Animação mostra os impactos reais do lixo marinho

por Natalie Andreoli, da Associação Brasileira do Lixo Marinho
ablm-sc@globalgarbage.org.br

A animação Sources and impacts of marine litter (Fontes e impactos do lixo marinho), feita por Jane Lee, para o projeto MARLISCO (MARine Litter in Europe Seas: Social AwarenesS and CO-Responsibility) conseguiu, em menos de quatro minutos, resumir de forma bem didática as principais fontes de lixo marinho: aquele que é jogado no chão ou se dispersa no caminho até um aterro sanitário; os petrechos de pesca que são abandonados, perdidos ou descartados (PP-APD) no mar; a garrafa PET que se fragmenta em pedaços menores de plástico; o cotonete que é descartado no vaso sanitário; as microesferas de plástico que estão presentes em cremes dentais e que fluem pelos ralos; as máquinas de lavar que depositam microplásticos nos cursos d’água; os microplásticos que absorvem químicos tóxicos e que são ingeridos por animais e acabam indo parar no topo da cadeia alimentar.

O vídeo mostra ainda os 5 giros oceânicos, onde os plásticos tendem a acumular, devido à convergência de correntes oceânicas e os impactos reais causados pelo lixo marinho: à saúde e segurança humana, com riscos a navegação; impactos econômicos, tanto com a limpeza de praias, como gastos com manutenção de embarcações danificadas; ingestão de lixo e aprisionamento fatal em plásticos por animais marinhos.

O principal objetivo do projeto MARLISCO, que é financiado pela Comissão Europeia, é sensibilizar o público, facilitar o diálogo e promover a corresponsabilidade entre os diferentes atores, no sentido de estabelecer uma visão conjunta para a gestão sustentável do lixo marinho em todos os mares europeus.

Setúbal: Exposição revela projecto europeu de combate ao lixo marinho

© O Bocagiano

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Marcia Moço

O que é o lixo marinho, de onde vem e para onde vai, de que forma afecta o meio ambiente e o ser humano são algumas das questões que podem encontrar resposta na exposição “Lixo marinho: Um problema global“, inaugurada este sábado, na Galeria Municipal do Onze. A mostra onde os visitantes podem interagir para aprender a dimensão deste problema global vai estar patente em Setúbal até ao próximo dia 30 de Novembro.

Portugal é um dos quinze países que fazem parte do projecto europeu Marlisco, que pretende levar até às pessoas a realidade das causas e efeitos do lixo marinho. A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT/UNL) é o parceiro português deste projecto, sendo também responsável pela exposição na galeria municipal em Setúbal.

Paula Sobral, professora e coordenadora do projecto em Portugal, explica que o principal objectivo desta mostra é o de “fazer chegar a informação sobre este problema do lixo marinho, que é um problema global, de todos os países e continentes, e que aqui é um problema de todos nós”.

“A exposição está organizada de maneira a ilustrar os conceitos teóricos sobre o lixo marinho mas também os aspectos mais práticos com muitos exemplos que apanhamos aqui nas nossas praias”, explica Paula Sobral. A mostra integra uma secção onde é possível ver quais os tipos de resíduos deixados nas praias de Setúbal.

A exposição que pode ser visitada de terça-feira a sábado, até dia 30, vai viajar pelo país até 2015, passando de seguida pelo Centro de Ciência Viva de Vila do Conde e pelo Centro de Ciência Viva de Aveiro. Por ser um projecto internacional, a mostra vai ainda percorrer os restantes 14 países que integram este projecto, nomeadamente, Reino Unido, Irlanda, França, Holanda, Alemanha, Bélgica, Itália, Grécia, Chipre, Turquia, Dinamarca, Roménia, Eslovénia e Bulgária.

“Queremos principalmente sensibilizar e co-responsabilizar as pessoas no sentido de vir a reduzir este problema gravíssimo que não pára de aumentar”, salienta Paula Sobral.

Combate ao lixo marinho motiva a criação da Associação Portuguesa do Lixo Marinho

A importância de acabar com o lixo marinho moveu várias pessoas e entidades para a criação de uma associação que permitisse acelerar o combate a este problema global. “Pensamos que chegou a altura de criar uma Associação Portuguesa do Lixo Marinho porque este é um problema muito importante. Toda a comunidade científica está a dar muita importância a isto, e a própria sociedade em si está muito receptiva porque é fácil de perceber que isto é um problema”, conta Paula Sobral.

