bairro de Monte Alto, que inclui a ETE de Figueira, com capacidade para tratar 15 litros de esgoto por segundo, três estações elevatórias e implantação de rede coletora de esgoto, com cerca de dez quilômetros. O novo sistema foi criado para beneficiar 9 mil habitantes, além de reduzir a quantidade de esgoto in natura despejado na Praia de Monte Alto.

A secretaria também deu continuidade ao programa Lixão Zero, que tem como meta a erradicação de todos os lixões do estado.

Ecobarcas começam trabalho de recolhimento de lixo da Baía de Guanabara

© Tânia Rêgo/ Agência Brasil

© Tânia Rêgo/ Agência Brasil

Da Agência Brasil
03/01/2014 – 12h55

Rio de Janeiro – A Secretaria Estadual do Ambiente começou hoje (3) a operar três embarcações especializadas em recolhimento de lixo, para retirar resíduos flutuantes da Baía de Guanabara. Nas próximas semanas, uma base de operação será instalada no Clube Jardim Guanabara, na Ilha do Governador, na zona norte, e outra na Escola Naval, na região central do Rio. Ao todo, dez ecobarcos foram contratados para limpar a Baía.

Os resíduos recolhidos serão depositados em contêineres da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb), instalados na Marina da Glória, e encaminhados para indústrias de reciclagem. A iniciativa é financiada pelo Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam) e está orçada em R$ 3 milhões. A ação integra o projeto Baía Sem Lixo 2016, uma das 12 ações do plano Guanabara Limpa.

O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, informou que foram recolhidos na manhã desta sexta-feira resíduos sólidos variados, como bancos, assentos de vaso sanitário e grandes galhos de árvore.

“Hoje a gente pegou a tampa de uma latrina aqui e um galho enorme de uma árvore. Não é só a questão da poluição, é a questão do risco de acidentes com as embarcações. Porque esses grandes resíduos podem quebrar hélices de barcos e causar acidentes”, disse o secretário.

Ainda segundo Minc, além da coleta de lixo flutuante, a campanha visa também à conscientização dos donos e usuários de barcos. “Estamos aqui com o apoio da Marina da Glória. Já tem uma orientação para uma campanha de conscientização dos proprietários de barcos, para coletarem também o lixo flutuante, para tomarem conta dos lixos dos próprios barcos”.

O projeto Baía Sem Lixo 2016 prevê ainda, para fevereiro, o início da construção de oito ecobarreiras às margens da Baía de Guanabara. Atualmente, dez ecobarreiras estão espalhadas pelo estado. Elas recolhem, em média, 15 toneladas de lixo por mês. As ecobarreiras são estruturas feitas de materiais reciclados instaladas próximas à foz de rios para o recolhimento de resíduos sólidos.

O plano Guanabara Limpa espera alcançar o saneamento de 80% da Baía de Guanabara até 2016, quando vai sediar competição de barco a velas durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Veja a galeria de fotos aqui

Edição: Denise Griesinger

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Dez ecobarcos vão retirar lixo flutuante da baía até 2016

Projeto custará R$ 3,1 milhões só no ano que vem

Foto: Rodrigo Thome/2olhares.com

Foto: Rodrigo Thome/2olhares.com

Emanuel Alencar
Jornal O Globo
16/11/13 – 5h00

RIO – O governo do estado está licitando a contratação de dez ecobarcos que vão coletar o lixo flutuante da Baía de Guanabara até 2016. O investimento estimado é de R$ 3,13 milhões somente no ano que vem, com recursos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam). Conforme noticiou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO, será escolhida a empresa que apresentar a proposta com menor preço.

A Baía de Guanabara, que recebe diariamente em média 100 toneladas de lixo flutuante, será palco de competições de vela durante as Olimpíadas. O material que chega ao ecossistema é levado pelos rios que cortam a Região Metropolitana do Rio, segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Atualmente, o órgão possui somente um barco de fiscalização para reprimir crimes ambientais na Baía.

— A expectativa é que os barcos iniciem a operação já no verão do ano que vem. Estamos estudando alternativas para os pontos de escoamento dos resíduos. A ideia é que o catador já separe o material reciclável no barco. Há, de fato, reclamação de velejadores com a quantidade de lixo flutuante, embora a situação tenha melhorado com as ecobarreiras. Hoje, são dez no entorno da Baía — diz Gelson Serva, coordenador executivo do Programa de Saneamento da Baía de Guanabara (Psam) da Secretaria estadual do Ambiente.

Serva explica que a secretaria optou por não fazer o contrato inicial por prazo de três anos, por questão de prudência. Assim, em 2014, será feita uma avaliação do programa. O governo do estado também deve licitar, ainda este ano, a reforma das ecobarreiras e a construção de outras oito: duas em Niterói, duas em São Gonçalo, duas em Duque de Caxias e duas na capital.

