Secretaria do Ambiente anuncia parceria com ONG internacional para ampliar reciclagem de PET

Baixada Fluminense recebe rede de cem ecopontos para a destinação correta de entulho e garrafas PET

Foto: Cezar Muller

Foto: Cezar Muller

por Ascom SEA
04/12/2014 – 16:56h

O secretário de Estado do Ambiente, Carlos Portinho, anunciou em visita à usina de reciclagem CPR, em Xerém, nesta quinta-feira (4/12), uma parceria inédita com a ONG R20, do ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger, e a Associação Brasileira dos Recicladores de Pet (Abrepet). A iniciativa visa à expansão da cadeia de reciclagem de garrafas Pet no Estado do Rio de Janeiro com maior participação da sociedade, as cooperativas de catadores, as indústrias de reciclagem e o poder público.

Nesse sentido, a Secretaria de Estado do Ambiente trabalha na implantação de cem ecopontos – locais de processamento de resíduos da construção civil, que também servirão de pontos de coletas de garrafas pets – na Baixada Fluminense. A previsão é entrarão em operação seis ecopontos, até março de 2015.

“Esse trabalho da coleta é de grande importância para a indústria de reciclagem, pois serve de matéria-prima para fabricação de embalagens. Ainda hoje nos importamos muita matéria-prima da China que, por incrível que pareça, é mais barato do que o material reciclado aqui. E isso inclusive foi objeto de crítica da Secretaria do Ambiente, não só pela necessidade de inclusão dos catadores e de remuneração dos municípios nesse processo de logística reversa, mas também da desoneração do setor para que a indústria de reciclagem e novos produtos possam ter na sua composição um maior percentual de material reciclado”, declarou o secretário do Ambiente Carlos Portinho.

O conselheiro estratégico da ONG R20 (Regions of Climate Action), Terry Tamminem, que também participou da visita à usina de reciclagem, ressaltou a importância de se acabar com o desperdício de garrafas, cerca de 50% do total de pets produzidas no Brasil vão parar em aterros, lixões ou no meio ambiente:

“O desperdício desses recursos também é um desperdício de dinheiro, mas imagine ainda o que é necessário para extrair todo esse petróleo ao redor do mundo inteiro, transportar e refinar para fazer plástico. Em algum ponto esse petróleo vai acabar. Não faz o menor sentido usar uma garrafa uma vez e então enterrá-la num aterro e depois ter que obtê-la outra vez em forma de petróleo. A única coisa que faz sentido é tentarmos chegar ao desperdício zero e, para isso, estamos animados em trabalhar com o Governo do Estado.”

O presidente da Abrepet, Edson Freitas, revelou que já foram gastos, nos últimos quatro anos, R$ 125 milhões na implantação de aterros sanitários, enquanto isso R$ 1.5 bilhão em garrafas pets foram desperdiçadas nesses locais. “Não falta educação, falta opção. Há uma carência nas indústrias de todo o Brasil por essa matéria prima e com uma parceria como essa, que oferece opções a população a dar destinação adequada a essas embalagens, eu posso garantir que o Rio de Janeiro vai se tornar a capital da reciclagem em 2015.”

Outra parceria da SEA com a ONG R20, o projeto que visa à substituição de lâmpadas incandescentes por iluminação de LED, mais eficaz e econômica, será inaugurado neste sábado (6/2) em Nova Friburgo.

“Estivemos recentemente em Paris para receber o prêmio de reconhecimento da R20 para o projeto Fábrica Verde, de reaproveitamento de lixo eletrônico e envolvimento da comunidade no processo de reciclagem. Ao mesmo tempo nessa viagem nos firmamos um protocolo de cooperação com apoio da R20 para substituição das lâmpadas LED com financiamento do fundo internacional. Vamos inaugurar em Friburgo essa nova iluminação de LED e em breve estaremos levando essa iniciativa para o maior número de municípios possíveis”, disse Portinho.