A professora adianta que este projecto deverá ter início ainda durante este mês de Novembro, contando com o apoio de várias entidades. “Há várias pessoas interessadas, figuras individuais e algumas instituições, como a Agência Portuguesa do Ambiente, a Docapesca, a FCT/UNL, pessoas de Aveiro, do Porto”, explica.

“A figuração de sócios colectivos também permitirá que outras entidades, como a Associação Portuguesa dos Industriais e dos Plásticos, possam também associar-se a nós no sentido de todos juntos podermos resolver este problema que de todos”, afirma Paula Sobral.

A coordenadora do projecto Marlisco em Portugal realça que, “no início, a associação pretende ser uma plataforma de concentração de informação e de divulgação dessa informação”. A associação vai também poder disponibilizar materiais “para as escolas desenvolverem acções e para outras entidades que queiram divulgar esta temática e que possam recorrer a nós no sentido de fornecermos a parte técnica”.

Os objectivos da Associação Portuguesa do Lixo Marinho passam também por “desenvolver projectos com outras instituições, tudo sempre na óptica da redução do lixo marinho e para contribuir para acabar com este problema”.

03/11/2013 08:44
O Bocagiano – Jornal Regional de Setúbal

Lançamento do primeiro estudo europeu sobre lixo marinho

© Global Garbage Brasil

© Global Garbage Brasil

Uma equipa de cientistas está a lançar um estudo a nível europeu que pretende disponibilizar as primeiras informações detalhadas sobre a perceção da população sobre o lixo marinho.

Este estudo, que está a ser conduzido pela Universidade de Plymouth, irá avaliar como as atitudes da população, relativamente aos impactes e possíveis soluções para este problema ambiental em crescimento, variam entre países e entre os que fabricam, vendem, utilizam ou eliminam os vários itens que se podem tornar lixo marinho.

Este estudo está a ser liderado pelo professor Richard Thompson, do Centro de Investigação de Biologia Marinha e Ecologia, e pela Dr.ª Sabine Pahl e Bonny Hartley da Faculdade de Psicologia da mesma Universidade. A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa é responsável pela sua implementação em Portugal.

“Sabemos que o lixo marinho afeta uma grande variedade de vida marinha incluindo espécies comerciais importantes, muitas das quais bastante ameaçadas. Este lixo apresenta uma ameaça para os marinheiros e a sua remoção é excecionalmente cara. Contudo muitos dos itens que normalmente encontramos como lixo marinho, como embalagens, não têm nenhum motivo para se acumularem no mar. Este estudo fornece uma oportunidade única para ajudar a compreender as causas subjacentes e identificar potenciais soluções para este grande problema ambiental”, refere o professor Thompson.

Lixo marinho é qualquer material duradouro, fabricado ou processado que é descartado, eliminado ou abandonado na costa ou no mar.

Para este estudo, serão realizados inquéritos para se conhecer a opinião das pessoas sobre lixo marinho, por exemplo, que tipos de lixo se encontram no mar, de onde vêm e que consequências têm.

Segundo Bonny Hartley, “o lixo marinho é um problema social no qual as pessoas desempenham um papel fundamental através das suas decisões e comportamentos. Afeta os visitantes das praias, é causado pelo comportamento dos consumidores, retalhistas e vários outros stakeholders (partes interessadas) e só poderá ser resolvido se as pessoas trabalharem juntas. Compreender as atitudes atuais em toda a Europa e perceções do problema é um passo crucial para desenvolver soluções viáveis e aceites pela sociedade.”

Este estudo irá comparar as opiniões de pessoas de 16 países das regiões do Atlântico Nordeste, Mediterrâneo, Báltico e Mar Negro. Terá como alvo diferentes sectores da sociedade, incluindo os que desenvolvem atividades comerciais e de recreio na costa e no mar, organizações e grupos ambientalistas, professores e outros formadores, governos e decisores políticos, comunicação social, entidades do sector de gestão de resíduos, bem como os que desenvolvem, produzem e comercializam itens que podem dar origem a lixo marinho.

Faz parte do projeto MARLISCO, projeto de três anos financiado pela Comissão Europeia, que visa aumentar a consciência social relativamente aos problemas e possíveis soluções relacionados com o lixo marinho, de forma a inspirar mudanças nas atitudes e comportamentos da população relativamente a este problema ambiental.

O inquérito leva cerca de 15 minutos a responder e a informação que disponibiliza é anónima e confidencial. Para participar visite www.psy.plymouth.ac.uk/MARLISCO.