Caule Eco.lógicos surge para ser canal de referência entre produtores ecológicos, empreendimentos comerciais e consumidores finais

Para selecionar o que há de mais saudável pra você e pro planeta em termos de higiene e beleza

Janine Schmitz – Sócia-fundadora da Caule Distribuidora de Produtos Eco.Lógicos

Janine Schmitz, Sócia-fundadora da Caule Eco.Lógicos

por Janine Schmitz, da Caule Eco.lógicos

A cena se repete todo dia, infinitas vezes ao longo da vida de cada um, diante da gôndola temos de decidir o que comprar para nós e para nossa família.

A responsabilidade é enorme, mas em geral não percebemos. Quando escolhemos um produto, tirando-o da prateleira e levando para nossa casa, estamos decidindo que marcas permanecerão no mercado e crescerão e portanto, indiretamente, aprovando os valores que as regem.

Decidimos também qual será o impacto do descarte desse produto.

Cerca de 100% dos ingredientes de produtos de higiene e beleza convencionais são feitos de moléculas artificiais, sintéticas, imitam as naturais, mas não são naturais e por isso se comportam como o plástico em termos de biodegradação. Essas moléculas permanecerão por centenas de anos poluindo e prejudicando todos os seres na natureza, dos menores aos maiores, dos insetos como as abelhas aos maiores como os jacarés. Ainda que sejam invisíveis, essas moléculas tem um impacto negativo altíssimo. As microesferas de plástico são a parcela mais visível do problema dos ingredientes dos produtos de higiene e beleza.

Em geral não nos damos conta dessa responsabilidade e do poder, intrínseco ao consumo. Em alguns casos começamos a nos dar conta e nos assombramos, e por isso resolvemos fechar os olhos e pensar em outras coisas.

Comecei a me dar conta dessa responsabilidade e desse poder há mais de 10 anos, quando comecei a praticar o consumo consciente. Não foi fácil, mas foi e é instigante, envolvente, desenvolve minha criatividade e o mais importante dá sentido ao meu cotidiano.

Não existe a possibilidade de eu comprar algo sem ler o rótulo. E foi por querer compartilhar o que vou descobrindo de melhor, em termos de produtos de higiene e beleza saudáveis para as pessoas e o planeta, que criei a Caule Eco.lógicos.

Levei muitos anos tendo contato com informações e insights preciosos para chegar a discernir com maior facilidade um produto perigoso de um produto saudável. Dedico-me a continuar aprendendo e criar formas de passar as informações que tenho, adiante.

Com a amiga Suelen Sandri levo adiante a Campanha Beleza com Consciência para explicar para as pessoas os males dos ingredientes químicos sintéticos e os benefícios dos ingredientes naturais e orgânicos em produtos de higiene e beleza.

Escrevi o Guia de Cosméticos Saudáveis: guia.caule.com.br

E por último criamos o Aplicativo da Caule onde é possível acessar grande parte das informações necessárias pra fazermos escolhas mais conscientes em termos de terapias, higiene e beleza.

No aplicativo da Caule tem um link pro incrível aplicativo “Beat the Microbead” (Combata as microesferas), gerenciado no Brasil pela ABLM – Associação Brasileira de Lixo Marinho, que pelo código de barra de sabonetes, esfoliantes e cremes dentais identifica se na fórmula contém as microesferas de plástico. Parece mesmo mágica só escanear o código de barras e ter essa informação.

No próximo banho olhe com outros olhos o ralo, o destino do ralo é sempre o rio e tudo que passa pelo ralo, passou antes pela nossa pele que absorve grande parte dos produtos, nos nutrindo ou nos intoxicando e irá pro ambiente, o lar de muitos e a água de todos os seres.

Nosso corpo e ambiente são natureza, são terrenos biológicos, em nosso corpo os ossos correspondem aos minerais, a carne à terra, o sangue ao sistema hídrico, a respiração, ao ar, nosso sistema digestivo ao fogo. Todos esses sistemas são profundamente agredidos por elementos sintéticos já que não falam a mesma língua.

