Como podemos reduzir o lixo marinho?

Porto da Barra, Salvador, Bahia. © Bernardo Mussi de Almeida

Porto da Barra, Salvador, Bahia. © Bernardo Mussi de Almeida

European Commission
Bruxelas, 18 de outubro de 2013
Traduzido por Mariana Coutinho Hennemann, Global Garbage Brasil

Os mares e oceanos estão cada vez mais se tornando a lixeira do planeta. Os resíduos plásticos formam 80% das grandes manchas de lixo nos oceanos Atlântico e Pacífico, com consequências fatais para diversas espécies marinhas. A Comissão Europeia está solicitando opiniões sobre qual a melhor forma de tratar desse problema. A consulta pública está aberta até 18 de dezembro de 2013.

Aproximadamente 10 milhões de toneladas de lixo acabam nos oceanos e mares do mundo anualmente. O termo “lixo marinho” engloba uma gama de materiais que têm sido descartados deliberadamente, ou acidentalmente perdidos na costa ou no mar, e inclui materiais que são carreados para o mar a partir da terra, de rios, sistemas de drenagem e de esgotos, ou pelo vento. Ele frequentemente inclui materiais sólidos persistentes, manufaturados e processados, tais como plástico, vidro e metal.

A Comissão Europeia está explorando opções para definir uma meta de redução quantitativa em toda a Europa para o lixo marinho, como indicado no recém-acordado 7º Programa de Ação Ambiental (Environment Action Programme). A consulta sobre o lixo marinho está procurando por contribuições adicionais de cidadãos e interessados. Suas visões irão ajudar a identificar o nível apropriado de ambição para tal meta. O questionário contém uma série de ações que poderiam ser tomadas por consumidores, comerciantes, indústria de plásticos, indústria de pesca e transporte marítimo, ONGs, autoridades locais e nacionais, e legisladores da União Europeia para reduzir a presença e o impacto do lixo marinho. Essas opções incluem evitar o uso de embalagens e garrafas plásticas de uso único, conscientização, ações de limpeza, e determinação de metas de redução em níveis locais e nacionais. Dê a sua opinião em:

http://ec.europa.eu/environment/consultations/marine_litter_en.htm

Próximos Passos

A consulta está aberta até 18 de dezembro de 2013. Baseada no resultado da consulta em andamento e em conjunto com uma revisão dos objetivos da Diretiva-Quadro Resíduos (Waste Framework Directive), Diretiva Embalagens (Packaging Directive) e Diretiva Aterros (Landfill Directive), a Comissão pretende desenvolver uma meta inicial de redução para o lixo marinho. Tal meta poderia ser incluída em uma Comunicação mais ampla sobre resíduos, a ser adotada em 2014. A consulta pública também irá explorar o potencial para medidas adicionais, que poderiam contribuir para uma redução ainda maior no futuro.

Experiência

Na conferência Rio+20 sobre desenvolvimento sustentável, um compromisso global foi feito para tomar ações para “alcançar reduções significativas no lixo marinho para evitar danos ao ambiente costeiro e marinho” até 2025. No contexto da União Europeia, esse compromisso é ainda mais elaborado no 7º Programa de Ação Ambiental, que indica uma “meta de redução quantitativa para o lixo marinho com abrangência em toda a União” a ser estabelecida. A Comissão está trabalhando agora para transformar esse compromisso em ações tangíveis.

Para mais informações:

Link para a consulta:

http://ec.europa.eu/environment/consultations/marine_litter_en.htm

Veja também:

http://ec.europa.eu/environment/marine/good-environmental-status/descriptor-10/index_en.htm

Tweet do dia – Tia Ju

Lixo Marinho – uma ameaça global crescente

Quantidades cada vez maiores de lixo estão chegando aos oceanos do mundo e prejudicando a saúde dos ecossistemas, matando animais quando eles ficam presos ou ingerem o lixo. A saúde humana também está em risco, pois os plásticos podem se fragmentar em pedaços menores que, por sua vez, podem acabar em nossos alimentos. Esses são apenas alguns dos problemas que estão emergindo da coleta de resíduos em nossos mares.

© Global Garbage Brasil

© Global Garbage Brasil

European Environment Agency (EEA)
Publicado em 07 de agosto de 2013
Traduzido por Mariana Coutinho Hennemann, Global Garbage Brasil

Há, atualmente, grandes manchas de lixo e partículas plásticas menores acumuladas por correntes oceânicas em todos os oceanos. A mancha no Pacífico é do tamanho da Europa, de acordo com algumas estimativas, e há também uma mancha menor, porém significativa, próxima à Europa, no Atlântico. O lixo marinho também se acumula em áreas costeiras, tanto no fundo do mar, quanto em praias, quando carreado pelas ondas. Veja o infográfico sobre lixo marinho da EEA (European Environment Agency – Agência Ambiental Europeia).

