Ambiente marinho é prejudicado pela poluição por microplástico

Entrada de “pellets” nos ambientes marinhos e costeiros pode trazer graves consequências aos ecossistemas e até mesmo aos seres humanos. Diretrizes e ações por parte de órgãos públicos e privados são necessárias no Brasil

© Global Garbage Brasil

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Por Stella Correia Bonici, da Agência Universitária de Notícias
Edição Ano: 48 – Número: 02 – Publicada em: 20/01/2015

Visando analisar a origem da poluição por microplásticos – grânulos de matéria plástica com menos de 5 milímetros de diâmetro, também chamados de “pellets” – nos oceanos, suas consequências e possíveis soluções para o problema, a pesquisadora do Instituto de Oceanografia (IO) da Universidade de São Paulo (USP), Flávia Cabral Pereira, desenvolveu seu estudo de mestrado. Atualmente, a poluição marinha por microplástico, material encontrado em diversos ambientes marinhos e costeiros do Brasil e do mundo, é uma grande preocupação, principalmente em função de sua elevada capacidade de dispersão e resistência à degradação.

Comumente componentes do lixo marinho, os pellets provavelmente chegam aos oceanos através de perdas acidentais durante o transporte oceânico ou do escoamento por drenagem de perdas de processos industriais. Encontrados em áreas próximas a centros urbanos e portos, e até mesmo em alto mar, apenas três ocorrências da presença do material foram formalmente publicadas no Brasil, na cidade de Santos, São Paulo, em Tamandaré, Pernambuco, e Fernando de Noronha. Porém, coletas do Projeto Marplast, convênio entre a Plastivida e o IO, revelam que outras praias em São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro de Santa Catarina também são alvo do contaminante.

O objeto de estudo da tese são os microplásticos primários, resinas termoplásticas que podem ser transportados na forma de grãos ou pó. “Uma visão macro utilizada como critério de análise para este trabalho permite identificar duas fases distintas na cadeia dos plásticos como um todo: pré-consumo e pós-consumo. Estes microplásticos podem ser considerados como existentes apenas na etapa pré-consumo, tendo em vista que são produzidos pelas indústrias de segunda geração (produtoras) e moldadas nas indústrias de terceira geração (transformadoras). Então, a partir daí, eles dão origem aos mais diversos produtos plásticos que chegam ao consumidor final, como embalagens, brinquedos, componentes automotivos, utilidades domésticas, peças para a indústria eletroeletrônica e para a construção civil, dentre uma infinidade de outras aplicações”, completa Flávia.

Essas partículas são um problema em potencial aos organismos vivos, uma vez que a ingestão de plástico pode gerar bloqueio intestinal ou úlceras no estômago, reduzindo a absorção de nutrientes, além de provocar uma falsa sensação de saciedade e alterações hormonais prejudiciais à reprodução dos animais. “Além disso, a superfície dos pellets pode absorver poluentes orgânicos persistentes (POPs), como PCBs (Bifenispoliclorados) e DDTs (DicloroDifenilTricloetano), contaminando os animais que os ingerem e causando problemas hormonais, o que pode acarretar em alterações nas taxas de crescimento e reprodução, inclusive levando à morte. Ainda, aditivos químicos como corantes e antioxidantes, comumente adicionados à composição das resinas termoplásticas para alterar suas características naturais e aprimorar seus usos finais podem ser tóxicos provocando efeitos nocivos aos organismos”, afirma a pesquisadora.

Brasil precisa de soluções

No âmbito internacional, o problema da poluição por microplásticos já teve algumas iniciativas desenvolvidas, como é o caso do programa “pellet zero”, ancorada no programa Operation Clean Sweep (OCS). O programa consiste na apresentação de um manual com orientações para auxiliar a gestão das operações nas indústrias de plástico, com o objetivo de reduzir a perda do composto para o ambiente.

No caso brasileiro, a simples tranposição dos programas internacionais para a realidade do país não resolveria o problema, porque primeiramente é necessário levantar informações sobre a produção e a logística das indústrias, dados que ainda não estão disponíveis no país. “Além disso, não é possível absorver diretamente os manuais produzidos por outros países em uma proposta nacional, tendo em vista que realidades diferentes refletem problemas, lógicas e, consequentemente, soluções distintas. Importar uma solução proposta em outro contexto e realidade incorre, em grande probabilidade, na geração de resultados ineficientes e incoerentes, não adequados para solucionar o problema em questão”, explica.

Para Flávia, a resolução do problema vem através de uma interlocução entre iniciativa privada, órgãos públicos do poder e sociedade civil. “A solução do problema de forma integrada e sistêmica perpassa pelo envolvimento dos principais atores mapeados , como proposto pela Estratégia de Honolulu, que marca uma nova abordagem transetorial para ajudar a reduzir a ocorrência de lixo marinho, bem como os danos que esses resíduos provocam nos habitats marinhos, na economia global, na biodiversidade e na cadeia alimentar humana.”

Fonte: Instituto Oceanográfico – USP

Os oceanos pedem ajuda aos gritos por causa do lixo plástico

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por Manipadma Jena, da Envolverde/IPS

Atenas, Grécia, 15/10/2014 – Um albatroz de pata negra alimentando seus filhotes com bolinhas de plástico, um bebê foca no Polo Norte com um saco enrolado no pescoço ou um barco de pesca perdido em alto mar porque um aparelho de pesca se enroscou na hélice, são exemplos que multiplicados por mil dão ideia do estado dos oceanos. Estima-se que cerca de 13 mil dejetos plásticos flutuam para cada quilômetros quadrado de oceano e que 6,4 milhões de toneladas de lixo desembocam neles a cada ano.