Cuidar do nosso corpo como extensão do planeta e cuidar do planeta como extensão do nosso corpo é uma escolha simples e revolucionária. Decida com consciência o que comprar e o que usar e por consequência sua saúde e do ambiente vão melhorando também.

“Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível”.
São Francisco de Assis

ABLM participa da 23ª Travessia da Ilha do Campeche em Florianópolis

Organizadores das ações socioambientais realizadas durante a 23a travessia da Ilha do Campeche.

Organizadores das ações socioambientais realizadas durante a 23a travessia da Ilha do Campeche.

por Natalie Andreoli, da ABLM – Associação Brasileira do Lixo Marinho
16 de março de 2015

A 23ª Travessia da Ilha do Campeche, evento tradicional em Florianópolis, SC, organizado pela academia Sotália Sports, contou com a participação de mais de 200 atletas neste último sábado. Enquanto os atletas realizavam a prova, diversas ações socioambientais foram realizadas nas areias da Praia do Campeche.

A ABLM – Associação Brasileira do Lixo Marinho, juntamente com a Sotália Socioambiental, Programa Bandeira Azul e Projeto Lontra organizaram um mutirão de 15 minutos, com foco no microlixo.

O mutirão teve a participação de 79 pessoas, incluindo adultos e crianças, além da participação dos organizadores do evento e ecovoluntários do Projeto Lontra. O total de lixo marinho retirado da praia do Campeche foi de 1.550 bitucas de cigarro, 150 litros de plástico, 50 litros de metal, 30 litros de papel e 150 litros de rejeitos.

A destinação correta dos resíduos coletados na praia e gerados durante o evento (aproximadamente 23 Kg de recicláveis e 100 Kg de orgânicos) foi feita pela empresa Oeko.

Enquanto a ABLM, Programa Bandeira Azul e voluntários do Projeto Lontra faziam a triagem e contabilização do lixo marinho coletado, alguns integrantes do Projeto Lontra realizaram uma oficina com crianças ensinando a montar um peixe a partir de uma garrafa PET.

Além disso, durante o evento esteve presente a Caule Eco.lógicos, fazendo demonstração de produtos cosméticos que não agridem o meio ambiente, incluindo o creme dental Contente Orgânico, que não contém microesferas de plástico em sua composição. Os autores Alex Eckshmidt e Eduardo Beskow também falaram sobre o seu livro “Sustentabilidade para todos – Faça a sua parte!”, que foi sorteado entre os participantes do mutirão. O Programa Bandeira Azul distribuiu material informativo sobre conduta consciente nas praias.

O problema do lixo marinho é global e o Brasil também contribui para o problema. Em um estudo publicado recentemente na revista Science (Plastic waste inputs from land into the ocean) estimou-se que 4,8 à 12,7 milhões de toneladas de lixo plástico entraram nos oceanos em 2010 e o Brasil foi um dos 20 países responsáveis por 83% desse valor. Portanto, ações de educação ambiental como esta sensibilizam os frequentadores de praia e são uma das possíveis soluções para minimizar o problema do lixo marinho.

Oceanos estão virando lixões invisíveis

© Gerd Liebezeit

© Gerd Liebezeit

Por Daniela Chiaretti | De Montego Bay, Jamaica
Valor Econômico
20/01/2014 às 05h00

Os cientistas ficaram horrorizados ao entrar no chuveiro e encontrar pequenas bolinhas coloridas, de 2 a 3 mm de diâmetro, misturadas ao sabonete líquido oferecido pelo hotel. Era o prenúncio de uma crise no início da conferência sobre poluição nos oceanos promovida pelas Nações Unidas em Montego Bay, na Jamaica, no fim de 2013, e que acontecia no mesmo lugar onde todos os 250 participantes estavam hospedados.