Os líderes mundiais reconhecem cada vez mais a escala do problema, e na Cúpula Mundial do Rio em 2012, eles se comprometeram a “reduzir significativamente o lixo marinho até 2025”. A European Marine Strategy Framework Directive (Diretiva-quadro “Estratégia Marinha” Europeia), que tem como objetivo alcançar um “bom estado ambiental” para os mares até 2020, reconhece o lixo marinho como uma das principais ameaças ao ambiente marinho, juntamente com a pesca, poluição, espécies invasoras alienígenas e ruídos.

A European Environment Agency (EEA) irá considerar o lixo marinho em sua próxima avaliação do estado do ambiente marinho, a ser publicada no terceiro trimestre de 2014.

Envenenamento e “pesca fantasma”

Peixes, aves e outras criaturas marinhas também ingerem fragmentos de lixo, que podem eventualmente matá-los – globalmente, pelo menos 43% das espécies de cetáceos, todas as espécies de tartarugas marinhas, aproximadamente 36% das espécies de aves marinhas e muitas espécies de peixes foram reportadas como tendo ingerido lixo marinho. Os animais também podem ficar presos em redes descartadas ou outros lixos. Por volta de 10% de todo o lixo nos oceanos do mundo são petrechos de pesca descartados, que continuam a capturar peixes – um fenômeno conhecido como “pesca fantasma”.

A maior parte do lixo no mar é plástico, por exemplo, sacolas plásticas, garrafas, tampas de garrafas e isopor, principalmente como resultado de nossos hábitos de consumo atuais, onde as embalagens plásticas têm aumentado drasticamente. Parte do problema surge do fato de que esses materiais nunca biodegradam, sendo apenas parcialmente degradados pela luz solar. Juntamente com o movimento das ondas, isso quebra o plástico em pedaços cada vez menores.

Um problema emergente é causado por esses “microplásticos”, que podem acumular químicos prejudiciais, tais como poluentes orgânicos persistentes (POPs), do mar. Quando eles estão concentrados em um fragmento minúsculo de plástico, engoli-lo pode ser mortal para alguns organismos marinhos. Essas pequenas partículas de plástico também se tornam parte das praias. Por exemplo, alguns estudos têm encontrado muitos tipos de plástico rotineiramente nos sedimentos da costa britânica.

E não é apenas a vida selvagem que é afetada pelo lixo marinho. Ele pode eventualmente entrar na cadeia alimentar humana, quando os microplásticos são ingeridos por peixes ou moluscos, que podem posteriormente ser comidos por pessoas. Pesquisadores estão atualmente investigando esse potencial risco à saúde emergente.

Há também custos econômicos desse tipo de poluição, de limpeza de praias a petrechos de pesca danificados, de redução no turismo a hélices de embarcações obstruídas. Tais custos estão prestes a crescer, à medida que as concentrações de lixo continuam a aumentar em algumas áreas.

A gestão de resíduos ruim e o descarte inapropriado de lixo em terra são duas das principais causas do problema, à medida que resíduos são descarregados no mar via rios e sistema de esgoto, ou carreados para o mar pelo vento ou pela chuva. Resíduos de navios mercantes, cruzeiros e embarcações de pesca também frequentemente acabam no oceano.

Um mar mais limpo

Devido a uma grande parte do lixo marinho ser resíduos de consumidores, educar as pessoas acerca dos seus efeitos poderia reduzir significativamente os resíduos que entram no mar, de acordo com diversos estudos. As lojas também poderiam assumir alguma responsabilidade, por exemplo, facilitando a devolução de garrafas ou eliminando sacolas plásticas de uso único. A indústria de gestão de resíduos também tem seu papel em coletar e processar de forma mais eficaz o lixo que, de outro modo, acabaria no mar.

No próximo ano, a EEA irá lançar o “Marine LitterWatch” (Vigilância do Lixo Marinho), um novo aplicativo para telefones celulares para grupos conservacionistas e outros “cidadãos cientistas”, para acessarem e reportarem a quantidade de lixo que encontram em praias. Essa informação auxiliará a EEA a compreender esse problema crescente e irá também fornecer dados para dar melhor suporte a implementação de políticas.