Fibras de roupas sintéticas: o perigo oculto

© Shutterstock.com

© Shutterstock.com

Gabriel Monteiro
PortalCiência
8 de outubro de 2013

Roupas sintéticas ou malhas que contém Poli (Tereftalato de Etileno), ou simplesmente PET, liberam fibras na máquina de lavar roupa, assim como qualquer outra roupa sintética. O detalhe é que o tratamento de esgoto mais comum não consegue remover estas fibras plásticas, que vão parar nos oceanos e tem grande potencial para impactar todo o ecossistema marinho.

A poluição dos oceanos por plásticos é altamente preocupante, no entanto, é noticiado apenas uma pequena parte dos impactos causados. O mais comum encontrar na mídia notícias de banhistas em meio a mundaréu de lixo nas praias, ou então, fotos e vídeos de tartarugas e aves marinhas que morreram por causa da ingestão acidental de plásticos. Os impactos do plástico no mar vão muito além disso e podem, inclusive, atingir o homem. Algum leitor já ouviu falar de micro fibras de plástico no mar? Dos que já ouviram falar, saberiam dizer seus impactos?

As micro fibras plásticas têm o potencial para impactar diretamente o zooplâncton, dado seu tamanho reduzido (menor que 1 mm). O zooplâncton marinho é a comunidade pequenos animais (consumidores primários) da maior teia alimentar do mundo. Estas fibras são capazes de entupir o trato digestório destes animais levando-os à morte, ou então, à complicações que inviabilizam sua reprodução. Qual o desdobramento ou importância disso? Estamos impactando a base consumidora da pirâmide alimentar dos oceanos, ou seja, todo o ecossistema responderá a esse impacto, o que inclui resposta das comunidades de peixes que já impactadas pela sobrepesca e poluição causada pelo homem.

Mark Anthony Browne concluiu em seu estudo publicado na revista Environmental Science & Technology que o efluente das máquinas de lavar são importantes fontes de fibras plásticas que acabam nos oceanos. Segundo o autor “fibras de poliéster, acrílico, polipropileno, polietileno e poliamida contaminam áreas costeiras em escala global, especialmente áreas densamente povoadas e habitats que receberam esgoto”. Outro estudo, do pesquisador Daniel Habib, publicado na revista Water, Air, and Soil Pollution afirma que as fibras encontradas em seu estudo tiveram origem no efluente de processos de lavagem de roupa e que não foram retidas pelo sistema de tratamento de esgoto. Ainda segundo Habib, o processo de ultra-filtração ao final do tratamento de esgoto poderia reter estas partículas tão pequenas do efluente tratado.

Insiram neste contexto, as já famosas camisetas e roupas fabricadas a partir de malha têxtil que incorpora material plástico (PET). Adivinhe o que acontece quando essas roupas que contém fibras plásticas são lavadas… Elas soltarão fibras, que, provavelmente, não serão retiradas do efluente no tratamento de esgoto e seguirão para rios e oceanos. As camisas de PET tem um importante caráter educativo levando o consumidor a optar, cada vez mais, por produtos que sejam ecologicamente corretos, ou menos impactante ao meio ambiente. Sabendo do impacto que essas fibras podem ter no ecossistema marinho, podemos considerar a camiseta PET como ecologicamente correta?

Este artigo não visa tirar credibilidade das camisetas e roupas de PET, e sim, alertar os consumidores sobre os impactos que estes produtos, assim como todas as vestimentas e malhas sintéticas, causam no ambiente. Pesquisas científicas na área têxtil que visem reduzir a liberação de fibras durante o processo de lavagem podem colaborar significativamente para a proteção da vida nos oceanos. Paralelamente, o incremento dos processos de tratamento de esgoto podem evitar que estas fibras cheguem aos oceanos. Fica a dica: dê preferência a roupas de algodão ou fibras naturais, todo o ecossistema marinho agradece!