Um site sobre despoluição

A Secretaria do Ambiente já colocou no ar o site Guanabara Limpa, onde é possível acompanhar as ações do governo que visam à despoluição da Baía de Guanabara, um dos mais importantes cartões-postais da cidade. No site, no entanto, ainda não é possível companhar o andamento das obras em tempo real, uma promessa recente do secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc. O monitoramento da qualidade das águas da Baía também não está disponível.

A iniciativa de contratação de barcos para coletar lixo na Baía de Guanabara não é nova. Há dez anos, a Secretaria municipal de Meio Ambiente anunciava o programa Eco Baía. Um barco e dois botes de alumínio faziam a limpeza dos canais do Fundão e do Cunha. O material era recolhido e levado para o Complexo do Maré, onde era separado e encaminhado para a indústria recicladora. O projeto acabou sendo abandonado.

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Os cata-lixos da Guanabara

Divulgação

Divulgação

Por Ancelmo Gois
O Globo

Este é o modelo das dez barcas que serão usadas para coletar lixo flutuante da Baía de Guanabara. A Secretaria estadual do Ambiente do governo Cabral licita, dia 28 agora, o serviço de operação delas, que custará em torno de R$ 3,5 milhões. Com isso, poderá dobrar a capacidade de coleta de lixo na baía, que hoje é de 15 toneladas por dia e já conta com a ajuda de dez ecobarreiras e catadores de cooperativas. Aliás, em dezembro, será licitada a compra de mais oito ecobarreiras. O secretário Carlos Minc está confiante de que, nos Jogos de 2016, a baía terá condições de receber as regatas, mas alerta: “A população também precisa fazer sua parte.” É que, segundo ele, nove milhões de pessoas ainda jogam lixo nos rios que desembocam nas águas da Guanabara. Na verdade, o Comitê Olímpico ainda duvida se a baía estará limpa nos Jogos. Vamos torcer, vamos cobrar

15.11.2013 | 12h50m
Ancelmo.com: blog do colunista do jornal O Globo

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Internauta fotografa Baía da Guanabara, no Rio, repleta de lixo

Governo informou que possui ações para reduzir poluição na baía até 2016.
Projeto faz parte dos compromissos assumidos para as Olimpíadas.

Leitor registrou detritos na Baía de Guanabara no sábado (20). (Foto: Cristiano Trad/VC no G1)

Leitor registrou detritos na Baía de Guanabara no sábado (20). (Foto: Cristiano Trad/VC no G1)

Cristiano Trad Soares de Nazaré
Internauta, Rio de Janeiro, RJ

“Muito lixo, preservativo, tampinha de garrafa, sacos plásticos, vidros de remédio e até uma boneca. Era muita sujeira mesmo.” Esta é a descrição que o fotógrafo Cristiano Trad Soares de Nazaré faz da Baía de Guanabara, fotografada por ele na tarde de sábado (20), próximo à enseada de Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro.

“Eu sempre venho ao Rio e passo por aquela região, mas nunca vi aquele lugar como estava no sábado. Achei absurdo, a margem estava imunda”, diz o internauta, que é de Belo Horizonte (MG).

Nota da Redação: a Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro informou que conta com “ações para a recuperação ambiental da Baía de Guanabara”. O plano reúne 12 ações do Governo do Estado para o saneamento de 80% do esgoto despejado na baía até 2016, e “faz parte dos compromissos olímpicos assumidos pelo Governo do Estado com o Comitê Olímpico Internacional (COI) para a realização das Olimpíadas do Rio”.

Projeto Ecobarreiras, que recolhe resíduos sólidos das águas, está em fase de expansão, segundo Inea. (Foto: Cristiano Trad/VC no G1)

Projeto Ecobarreiras, que recolhe resíduos sólidos
das águas, está em fase de expansão, segundo
Inea. (Foto: Cristiano Trad/VC no G1)

A secretaria esclarece que a principal iniciativa de saneamento do Plano Guanabara Limpa é o Programa de Saneamento dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara (Psam), que “prevê a aplicação, até 2016, de R$ 1,3 bilhão em obras de esgotamento sanitário e em projetos de saneamento nos 15 municípios do entorno da Baía de Guanabara”.

“O Psam é apoiado e financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que concedeu empréstimo ao Governo do Estado de US$ 452 milhões. A contrapartida do governo são R$ 330 milhões, do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam).”

Sobre o lixo flutuante na baía, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que coordena o projeto Ecobarreiras, que tem o objetivo de “reter resíduos sólidos” despejados na água com “estruturas feitas a partir de materiais reciclados, como garrafas PET, instaladas próximas à foz de rios”.