Pesquisadores e cientistas preveem um futuro nefasto para estas vastas extensões de água que são vitais para a existência de nosso planeta. Um cálculo conservador do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) diz que o prejuízo econômico do plástico nos ecossistemas marinhos chega a US$ 13 bilhões por ano, segundo um comunicado divulgado no dia 1º deste mês.

A saúde dos mares e dos ecossistemas oceânicos concentra a atenção da 12ª Conferência das Partes (COP 12) do Convênio sobre a Diversidade Biológica, que acontece na cidade sul-coreana de Pyeongchang até o dia 17. Entre as 20 Metas de Aichi para a Diversidade Biológica, acordadas na cidade japonesa de Nagoya em 2011, a preservação da biodiversidade marinha é um dos objetivos fundamentais. A meta 11 assinala a importância de identificar “áreas protegidas” para preservar os ecossistemas marinhos, especialmente dos efeitos danosos das atividades humanas.

Na 16ª reunião global dos Planos de Ação e Convênios sobre Mares Regionais, do Pnuma, que aconteceu em Atenas entre 20 de setembro e 1º deste mês, houve um consenso quase unânime sobre os dejetos representarem um “tremendo desafio” para o desenvolvimento sustentável.

Nessa oportunidade, cientistas e autoridades do mundo se reuniram para desenhar um novo mapa do caminho capaz de deter a rápida degradação de oceanos e mares e criar políticas para um uso sustentável, bem como integrá-los na agenda de desenvolvimento posterior a 2015. O tema está entre as maiores prioridades desde a Cúpula da Terra, como é chamada a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Brasil em 2012 e conhecida como Rio+20.

O número 14 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que são discutidos para substituir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio a partir do final de 2015, foca em reduzir de forma significativa a contaminação marinha até 2025. “Não tivemos nenhuma dificuldade para promover a explícita inclusão dessa meta nos ODS propostos”, destacou Jacqueline Alder, diretora de Ecossistemas Marinhos e de Água Doce da Divisão de Implementação da Política Ambiental do Pnuma. “Afinal, os oceanos são um problema de todos e todos geramos lixo”, pontuou à IPS.

“Os dejetos orgânicos são o principal elemento dos desperdícios que chegam aos mares, e representam entre 40% e 80% do lixo municipal nos países em desenvolvimento e 20% a 25% nos países ricos”, detalhou Tatjana Hema, oficial de programa para controle de componentes e avaliação de contaminação do Plano Mediterrâneo de Ação.

Porém, os microplásticos estão entre os contaminantes mais prejudiciais que inundam os mares. A substância danosa se forma quando os plásticos se fragmentam e se desintegram em partículas com não mais do que cinco milímetros de diâmetro, chegando até a um milímetro.

“Descobriu-se que os micro e nanoplásticos passaram às microparedes das algas”, explicou Vincent Sweeney, coordenador do Programa Global de Ação para a Proteção do Ambiente Marinho por meio de Atividades Terrestres (GPA). “Mas ainda não se sabe como afetará a cadeia alimentar de animais marinhos, nem a saúde humana quando ingeridas por intermédio dos peixes”, afirmou à IPS. “A existência do problema do microplástico até agora é especulativo. Ainda não temos noção de quanto isto afeta os oceanos”, ressaltou.

Os ODS relacionados com os oceanos devem se ajustar a quatro critérios: serem viáveis, factíveis, mensuráveis, alcançáveis. Ao contrário, por exemplo, da redução da acidificação do oceano (cuja única causa é o dióxido de carbono) que facilmente cumpre os quatro critérios, o problema do lixo não é tão simples, em parte porque “o que aparece na praia não necessariamente é um sinal do que ocorre no oceano”, destacou Sweeney.

“O lixo que chega aos mares se desloca por longas distâncias, se tornam internacionais. É difícil encontrar seu dono”, explicou Sweeney. Os dejetos se acumulam em torvelinhos em meio ao oceano, um fenômeno de circulação da água que costuma atrair os materiais que flutuam. “O risco de não conhecer a magnitude exata desses dejetos é que nos leva a pensar que é muito grande para manejar”, destacou o coordenador do GPA. Mas, mediante a sensibilização, se gera um “impulso” e agora se torna prioritário em diferentes níveis.

“Eliminar a contaminação dos oceanos é uma pretensão que não veremos em vida, mesmo se pararmos de jogar lixo no mar, o que ainda não conseguimos. O custo é impensável. A maioria do lixo está fora de nosso alcance. Além disso, limpar a superfície dos dejetos flutuantes levará muito tempo”, acrescentou. “Embora haja diferentes causas para a contaminação marinha em cada país, o denominador comum é que consumimos mais e geramos mais lixo, e a maioria é plástico”, enfatizou.

Além disso, a falta de informação e de alto custo para limpar a contaminação, os meios de execução ou de financiamento das metas dos ODS relacionados com o oceano representam um desafio adicional para as regiões. Na Grécia, se tomou consciência da crise quando Evangelos Papathanassiou, diretor de pesquisa do Centro Helênico de Pesquisa Marinha em Attiki, a 15 quilômetros de Atenas, relatou à imprensa ter encontrado uma máquina de costurar a quatro mil pés (1.219 metros) de profundidade no Mar Mediterrâneo.