O lixo não é o único problema que afeta as praias europeias. Esgotos não tratados e excrementos animais de fazendas também atingem o mar, o que pode ser um risco à saúde humana. Para avaliar esse problema, a EEA compara dados dos níveis bacterianos de mais de 22.000 praias ao longo da Europa. Em 2012, a qualidade da água para banho estava, em geral, muito boa, com aproximadamente 94% dentro dos padrões mínimos. Você pode descobrir mais sobre a qualidade da água em sua praia local dando um zoom neste mapa.

Mutirão recolhe plástico, vidros e até dentadura na Praia de Barra Grande

Voluntários percorreram 2 km e recolheram mais de 30 sacos de lixo.
Ação teve início às 6h desta terça-feira (23) e encerrou às 9h.

Voluntários percorreram dois quilômetros recolhendo lixo espalhado pela praia (Foto: Juliana Nogueira)

Voluntários percorreram dois quilômetros recolhendo lixo espalhado pela praia (Foto: Juliana Nogueira)

Patrícia Andrade
Do G1 PI

Incomodados com a sujeira, um grupo de moradores da Praia de Barra Grande na cidade de Cajueiro da Praia, Litoral do Piauí, organizaram um mutirão de limpeza nesta terça-feira (23). A ação teve início às 6h e recolheu mais de 30 sacos de lixo em uma extensão de dois quilômetros. Garrafas pet, frascos de remédios, restos de rede de pesca, absorventes e até uma dentadura foram recolhidos durante o mutirão.

Um dos pontos mais críticos foi identificado no mangue onde passa o Rio Camurupim. Lá os voluntários encontraram um número maior de materiais que foram descartados pelos frequentadores da praia. Próximo a uma barraca que recebeu um grupo de turistas no último fim de semana foram encontradas fezes.

“Diante disso a gente percebe que faltam banheiros e as pessoas acabam fazendo isso na praia. A coleta de lixo é ineficaz e já aconteceu de eu ver lixo pelas ruas por uma semana. A população da praia está crescendo, mas a coleta não tem acompanhado essa demanda”, disse o artesão Bob Jones, que mora há quatro anos na praia e foi um dos voluntários no mutirão.

A turismóloga paulista Marcella Aizza, que também participou da ação, disse que a iniciativa foi incrível e mostrou a preocupação dos moradores da praia em manter o local limpo. “Espero que essa ação consiga ser ampliada para que outras pessoas também colaborem”, disse.

O grupo usou as redes sociais para convidar voluntários a participar do mutirão. A Prefeitura de Cajueiro da Praia colaborou cedendo uma carroça para recolher os sacos de lixo.

Garrafas pet foram encontradas ao longo de toda a Praia de Barra Grande no Piauí (Foto: Juliana Nogueira)

Garrafas pet foram encontradas ao longo de toda a Praia de Barra Grande no Piauí (Foto: Juliana Nogueira)

O empresário Wellington Marinho participou da ação doando sacos, mas também recolhendo o lixo pela praia. “É uma iniciativa bastante válida, mas seria melhor fazer um trabalho de educação ambiental juntos aos moradores, barraqueiros e turistas para que não fosse necessário esse mutirão”, disse.

Na Praia de Barra Grande a atividade turística gira em torno de três eixos: passeio da trilha do cavalo-marinho; lazer de sol e praia e a prática esportiva de kite surf. Pousadas, bares e restaurantes com arquitetura rústica, porém sofisticada, têm se integrado aos poucos ao cenário paradisíaco de Barra Grande.

“Estamos aqui não somente para contribuir com o turismo, ganhar dinheiro e sair todo mundo feliz, estamos aqui por que decidimos torná-la nossa casa, e como nossa casa devemos cuidar e proteger”, disse a massagista Ana Paula Torres, que criou o evento em uma rede social e também participou do mutirão.

A Barratur Cavalo Marinho, que é uma Associação de Condutores de Turismo de Barra Grande, também colaborou com a ação voluntária. Todo o lixo recolhido será levado para um aterro sanitário.
O grupo de voluntários pede aos turistas que pretendem visitar Barra Grande nos próximos dias que recolham o seu lixo e procurem depositar em um local adequado.