Segundo a assessoria de imprensa do Inea, as primeiras barreiras foram implantadas em 2007, sendo que das 14 já instaladas até agora, “11 encontram-se em rios e canais que deságuam na Baía de Guanabara e que fazem parte do Plano Guanabara Limpa”. “Nas ecobarreiras são coletadas, em média, 370 toneladas de lixo por mês e, aproximadamente, dez toneladas de resíduos recicláveis”, diz o instituto.

Ainda de acordo com sua assessoria, o Ecobarreiras está em fase de expansão, e até as Olimpíadas de 2016 a previsão é que o número de estruturas instaladas no entorno da baía chegue a 16, dependendo de recursos de compensação ambiental e do Fecam.

22/07/2013 15h13
VC no G1 RJ


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Palco de competições olímpicas em 2016, Baía de Guanabara sofre com acúmulo de lixo

Um dos cartões-postais cariocas recebe diariamente uma média de cem toneladas de resíduos flutuantes

Quem resolve? Lixo acumulado numa praia próxima à Cidade Universitária: a Baía de Guanabara, que será palco de competições náuticas nas Olimpíadas, recebe uma média de cem toneladas de lixo flutuante todos os dias Foto: Custódio Coimbra / O Globo

Quem resolve? Lixo acumulado numa praia próxima à Cidade Universitária: a Baía de Guanabara, que será palco de competições náuticas nas Olimpíadas, recebe uma média de cem toneladas de lixo flutuante todos os dias
Foto: Custódio Coimbra / O Globo

EMANUEL ALENCAR

RIO – A cena, de tão cotidiana, já não causa mais estranheza a Isabel Swan. Ao botar o barco nas águas da Baía de Guanabara, a velejadora precisa se desvencilhar de sacos plásticos, tampinhas de refrigerantes, latas, palitos de sorvete… Um dos cartões-postais cariocas recebe diariamente uma média de cem toneladas de lixo flutuante, carregado pelos rios que cortam a Região Metropolitana do Rio, segundo estimativa do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Na ausência de coleta domiciliar adequada e com medidas paliativas que avançam a passos de formiga, a “boca banguela” cantada por Caetano Veloso sofre, a três anos dos Jogos Olímpicos.

— Treino diariamente na baía desviando de todo tipo de lixo flutuante. Em agosto vou receber atletas da Nova Zelândia aqui no Iate Clube (em Niterói). Estou envergonhada. O panorama não tem mudado nos últimos anos. Algo precisa ser feito com urgência. Temos que torcer para não chover ou bater um vento sul (condições em que o lixo se espalha mais facilmente) durante os Jogos Olímpicos — critica a velejadora, medalha de bronze em Pequim, há cinco anos.

Se cumprir a meta de despoluir 80% das águas da Baía de Guanabara até 2016 — um dos compromissos olímpicos — parece a cada dia uma tarefa menos exequível, os esforços do poder público se voltam para medidas paliativas. A principal delas são as ecobarreiras, obstáculos que visam a capturar o lixo flutuante. Atualmente, são 11 instaladas na foz dos rios que desembocam na baía. Em 2012, as ecobarreiras capturaram 4.246 toneladas de detritos, apenas 9,9% a menos do coletado no ano anterior (4.714 toneladas). Nos últimos dois anos, foram retirados desses rios 2.878 pneus — uma média de quatro por dia.

— As ecobarreiras, de fato, não têm eficiência muito grande. Inclusive são projetadas para que se rompam em caso de chuvas fortes, para evitar inundações — diz a presidente do Inea, Marilene Ramos, acrescentando que, sem coleta de lixo adequada nos municípios, será impossível chegar a uma solução definitiva.

Outra iniciativa pensada para o curto prazo é a instalação de Unidades de Tratamento de Rios (UTRs). A primeira delas (que beneficiaria a Baía de Guanabara), a ser instalada no Rio Irajá, ainda não saiu do papel. Custará R$ 40 milhões aos cofres da Petrobras — incluindo manutenção por dez anos —, como medida de compensação ambiental da Refinaria Duque de Caxias. A lógica das UTRs é tratar o esgoto já no leito dos rios, antes de a carga orgânica chegar à baía. A expectativa é que a unidade do Irajá trate 12% das fontes de poluição que chegam ao mar.

O prefeito de Caxias, Alexandre Cardoso, afirma que muitos caminhões de recolhimento de lixo são impedidos de entrar nas favelas dominadas pelo tráfico, aumentando o problema:

— Vamos tirar três mil casas das margens do Rio Sarapuí, com o programa Minha Casa Minha Vida. Essa questão do lixo está diretamente ligada à segurança pública. Volta e meia, as empresas de coleta são impedidas de entrar nas comunidades pelos traficantes.