“A contaminação marinha derivada da aquicultura, do turismo e do transporte é mais urgente no Mar Negro e no Mar Mediterrâneo, mas não recebem a atenção que merece”, destacou Sweeney. Para que a nova era de desenvolvimento tenha sucesso, os seres terrestres devem prestar urgente atenção ao mar e ao oceano, que pede ajuda aos gritos.

Um desafio adicional

Em países da Ásia Pacífico como China, Japão, Rússia e Coreia do Sul foram criadas práticas replicáveis, segundo Alexander Tkalin, coordenador do Plano de Ação do Pacífico Nordeste do Pnuma. “Coreia do Sul e Japão são grandes doadores e ambos adotaram leis específicas relacionadas com os desperdícios que chegam aos mares”, contou à IPS.

“O Japão mudou a legislação para incentivar a limpeza de dejetos marinhos, ajustando a lei sob a qual, normalmente, paga-se multa por contaminar, mas agora o governo paga às municipalidades para que limpem as praias depois de um tufão, quando raízes e restos do solo marinho estão espalhados na praia”, acrescentou Tkalin. Na Holanda e nos Estados Unidos também há programas sólidos sobre lixo marinho, como no Haiti, segundo Sweeney.

24° Encontro Anual da SETAC Europa

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A apresentação de M. Rani sobre o vazamento de HBCD em bóias de EPS – © Heidi Acampora

por Heidi Acampora, da ABLM – Associação Brasileira do Lixo Marinho
26 de maio de 2014

O 24° encontro anual da SETAC (Sociedade de Toxicologia e Química Ambiental) aconteceu na Basiléia, Suíça, nos dias 11 a 15 de maio de 2014. O encontro contou com mais de 2.000 participantes, durante 4 dias no Centro de Congressos da Basiléia.  Sendo um encontro sobre Toxicologia, os assuntos poderiam se tornar muito amplos, e de fato eram, mas especificamente em um dos dias houve uma inteira sessão dedicada à poluição por macro e microplásticos (Denominada de “Poluição por macro, micro e nanoplásticos em ambientes aquáticos e terrestres: Fontes, destinos, exposição e impactos toxicológicos e ecológicos”). Os assuntos nas palestras variaram desde a presença de microplásticos em sedimentos à contaminação de frutos do mar, passando pela liberação de compostos químicos do plástico aos organismos ingerindo o mesmo e ao meio ambiente.

Particularmente, as palestras mais interessantes e inovadoras vieram de E. Besseling, da Universidade de Wageningen, que estudou os efeitos de nanoplásticos no crescimento e reprodução de algas e zooplâncton; e M. Rani e M. Jang, do Instituto de Ciências Oceânicas e Tecnologia da Coreia, que estudaram a liberação de Hexabromociclododecano, também conhecido como HBCD (um anti-chamas usado como aditivo em plásticos) em bóias de poliestireno expandido – EPS (e outros produtos como eletrônicos e utensílios de casa) na água e nos mexilhões fixados nas bóias.

Explico porque achei essas palestras inovadoras. Primeiro, porque aparentemente, existe um novo tamanho que precisamos nos preocupar quando falamos de lixo marinho: as nanopartículas, que parecem ser o próximo item mais abundante no meio ambiente devido à quebra de macroplásticos em microplásticos e destes, em nanoplásticos. Partículas nano também podem ser industrialmente produzidas. Então definitivamente precisamos saber mais sobre isso. Segundo, porque muito tem sido feito em reportar a presença de partículas plásticas em todo lugar, porém pouco sabemos sobre os efeitos reais que essas partículas estão causando ao meio ambiente e seus habitantes, a não ser pelos efeitos óbvios como aprisionamento em redes ou embalagens, ocupação de espaço no estômago, perfuração do trato digestivo, etc. Mas quando uma partícula foi ingerida, quando ela está dentro do trato digestivo de um animal, o que ela causa, e como isso afeta a cadeia alimentar? Besseling, em trabalho anterior (Besseling et al., 2013), provou que vermes marinhos eram menos ativos e fortes após ingerirem microplásticos. Dessa vez, efeitos no crescimento de S. obliquus, uma alga verde, foram demonstrados, bem como efeitos reprodutivos em D. magna, uma espécie de zooplâncton.

Com Rani e Jang, o interesse vem em saber que bóias de poliestireno expandido são amplamente utilizadas em todos os lugares, incluindo fazendas de aquacultura. HBCDs foram adicionados à lista global de componentes químicos a serem eliminados sob a Convenção de Estocolmo, em maio de 2013, devido aos seus efeitos bioquímicos adversos (aumento do fígado, tireóide e glândula pituitária em ratos testados). Os estudos de Rani e Jang provam que existe uma maior concentração de HBCD em mexilhões presos às bóias e em seu entorno, bem como maiores concentrações na água e sedimentos do entorno, concluindo que bóias de EPS são uma fonte de HBCD no meio ambiente. A pergunta que todos queriam fazer era: Qual a necessidade de se adicionar algo como um anti-chamas a um produto que vai estar todo o tempo na água, como uma bóia, por exemplo?

Se você quer saber mais sobre o estudo de Besseling com vermes marinhos e microplásticos, clique aqui. Para saber mais sobre nanoplásticos e algas e zooplâncton, clique aqui para o resumo publicado na conferência.

Se você quer saber mais sobre o trabalho de Rani e Jang em HBCDs, clique aqui. E para HBCDs em bóias de EPS, clique aqui para o resumo publicado na conferência.

Se você deseja saber mais sobre a SETAC, clique aqui. Se você deseja ler o livro de resumos da última conferência da SETAC Europa 2014, clique aqui.