23/07/2013 10h19 – Atualizado em 23/07/2013 11h11
G1 PI

Cientistas descobrem colônias de microrganismos crescendo na “plastisfera” dos oceanos

Ciliado suctorial coberto por bactérias simbióticas, juntamente com diatomáceas e filamentos, em lixos microplásticos fragmentados e rachados (imagem cedida por Erik Zettler, Sea Education Association)

Ciliado suctorial coberto por bactérias simbióticas, juntamente com diatomáceas e filamentos, em lixos microplásticos fragmentados e rachados (imagem cedida por Erik Zettler, Sea Education Association)

Media Relations Office
(508) 289-3340

Cientistas descobriram uma grande diversidade de microrganismos colonizando e crescendo em fragmentos de plástico que poluem os oceanos – uma vasta nova frota de comunidades microbianas feita por humanos, que eles chamaram de “plastisfera”.

Em um estudo publicado recentemente online no periódico “Environmental Science & Technology”, os cientistas dizem que a plastisfera representa um novo habitat ecológico no oceano e levanta uma série de questões: Como ela irá modificar as condições ambientais para os microrganismos marinhos, favorecendo alguns que competem com outros? Como ela irá alterar o ecossistema oceânico em geral e afetar os organismos maiores? Como ela irá modificar para onde os microrganismos, incluindo patógenos, serão transportados no oceano? Uma equipe colaborativa de cientistas – Erik Zettler da “Sea Education Association” (SEA), Tracy Mincer do “Woods Hole Oceanographic Institution” (WHOI), e Linda Amaral-Zettler do “Marine Biological Laboratory” (MBL), todos em Woods Hole, Massachusetts – analisaram lixo plástico marinho que foi retirado da superfície do mar com redes de malha fina em diversas localidades no Oceano Atlântico Norte durante cruzeiros de pesquisa da SEA. A maioria consistia em fragmentos milimétricos.

“Nós não estamos interessados apenas em quem está nos fragmentos de plásticos. Nós estamos interessados na sua função, em como eles funcionam nesse ecossistema, como eles estão alterando esse ecossistema, e qual é o destino final dessas partículas no oceano”, diz Amaral-Zettler. “Elas estão afundando e chegando ao fundo do oceano? Elas estão sendo ingeridas? Se elas estão sendo ingeridas, que impacto isso causa?”.

Utilizando técnicas de microscopia eletrônica de varredura e sequenciamento genético, eles encontraram pelo menos 1000 diferentes tipos de células bacterianas nas amostras de plásticos, incluindo diversas espécies individuais ainda a serem identificadas. Elas incluíram plantas, algas e bactérias que produzem seu próprio alimento (autótrofos), animais e bactérias que se alimentam deles (heterótrofos), predadores que se alimentam destes, e outros organismos que estabelecem relações sinérgicas (simbiontes). Essas comunidades complexas existem em pedaços de plástico pouco maiores do que a cabeça de um alfinete, e elas surgiram com a explosão dos plásticos nos oceanos nos últimos 60 anos.

“Os organismos que habitam a plastisfera eram diferentes daqueles na água do mar ao redor, indicando que o lixo plástico atua como “recifes” microbianos artificiais”, diz Mincer. “Eles fornecem um local que seleciona e sustenta o estabelecimento e o sucesso de microrganismos distintos.”

Essas comunidades são provavelmente diferentes daquelas que se estabelecem em materiais flutuantes de ocorrência natural, tais como penas, madeiras e microalgas, pois o plástico oferece condições diferentes, incluindo a capacidade de perdurar durante muito mais tempo, sem se degradar.

Por outro lado, os cientistas também encontraram evidências de que microrganismos podem ter um papel na degradação do plástico. Eles observaram rachaduras e fendas microscópicas na superfície dos plásticos, que eles desconfiam terem sido causadas pelos microrganismos incrustados nelas, bem como microrganismos potencialmente capazes de degradar hidrocarbonetos.

“Quando nós observamos pela primeira vez os “criadores de fendas”, nós ficamos muito empolgados, principalmente quando eles apareceram em diversos fragmentos de plásticos de diferentes tipos de resinas”, disse Zettler, que acrescentou que estudantes de graduação, que participaram dos cruzeiros semestrais da SEA, coletaram e processaram as amostras. “Agora nós precisamos descobrir o que eles são (geneticamente) através de sequenciamento e esperamos conseguir colocá-los em meios de cultura para realizar experimentos.”

O lixo plástico também representa uma nova forma de transporte, agindo como balsas que podem transportar microrganismos nocivos, inclusive patógenos causadores de doenças e espécies de algas nocivas. Uma amostra de plástico analisada por eles estava dominada por membros do gênero Vibrio, que inclui bactérias que causam cólera e doenças gastrointestinais.