A suspeita dos pesquisadores era de que o sabonete fosse um daqueles produtos de higiene pessoal que vêm com microesferas de plástico. Elas vêm sendo usadas nos últimos 10 anos pelos fabricantes de cremes de barbear, xampus, esfoliantes e outros cosméticos. As estações de tratamento de água não foram projetadas para reter partículas tão pequenas e as bolinhas acabam indo da pia direto para os mares. Plásticos são um grande desastre para os oceanos e ecossistemas costeiros, e quanto menores, pior o estrago. Microesferas plásticas são encontradas em ostras, mariscos e até baleias.

A conferência promovida pelo governo da Jamaica e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) debatia justamente os elos entre as atividades terrestres e seu impacto no mar. O cenário não é animador: esgotos, produtos químicos e plásticos estão transformando as costas em lixões, reduzindo a biodiversidade marinha e aumentando as zonas mortas em todos os oceanos.

“Resíduos plásticos são um problema transfronteiriço clássico”, diz estudo do Pnuma. “É possível recuperar uma parte através da limpeza das costas, mas há muito mais em áreas não visíveis do oceano, tanto na superfície como no fundo”, continua. “Os oceanos estão sofrendo e as soluções não podem vir de um único país”, disse Elizabeth Maruma Mrema, vice-diretora do Departamento de Políticas Ambientais do Pnuma. “Temos que buscar parcerias, dividir as melhores práticas e o setor privado têm que estar a bordo”, continuou.

É difícil quantificar o volume de lixo que chega aos mares do mundo, só é possível fazer estimativas. Em 1997, a Academia de Ciências dos Estados Unidos estimou o volume em 6,4 milhões de toneladas anuais. Outros cálculos projetam que 8 milhões de itens de lixo vão para os oceanos todos os dias. Os navios seriam responsáveis por 5 milhões disso, segundo o Pnuma.

Outras análises falam em 13 mil pedaços de lixo plástico flutuando em cada quilômetro quadrado de superfície oceânica. Estima-se que 90% dos esgotos dos países em desenvolvimento cheguem aos rios, lagos e mares sem tratamento, sem falar no excedente dos produtos químicos usados na agricultura – um fenômeno conhecido como ciclo do fósforo e do nitrogênio. Segundo a Global Partnership for Oceans, aliança internacional de governos, ONGs e empresas, existem atualmente 405 zonas mortas nos oceanos – lugares onde a vida marinha não pode sobreviver.

Neste panorama, as microesferas de plástico aumentam o desastre. “Há dois problemas complexos relacionados aos microplásticos: o físico, do plástico que não degrada, e o químico, que tem a ver com o produto que está dentro das microesferas”, diz o britânico Peter J. Kershaw, especialista em ecossistemas marinhos. O pesquisador, que representa o Gesamp (grupo de especialistas em oceanos que assessora agências da ONU), explica que os microplásticos foram usados há vários anos como abrasivos na limpeza de prédios, e só mais recentemente chegaram à indústria de cosméticos. “Os grandes plásticos se quebram no mar e a limpeza fica cada vez mais complicada, mas eles são visíveis, chegam às praias. Mas e o que não vemos? E o que está no leito do mar?”, questiona. “Sabemos que os microplásticos afetam a saúde de organismos marinhos. Foram encontrados em moluscos, terão efeito na pesca. Têm um risco em potencial, que ainda não conseguimos detectar claramente.”

Em 2011, a pequena ONG holandesa North Sea Foundation começou uma campanha pedindo às empresas que parassem de usar microesferas plásticas assim que possível. Outra organização, a Plastic Soup Foundation, juntou-se ao esforço. “Há lugares em que a concentração de plásticos no mar é 20 vezes superior à de plâncton”, diz a ambientalista Maria Westerbos, diretora da Plastic Soup. As duas ONGs lançaram um aplicativo para celulares que funciona na Holanda e permite aos consumidores escanearem produtos de higiene pessoal para ver se têm ou não microesferas plásticas.