ONU ouve apelos a maior protecção dos ecossistemas marinhos – plástico nos oceanos aumenta

O lixo marinho afeta comunidades e mares em todas as regiões do mundo e afeta negativamente a biodiversidade, a pesca e as economias costeiras. Foto: UNEP GRID Arendal/Lawrence Hislop

O lixo marinho afeta comunidades e mares em todas as regiões do mundo e afeta negativamente a biodiversidade, a pesca e as economias costeiras. Foto: UNEP GRID Arendal/Lawrence Hislop

A acumulação constante de lixo nos oceanos de todo o mundo é um “desafio tremendo” e uma crescente ameaça para os ecossistemas marinhos do planeta com potencial para ter “consequências sócio-económicas significativas”, ouviu o Programa das Nações Unidas para Meio Ambiente (PNUMA), no último dia do 16º Encontro Global das Convenções e dos Planos de Acção das Regiões Marítimas, realizado em Atenas, na Grécia.

Cientistas, decisores políticos e as delegações reuniram em Atenas num momento em que aumenta a preocupação a nível mundial sobre o aumento da acumulação lixo de plástico nos mares e oceanos – um problema que poderá  representar cerca de 13 mil milhões de dólares em danos para a vida marinha e para os seus habitats, e que requer uma solução abrangente.

Na sua intervenção durante o encontro, Jacqueline Alder, coordenadora da  Divisão de Ecossistemas de Água doce e Marinhos, aplaudiu a criação de um “roteiro de visão” que visa traçar um caminho directo para governança dos oceanos na próxima década, particularmente nas áreas da extracção, governança, impactos das alterações climáticas, acidificação dos oceanos e poluição.

“Fazer mudanças relativas à governação ou gestão dos oceanos, especialmente quando os problemas são transfronteiriços, leva muitos anos”, afirmou Adler.

“O roteiro vai-nos permitir, a todos aqui presentes e àqueles que nos seguem,  ficar concentrados nos resultados que precisamos atingir nas décadas seguintes”.

O encontro gerou amplo consenso entre os especialistas e os decisores políticos sobre o problema do microplástico – pequenos pedaços de plástico com menos de um milímetro – que dizem, merece mais atenção para perceber melhor o impacto físico e biológico nos ecossistemas que poluem.

Para além disso, os especialistas e decisores políticos aconselharam a que se adopte uma abordagem em três níveis no combate ao lixo marinho ao nível nacional, regional e municipal, uma vez que são os municípios que costumam ter a responsabilidade da gestão do lixo.

O encontro do PNUMA coincidiu com a inauguração de uma instalação artística sobre o tema da poluição marítima,  no hall de entrada da sede da ONU em Nova Iorque intitulado de “The Garbage Patch State”.

O trabalho é uma criação da artista Italiana, Maria Cristina Finuccim e foi inspirada nas cinco manchas de lixo, conhecidas como Giros que se formaram nos oceanos, em consequência da acumulação de resíduos ou outros materiais descartados que são arrastados pelas correntes e que agora ocupam cerca de 15,915,933 quilómetros quadrados de oceano, ameaçando o meio ambiente marinho e as plantas e os animais que vivem nele.

2 de outubro de 2014, Centro de Notícias da ONU | traduzido e editado por UNRIC

Microesferas de plástico: um grande problema no rio Los Angeles

As minúsculas esferas de plástico, comuns em produtos de higiene pessoal e não biodegradáveis, são uma preocupação emergente entre os cientistas e ambientalistas

© Los Angeles Times

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Por Louis Sahagun, Los Angeles Times
25 de janeiro de 2014, 10:00
Traduzido por Natalie Andreoli, Global Garbage Brasil

O cientista Marcus Eriksen entrou no turvo rio Los Angeles na sexta-feira e mergulhou uma rede na água, à procura de um problema.

Eriksen estava procurando por “microesferas”, pedaços de plástico do tamanho de grãos de sal que absorvem toxinas, tais como o óleo de motor e inseticidas, à medida que correm rio abaixo e em direção ao Oceano Pacífico.

As minúsculas esferas de polietileno e polipropileno são uma preocupação emergente entre os cientistas e ambientalistas. As esferas são provenientes principalmente de produtos de higiene pessoal, como esfoliantes faciais e produtos para ducha/banho. No entanto, elas não são biodegradáveis, e, pelo fato de não serem removidas facilmente por estações de tratamento de esgoto, escorrem para o mar e entram na cadeia alimentar.

“O microplástico é agora o principal contaminante no Oceano Pacífico – e mares ao redor do mundo”, disse Eriksen, um cientista do 5 Gyres Institute (“Instituto 5 Giros”), uma organização sem fins lucrativos dedicada à pesquisa de plásticos nos cursos d’água do mundo. “Acreditamos que 80% do microplástico seja proveniente de bacias hidrográficas costeiras, como Los Angeles.”

Eriksen está apenas começando a analisar o Rio Los Angeles para determinar se ele contém microesferas, e, se houver, qual a sua fonte. Na sexta-feira, ele encontrou o que estava procurando em cerca de 10 minutos.

Perto da confluência do rio Los Angeles e do rio Arroyo Seco, cerca de cinco quilômetros ao norte do centro da cidade, Eriksen encontrou algumas algas e sanguessugas se contorcendo, cobertas por pequenos filamentos, cacos e esferas que poderiam ter vindo de inúmeras fontes: águas residuais de lavanderia, sacolas plásticas degradadas, mexedores de plástico, produtos de higiene pessoal.