Foto: Custódio Coimbra / O Globo

Foto: Custódio Coimbra / O Globo

Nas barcas, danos de R$ 2,3 milhões por ano

O lixo flutuante causa transtornos também ao transporte hidroviário. De acordo com a concessionária CCR Barcas, os danos provocados pelos resíduos implicam gastos anuais de R$ 2,3 milhões com limpeza, equipes de mergulho, substituição de filtros, pintura, energia e manutenção. Por causa do problema, em 2012, as barcas foram levadas 215 vezes ao estaleiro para serem consertadas — o número corresponde a 25% do total de reparos. O lixo afeta principalmente o sistema de refrigeração dos motores das embarcações.

— O volume pós-chuva é imensurável. Há cada vez mais lixo acumulado. Além de material orgânico, encontramos pedaços de geladeiras, redes de pesca, troncos de bananeiras, partes de sofás, velocípedes quebrados… — enumera o gestor de Operações da CCR Barcas, Jorge Castro.

E se filho feio não tem pai, como diz o ditado, há muito material boiando por aí sem que um responsável se apresente. As praias da Ilha do Catalão (no Fundão), área vizinha à Faculdade de Educação Física da UFRJ, mais parecem um lixão a céu aberto. Dentro do Fundão, a responsabilidade é da universidade. Mas, se o lixo chegar a uma praia da Ilha do Governador, por exemplo, a Comlurb recolhe, explica a companhia. A universidade informou que faz mutirões esporádicos, mas que as marés e as chuvas acabam trazendo resíduos de fora da Cidade Universitária. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em agosto de 2010, estabelece que, no caso das embalagens, quem pôs o material no mercado deve se responsabilizar por sua destinação adequada.

Na avaliação da promotora estadual de Justiça Rosani Cunha, pouco se avançou nos últimos anos na despoluição da Baía de Guanabara:

— Movemos uma ação (contra o estado) em 2007. O governo sempre diz que está fazendo obras. É lastimável. Surpreendentemente, o juiz (Ricardo Starling Barcellos, da 13ª Vara de Fazenda Pública) entendeu que o governo está agindo. Recorremos, e o caso agora está no TJ. A efetividade das ações de despoluição, a olho nu, é zero.

O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, pondera que a meta olímpica de despoluição exigirá esforços conjuntos, mas será cumprida:

— Lixo é do cidadão e das prefeituras. Mas não estamos de braços cruzados. Investimos R$ 6 milhões por ano em educação ambiental. E fechamos todos os lixões no entorno da baía.

O Comitê Rio 2016 diz ter “plena confiança” de que a Baía de Guanabara estará em perfeitas condições para a realização dos Jogos.

Presidente do Inea, Marilene Ramos, diz que prefeituras são as maiores culpadas pelo acúmulo de lixo na Baía de Guanabara:

Em 2008, o ambientalista Elmo Amador (falecido em 2010), em entrevista ao GLOBO, estimou em 80 toneladas por dia o volume médio de lixo despejado pelos rios que desembocam na Baía de Guanabara. Dá para fazer uma projeção atual?

Estimo que tenha havido um crescimento de 30% de lá para cá (ou seja, seriam cerca de cem toneladas por dia atualmente). A principal culpa é do precário serviço de coleta que as prefeituras prestam. Só dos rios Iguaçu, Botas e Sarapuí, na Baixada, já tiramos cinco milhões de metros cúbicos de lixo e lama.

Quantas ecobarreiras já foram instaladas e beneficiam diretamente a Baía de Guanabara? Elas funcionam?

Somente em rios que deságuam na Baía de Guanabara, temos 11 ecobarreiras. São um paliativo, não há uma eficiência muito grande. Durante chuvas torrenciais, elas arrebentam. As ecobarreiras são um paliativo. Não há uma eficiência muito grande. Estamos trocando a cooperativa de catadores da ecobarreira do Rio Meriti, porque volta e meia dá problema. O custo operacional é da Associação de Supermercados.

Qual a previsão para o funcionamento da Unidade de Tratamento do Rio (UTR) Irajá?

Fica pronta no fim do ano e está sendo bancada pela Petrobras. Se a gente conseguir implementar UTRs, já teremos uma situação bem mais confortável para 2016. Na Baía de Guanabara, hoje, dos 12 pontos de monitoramento, começamos a ter melhorias em dois: nas proximidades da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) Alegria (no Caju) e na ETE Icaraí.

GALERIA Baía agônica: lixo flutuante na Guanabara
VÍDEO O lixo flutuante na Baía de Guanabara

28/04/13
Jornal O Globo


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