Fizeram mais que isso: pediram às pessoas que participassem de um “tuitaço” solicitando à Unilever que deixasse de usar microesferas em seus artigos. O esforço deu resultado imediato, diz Westerbos. A Unilever anunciou que todos os seus produtos ao redor do mundo não teriam mais microesferas plásticas até 2015. Outros grandes nomes do setor também informaram que estavam parando de usar, algumas pedindo prazos maiores. “Miramos os cosméticos, mas estou convencido que há microesferas em muitos produtos que usamos”, diz Jeroen Dagevos, gerente da North Sea. “Não há legislação sobre isso ainda.”

No Brasil, nenhum executivo da Unilever quis falar sobre o assunto com a reportagem do Valor. A assessoria de imprensa enviou um comunicado da empresa no exterior. Ali se lê que a Unilever utiliza hoje microesferas apenas em produtos esfoliantes, pela sua característica de eliminar células mortas da pele, e confirma a decisão de abandonar o material, em resposta à preocupação de stakeholders. Diz ainda que estão sendo pesquisados substitutos naturais.

Algumas estatísticas calculam que plásticos respondem por 90% da poluição marinha. “Nosso foco é a poluição por plásticos. As pessoas jogam fora, porque é um material feito para jogar fora”, diz Daniella Russo, diretora-executiva da Plastic Pollution Coalition, uma rede de indíviduos, organizações e empresas. “É um produto difícil de fazer, muitos não são recicláveis. As pessoas começam a entender que suas atitudes têm que mudar”, continua. A organização está buscando sensibilizar os jovens para o problema. “Trabalhamos em 120 campi universitários no mundo que estão reduzindo seu uso de plástico. Todos podem trazer de casa sua própria xícara e reutilizar a garrafinha de água.” A ambientalista aposta que alguns produtos têm seus dias contados. “Canudinhos? Pode-se viver sem, acho. Banir o uso de sacolas plásticas no mundo é algo que, definitivamente, vai acontecer um dia”, diz ela. “E a razão disso é econômica, não ambiental: é caro para as prefeituras se livrar das sacolas de plástico.”

Os ecossistemas costeiros contribuem com 38% do PIB mundial, diz Elizabeth Mrema, e as áreas de mar aberto, por outros 25%. Nas estimativas da Global Partnership for Oceans, as perdas globais pela má exploração dos estoques pesqueiros foram de US$ 2,2 trilhões nas últimas três décadas.

A pressão sobre os oceanos tende a aumentar. Em 2015, as estimativas projetam que um quinto da população mundial viverá em áreas costeiras. Em 2030 perto de 5 bilhões de pessoas viverão em cidades, muitas a menos de 60 quilômetros do mar. “Algumas destas tendências são inevitáveis. Mas o mundo pode ainda determinar a quantidade e a qualidade dos efluentes que chegam aos rios e mares se conseguir criar elos sustentáveis entre cidades, áreas rurais e os ecossistemas ao redor”, diz material do Pnuma.

O desafio de proteger os oceanos não é simples. Se a meta for preservar a biodiversidade marinha, os procedimentos são diferentes daqueles dos ecossistemas terrestres. “A proteção da biodiversidade marinha é complexa”, diz o professor Richard Kenchington, do Australian National Centre for Ocean Resources & Security (Ancors). “Em terra, quando um sistema está ameaçado, é comum criar um parque para protegê-lo. No mar, criar áreas protegidas é útil, mas complicado. É preciso ter um conceito mais global.”

O australiano diz que aumentar a consciência ambiental sobre a necessidade de se proteger as barreiras dos corais foi útil porque é algo que as pessoas podiam identificar. “Os corais são como bonitos jardins do mar, têm impacto visual, são um símbolo. Mas são tão importantes quanto outros ecossistemas marinhos que são vistos apenas por quem mergulha.”

A conferência na Jamaica terminou com os participantes reforçando a necessidade de se criar parcerias para lidar com a poluição marinha. E com um alívio: as bolinhas do sabonete líquido do chuveiro eram de material gelatinoso totalmente degradável.

A jornalista viajou a convite do Pnuma/ONU


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