“O mais assustador é que as esferas absorvem toxinas, em seguida, são consumidas por organismos como mariscos até caranguejos e peixes”, e depois são consumidas por humanos, disse ele.

Os cientistas estão apenas começando a entender os perigos resultantes da poluição por microplásticos nos oceanos do mundo e nos cursos d’água interiores. Em 2012, Eriksen e uma equipe de pesquisadores descobriram grandes quantidades de microesferas e outras formas de poluição por microplástico nos Grandes Lagos. Essas descobertas levaram a formação de uma coalizão dos prefeitos das cidades dos Grandes Lagos para pedir à U.S. Environmental Protection Agency (Agência de Proteção Ambiental dos EUA) para determinar os possíveis riscos à saúde dos ecossistemas lacustres e dos seres humanos.

Um ano depois, o 5 Gyres Institute lançou uma campanha pedindo aos fabricantes de produtos de higiene pessoal para remover as microesferas plásticas e substituí-las por alternativas sem plástico, como cascas de nozes trituradas e sementes de damasco, que se degradam naturalmente. Várias empresas concordaram em eliminar gradualmente as microesferas de suas linhas de produtos.

Em um comunicado, a Johnson & Johnson Family of Consumer Companies, por exemplo, disse que “parou de desenvolver novos produtos contendo microesferas de polietileno.” A empresa espera que, até 2015, já tenha substituído as microesferas por outras alternativas, em metade dos produtos que as utilizam atualmente.

Isso ainda não é suficiente para o 5 Gyres, que está circulando uma petição intitulada “Get plastic off my face and out of my water now!” (Remova o plástico do meu rosto e da minha água agora!)

Em pé, no rio, Eriksen demonstrou o problema. Ele espremeu várias gotas do esfoliante facial Clean and Clear da Johnson & Johnson em um pequeno frasco cheio de água, em seguida, agitou o frasco e filtrou a mistura espumosa através de uma camiseta preta.

No tecido ficaram retidas centenas de minúsculas esferas de plástico brancas, rosas e azuis. “Estimamos que existam cerca de 330.000 microesferas por tubo”, disse ele.

A fonte das esferas que estão sendo carregadas pelo rio Los Angeles ainda é desconhecida. Em tempo chuvoso, o rio retém grandes quantidades de escoamentos de toda a região. Mas na atual seca, 80% do fluxo vem da Donald C. Tillman Water Reclamation Plant (Estação de Tratamento de Efluentes para Reuso de Água), que fica a aproximadamente 19 quilômetros a montante do local de pesquisa de Eriksen, e trata o esgoto das casas dos 800.000 moradores de San Fernando Valley. Os outros 20% vem de inúmeras fontes na área.

Jimmy Tokeshi, um porta-voz do Los Angeles Department of Public Works (Departamento de Obras Públicas de Los Angeles), manifestou que as microesferas não estão vindo da estação de tratamento, a qual envia o esgoto através de uma série de tanques de retenção, digestores, filtros e sanitizantes antes de liberar a água tratada para o rio, a uma taxa de até 102 milhões de litros por dia.

“A cidade de Los Angeles cumpre e/ou excede todos os requisitos da Clean Water Act (Lei da Água Limpa), bem como todos os regulamentos locais, regionais e estaduais de água”, disse Tokeshi. Usando filtros de pano, “Captamos microplásticos que são maiores em tamanho do que 10 mícrons, ou 0,01 milímetros, na Estação de Tratamento de Efluentes para Reuso de Água”, disse ele.

A maioria dos lixos plásticos visíveis que Eriksen encontrou eram muito maiores do que 10 mícrons de tamanho.

Eriksen disse que ainda não sabe qual a origem das esferas. Mas ele disse que suas redes não mentem.

“Usando uma rede de apenas 60 centímetors de largura, por 10 minutos, em um córrego de poucas centenas de metros de diâmetro, capturei dezenas de pedaços de plástico”, disse ele. “Então, é fácil extrapolar que milhões de partículas plásticas fluem através desse canal diariamente.”

Ele virou para olhar rio abaixo, e, acenando com as mãos enlameadas, declarou: “Isso é um problema.”

louis.sahagun@latimes.com

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Investigadores de la UCA demuestran la existencia de grandes acumulaciones de plástico en todos los océanos del planeta

Los microplásticos fueron detectados en el 88% de la superficie oceánica muestreada durante la Expedición Malaspina 2010. La cantidad de residuos plásticos se ha estimado en decena de miles de toneladas

© Universidad de Cádiz

© Universidad de Cádiz

Universidad de Cádiz
30/06/2014

Investigadores de la Universidad de Cádiz han llevado a cabo un hallazgo sin precedentes: han demostrado que existen cinco grandes acumulaciones de residuos plásticos en el océano abierto, coincidiendo con los cinco grandes giros de circulación de agua superficial en el océano. Además de la ya conocida acumulación de basura plástica del Pacifico Norte, estos expertos han comprobado la existencia de acumulaciones similares en el centro del Atlántico Norte, el Pacífico Sur, el Atlántico Sur y el Océano Indico. Y han llegado más allá, han señalado que las aguas superficiales del centro de los océanos podrían no ser el destino final de los residuos plásticos, ya que grandes cantidades de microplásticos están pasando a la cadena alimenticia marina y a los fondos oceánicos.

Este trabajo, liderado por la Universidad de Cádiz y vinculado al Campus de Excelencia Internacional del Mar, es artículo de portada de  la revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS, por sus siglas en inglés), una de las publicaciones científicas más importantes del mundo.

Según este estudio, la cantidad global de plástico acumulado sobre la superficie de los océanos es de decenas de miles de toneladas. “Estos microplásticos influyen en el comportamiento y en la cadena alimenticia de los organismos marinos. Por un lado, los pequeños fragmentos plásticos a menudo acumulan contaminantes que, en caso de ingesta, pueden pasar a los organismos durante la digestión. De igual forma, pueden darse obstrucciones gastrointestinales, que son otro de los problemas más frecuentes con este tipo de residuos. Por otro lado, la abundancia de fragmentos plásticos flotantes permite a muchos organismos pequeños navegar y colonizar lugares hasta ahora inaccesibles para ellos. Pero, probablemente, la mayor parte de los impactos que está causando la contaminación por plástico en los océanos no se conocen todavía”, como explica el profesor e investigador de la UCA Andrés Cózar.

Mientras los objetos plásticos son transportados por las corrientes oceánicas, se resquebrajan y rompen en fragmentos cada vez más pequeños debido a la radiación solar. Sin embargo, los pequeños fragmentos de plástico (conocidos como microplásticos) pueden llegar a durar cientos de años. Los residuos plásticos encontrados en la superficie de los océanos son principalmente polietileno y polipropileno; polímeros utilizados en productos tales como bolsas, contenedores de bebida y comida, envoltorios, utensilios del hogar o juguetes.

Para poder llegar a estas conclusiones y obtener la primera estimación global de la cantidad de plástico flotante existente sobre la superficie de los océanos, este equipo de investigadores, liderados por Andrés Cózar, se ha centrado en el análisis de todas las muestras que se tomaron en aguas del océano abierto durante la Expedición Malaspina en 2010. Unas muestras recogidas alejadas de costa y núcleos urbanos, pero en las que, a pesar de ello, aparecieron plásticos flotando, de hecho esta basura plástica se encontró “en el 88% de la superficie oceánica muestreada. Los resultados obtenidos ponen de manifiesto la escala planetaria de la problemática de la contaminación por residuos plásticos”, como indica el investigador de la Universidad de Cádiz.

© Universidad de Cádiz

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Con la finalidad de atajar este problema de contaminación a escala mundial, desde la Universidad de Cádiz se insiste en la necesidad de dar un paso más y “además de llevar a cabo una retirada selectiva de residuos en las costas y los océanos, habría que llegar a la raíz del problema, es decir, la entrada masiva y continuada de plástico en los océanos”. Asimismo, “es necesario que los productos plásticos incorporen un diseño que realmente permita hacer un uso sostenible de este material. La inversión en investigación para reducir, reutilizar y hacer realmente reciclable el plástico de los productos comerciales creo que no solo es una medida necesaria desde el punto de vista ambiental, sino que también es una inversión rentable desde el punto de vista comercial. Los océanos ya no son lo suficientemente grandes para esconder toda la basura plástica que generamos”, como sentencia el profesor Andrés Cózar.

La Expedición Malaspina 2010

La Expedición de Circunnavegación Malaspina 2010 es un proyecto, dirigido por el Consejo Superior de Investigaciones Científica (CSIC) y coordinado por el investigador Carlos Duarte, que integra a más de 400 científicos de todo el mundo y arrancó el 15 de diciembre de 2010 con la salida del puerto de Cádiz del buque de investigación oceanográfica Hespérides. A bordo de este barco de la Armada Española y del buque Sarmiento de Gamboa, los investigadores estudiaron durante nueve meses (siete a bordo del Hespérides y dos a bordo del Sarmiento) el impacto del cambio global en el ecosistema del océano y exploraron su biodiversidad.

Los científicos tomaron cerca de 200.000 muestras de agua, plancton, peces, partículas de la atmósfera y gases en 313 puntos de los océanos Índico, Pacífico y Atlántico con profundidades de hasta 6.000 metros. La circunnavegación está sirviendo para realizar un amplio diagnóstico del estado los océanos del planeta y explorar los misterios de sus profundidades.

Fotos: Del mar y muestras de Joan Costa.

Referencia bibliográfica: Andrés Cózar, Fidel Echevarría, Juan I. González-Gordillo, Xabier Irigoien, Bárbara Úbeda, Santiago Hernández-León, Álvaro Palma, Sandra Navarro, Juan García-de-Lomas, Andrea Ruiz, María L. Fernández-de-Puelles, and Carlos M. Duarte. “Plastic debris in the open ocean“. PNAS. DOI: 10.1073/pnas.1314705111

Estudo encontra poluição de plástico em 88% da superfície dos mares

Expedição feita em 2010 coletou mais de 3 mil amostras oceânicas.
Estima-se que oceano tenha entre 10 mil e 40 mil toneladas de plástico.

© NOAA Marine Debris Program

© NOAA Marine Debris Program

G1 – Globo Natureza
Da AFP
01/07/2014 07h00

Até 88% da superfície dos oceanos do mundo está contaminada com lixo plástico, elevando a preocupação com os efeitos sobre a vida marinha e a cadeia alimentar, afirmaram cientistas nesta segunda-feira (30).

Os produtos plásticos produzidos em massa para brinquedos, sacolas, embalagens de alimentos e utensílios chegam aos mares arrastados pela água da chuva, um problema que deve piorar nas próximas décadas.

As descobertas, publicadas no periódico “Proceedings of the National Academy of Sciences” (“PNAS”), se baseiam em mais de 3 mil amostras oceânicas, coletadas ao redor do mundo por uma expedição científica em 2010.

“As correntes oceânicas carregam objetos plásticos, que se partem em fragmentos menores, devido à radiação solar”, disse o diretor das pesquisas, Andrés Cozar, da Universidade de Cádiz, na Espanha.

“Estes pequenos pedaços de plástico, conhecidos como microplásticos, podem durar centenas de anos e foram detectados em 88% da superfície oceânica analisada durante a Expedição Malaspina 2010“, acrescentou.

Os cientistas avaliaram que a quantidade total de plástico nos oceanos do mundo – entre 10 mil e 40 mil toneladas – atualmente é menor do que as estimativas anteriores. No entanto, levantaram novas preocupações sobre o destino de tanto plástico, particularmente os pedaços menores.

O estudo revelou que os fragmentos de plástico, “entre alguns mícrons e alguns milímetros de tamanho, são sub-representados em amostras da superfície do mar”.

Mais pesquisas são necessárias para descobrir aonde estas partículas vão e quais os efeitos que têm na vida marinha.

“Estes microplásticos têm influência no comportamento e na cadeia alimentar de organismos marinhos”, disse Cozar. “Mas provavelmente, a maioria dos impactos relacionada à poluição do plástico nos oceanos não é conhecida”, concluiu.


Plastic debris in the open ocean
Andrés Cózar, Fidel Echevarría, J. Ignacio González-Gordillo, Xabier Irigoien, Bárbara Úbeda, Santiago Hernández-León, Álvaro T. Palma, Sandra Navarro, Juan García-de-Lomas, Andrea Ruiz, María L. Fernández-de-Puelles, and Carlos M. Duarte
PNAS 2014 ; published ahead of print June 30, 2014, doi:10.1073/pnas.1314705111

Poluição por plásticos causa perda equivalente a US$ 13 bilhões para ecossistemas marinhos

Relatórios apresentados na UNEA ressalta o risco de contaminação dos microplásticos

© John Johnson, onebreathphoto.com

© John Johnson, onebreathphoto.com

Escritório do PNUMA no Brasil

Nairóbi, 23 de junho 2014 – A poluição causada por partículas de plástico dispersas nos oceanos representa um dano financeiro de US$ 13 bilhões anuais, de acordo com dois relatórios divulgados na abertura da primeira Assembleia Ambiental das Nações Unidas (UNEA, na sigla em inglês).

O 11º Anuário do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (PNUMA) atualiza informações sobre dez desafios ambientais emergentes, incluindo resíduos plásticos. E o documento “Valorando o Plástico” (Valuing Plastic no original), produzido em parceria com o Plastic Disclosure Project (PDP) e pela empresa de pesquisas Trucost, analisa o uso de plástico na indústria de bens de consumo.

O estudo “Valorando o Plástico” aponta que o custo do capital natural no uso de plástico a cada ano é de US$ 75 bilhões – impactos decorrentes da poluição do meio ambiente marinho e da poluição do ar causada pela incineração de plástico, entre outras fontes. O relatório aponta que mais de 30% dos custos de capital natural de plástico se deve às emissões de gases de efeito estufa provenientes da extração de matéria-prima e do seu processamento. No entanto, o documento observa que a poluição marinha é o maior custo, e que o valor de US$ 13 bilhões pode ser subestimado.

“O plástico desempenha um papel crucial na vida moderna, mas seus impactos ambientais não podem ser ignorados”, afirmou o sub-secretário-geral da ONU e diretor executivo do PNUMA, Achim Steiner. “A redução, reciclagem e reformulação dos produtos que usam plásticos trazem vários benefícios, incluindo redução dos prejuízos e mais investimentos e oportunidades de inovação. Nas regiões polares, foram descobertos pequenos pedaços de plástico presos no gelo, que podem contaminar alimentos e o ecossistema local. É fundamental evitar que detritos plásticos poluam o ambiente, o que se traduz em um único objetivo: reduzir, reutilizar, reciclar”.

A grande e incalculável quantidade ​​de resíduos de plástico chega aos oceanos através do lixo, aterros mal geridos, turismo e da pesca. Parte deste material atinge o fundo do oceano, enquanto outra flutua e pode ser levada a grandes distâncias pelas correntes oceânicas.

© NOAA Marine Debris Program

© NOAA Marine Debris Program

Há muitos relatos ​​de danos causados por resíduos de plástico: a mortalidade ou doença quando ingeridos por animais marinhos, como tartarugas; emaranhamento dos animais, como golfinhos e baleias; e danos a habitats críticos, como os recifes de coral. Há também preocupação com a contaminação química e pela dispersão de espécies invasoras em fragmentos plásticos, o que causa perdas para as indústrias de pesca e de turismo em muitos países.

Desde 2011, última vez em que o Anuário do PNUMA analisou os resíduos plásticos no oceano, a preocupação tem crescido em torno dos microplásticos (partículas de até 5 mm de diâmetro, fabricados ou criados quando o plástico se decompõe). Sua ingestão tem sido amplamente disseminada em organismos marinhos, incluindo as aves marinhas, peixes, mexilhões, vermes e zooplânctons.

Uma questão emergente é o uso crescente de microplásticos em pastas de dentes, géis e produtos de limpeza facial. Estes microplásticos tendem a não ser filtrados durante o tratamento de esgoto e são lançados diretamente em rios, lagos e oceano.

As tendências da produção, padrões de uso e as mudanças demográficas são atribuídas como causa do aumento do uso de plástico. Os dois relatórios convidam empresas, instituições e consumidores a reduzir a geração de resíduos.

O estudo “Valorando o plástico” relata que as empresas atualmente economizam US$ 4 bilhões ao ano por meio de uma boa gestão de plástico, e que os custos podem ser ainda mais reduzidos. Entretanto, a divulgação do uso do plástico é pobre: ​​de 100 empresas avaliadas, menos da metade dispunha de dados relativos à gestão do plástico.

Plastic bags, like these floating near the Philippines, look like jellyfish. These pieces of ocean debris float on ocean currents and accumulate in collections called "garbage patches."

© Norbert Wu/Minden Pictures

“A pesquisa revela a necessidade das empresas considerarem sua ‘pegada’ de plástico, assim como fazem para carbono, água e florestas”, disse o diretor do PDP, Andrew Russell. “Ao gerenciar e reportar o uso do plástico e sua eliminação, as empresas podem mitigar os riscos, maximizar as oportunidades e se tornar mais bem sucedidas e sustentáveis.”

Iniciativas como o PDP e parcerias globais do PNUMA sobre lixo marinho têm ajudado na crescente conscientização sobre plástico e poluição. No entanto, muito mais precisa ser feito. Recomendações para ações futuras a partir dos relatórios incluem:

  • As empresas devem monitorar seu uso de plástico e publicar os resultados em relatórios anuais.
  • As companhias devem comprometer-se a reduzir o impacto ambiental do plástico através de metas e prazos bem definidos, e inovar para aumentar a eficiência dos recursos e reciclagem.
  • Deve haver um foco maior em campanhas de sensibilização para desencorajar a jogar lixo nos oceanos e evitar o desperdício de plástico. Um aplicativo que permite aos consumidores verificar se um produto contém microesferas já está disponível em http://get.beatthemicrobead.org/
  • Uma vez que as partículas de plástico podem ser ingeridas por animais marinhos e potencialmente e dispersar toxinas através da cadeia alimentar, os esforços devem ser intensificados para preencher as lacunas de conhecimento e compreensão da capacidade de vários plásticos em absorver e transferir produtos químicos persistentes, tóxicos e bioacumuladores.

Acesse o release completo, em inglês, aqui.

Mais informações

O Anuário do PNUMA 2014 está disponível em inglês no formato aplicativo, e pode ser baixado em http://www.unep.org/yearbook/2014/ e uneplive.unep.org/global.

O relatório “Valorando o Plástico” está disponível para download em www.unep.org/pdf/ValuingPlastic.

Workshop Internacional sobre Destino e Impacto de Microplásticos nos Ecossistemas Marinhos

Foto oficial dos participantes do workshop, em Plouzané, França. © MICRO

Foto oficial dos participantes do workshop, em Plouzané, França. © MICRO

por Heidi Acampora, da Associação Brasileira do Lixo Marinho

Entre os dias 12 e 15 de janeiro de 2014, aconteceu o Workshop Internacional sobre Destino e Impacto de Microplásticos nos Ecossistemas Marinhos (International Workshop on Fate and Impacts of Microplastics in Marine Ecosystems), em Plouzané, França.

A conferência contou com mais de 30 apresentações orais, que se dividiram em temas relacionados à ocorrência dos microplásticos no ambiente marinho, os impactos das partículas na fauna marinha e microplásticos como vetores de contaminantes químicos e biológicos.

Além das apresentações orais, mais de 60 pôsteres foram difundidos em conversas informais, regadas a vinho francês.

Em seu último dia, o workshop contou com a participação de jovens estudantes de ensino médio e mestrado, que divulgaram suas impressões e trabalhos de conscientização sobre a poluição marinha por microplásticos.

O público geral da conferência foi bem diversificado, com participantes dos mais variados países, como Coreia, Irlanda, Bélgica, Suécia, Holanda, Inglaterra, Noruega, Dinamarca e até mesmo o Brasil. Unidos com o propósito de entender melhor os efeitos e impactos da poluição por materiais plásticos, autores de importantes publicações, como François Galgani, apresentaram seus mais recentes trabalhos, assim como fundadores de ONGs (como o 5 Gyres Institute e a Surfrider Foundation Europe) e estudantes de doutorado de diversas e renomadas universidades.

Muito se questionou sobre a translocação de microplásticos, uma vez ingeridos e também sobre a padronização dos métodos de coleta e análise. A principal mensagem do workshop foi reconhecer os microplásticos como poluentes de grande importância e que, apesar de seu tamanho, podem causar grandes impactos.

Clique aqui para ler o Livro de Resumos

Plastic pollution – water we doing? João Pedro Frias at TEDxFCTUNL 2013

João Pedro Frias é estudante de Doutoramento no Programa Doutoral em Ambiente FCT-UNL. Investigador na área de Microplasticos e efeitos de sua ingestão em organismos marinhos (Mytilus Sp.).

Realizou ainda um trabalho de identificação de micropartículas de plástico, presentes em amostras de plâncton recolhidas entre 2002 e 2008, com o intuito de identificar os tipos de polímeros através de micro-espectroscopia de infravermelho (μ-FTIR). Tem Mestrado Integrado em Engenharia do Ambiente no ramo de Engenharia Ecológica.

In the spirit of ideas worth spreading, TEDx is a program of local, self-organized events that bring people together to share a TED-like experience. At a TEDx event, TEDTalks video and live speakers combine to spark deep discussion and connection in a small group. These local, self-organized events are branded TEDx, where x = independently organized TED event. The TED Conference provides general guidance for the TEDx program, but individual TEDx events are self-organized.* (*Subject to certain rules and regulations)

Publicado em 21/11/2013
TEDxTalks

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