O projeto foi patrocinado pela “National Science Foundation”, “NFS TUES” e pelo “Woods Hole Center for Oceans and Human Health”.

Sobre o “Marine Biological Laboratory” (Laboratório Biológico Marinho)
O “Marine Biological Laboratory” (MBL) se dedica a descobertas científicas e melhorar as condições humanas através da pesquisa e educação em Biologia, Biomedicina e Ciências Ambientais. Fundado em 1888 em Woods Hole, Massachusetts, o MBL é uma corporação independente e sem fins lucrativos.

Sobre a “Sea Education Association” (Associação para Educação Marinha)
A “Sea Education Association” (SEA) foi fundada em 1971 como uma instituição educacional sem fins lucrativos, que oferece programas acadêmicos multidisciplinares desafiadores em terra e no mar. O programa semestral de 12 semanas da SEA para estudantes de graduação integra ciências marinhas, literatura, história e políticas marítimas, e práticas náuticas, com pesquisas oceanográficas em águas profundas. Desde a sua fundação, mais de 7.000 estudantes já participaram de seus programas. Para mais informações, por favor, acesse: www.sea.edu.

Sobre o “Woods Hole Oceanographic Institution” (Instituição Oceanográfica de Woods Hole)
A “Woods Hole Oceanographic Institution” é uma organização privada, sem fins lucrativos em Cape Cod, Massachusetts, dedicada à pesquisa e engenharia marinha e à educação superior. Estabelecida em 1930 por uma recomendação da “National Academy of Sciences”, sua missão principal é entender o oceano e sua interação com a Terra como um todo, e transmitir uma compreensão básica do papel do oceano no ambiente global em mudança. Para mais informações, por favor, acesse www.whoi.edu.

27 de Junho de 2013
Woods Hole Oceanographic Institution

Traduzido por Mariana Coutinho Hennemann, Global Garbage Brasil

Pesquisa do MBARI mostra onde o lixo se acumula no fundo do mar

Cadeira de plástico repousa no fundo do mar lamacento no Cânion de Monterey, 3.200 metros abaixo da superfície do oceano.  © 2003 MBARI

Cadeira de plástico repousa no fundo do mar lamacento no Cânion de Monterey, 3.200 metros abaixo da superfície do oceano. Foto: © 2010 MBARI

Kim Fulton-Bennett
831-775-1835

Surpreendentemente, grandes quantidades de lixo descartado acabam indo parar no oceano. Sacolas plásticas, latas de alumínio e lixos de pesca não só amontoam as nossas praias, mas se acumulam em áreas de mar aberto, como a “Grande Mancha de Lixo do Pacífico”. Agora, um artigo escrito por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Monterey Bay Aquarium (MBARI) mostra que o lixo também está se acumulando no fundo do mar, particularmente no Cânion de Monterey.

Kyra Schlining, o autor principal deste estudo, disse: “Nós fomos inspirados por um estudo de pesca ao largo do sul da Califórnia, que considerou o lixo no fundo do mar até 365 metros. Nós fomos capazes de continuar essa pesquisa em águas mais profundas – em uma profundidade de até 4.000 metros. Nosso estudo também abrangeu um período de tempo mais longo e incluiu mais observações in situ de lixo em alto-mar do que qualquer estudo anterior que eu tenha conhecimento.”

Para completar este estudo extenso, Schlining e seus coautores vasculharam 18 mil horas de vídeo submarino realizadas pelos Veículos Operados Remotamente (ROVs) do MBARI. Ao longo dos últimos 22 anos, os técnicos no laboratório de vídeo do MBARI gravaram praticamente todos os objetos e animais que apareceram nesses vídeos. Estas anotações estão compiladas em Anotação de Vídeo do MBARI e no Sistema de Referência (VARS).

Para este estudo, os técnicos pesquisaram o banco de dados VARS para encontrar todo clipe de vídeo que mostrava lixo no fundo do mar. Eles então compilaram os dados sobre todos os diferentes tipos de lixo que viam, assim como, quando e onde este lixo foi observado.

No total, os pesquisadores contaram mais de 1.500 observações de lixo em alto mar, em locais de mergulho desde a Ilha de Vancouver até o Golfo da Califórnia e mais a oeste, como as ilhas havaianas. No estudo recente, os pesquisadores focaram no lixo do fundo do mar e ao redor da Baía de Monterey – uma área em que o MBARI realiza mais de 200 mergulhos de pesquisa por ano. Apenas nesta região, os pesquisadores observaram mais de 1.150 pedaços de lixo no fundo do mar.

A maior parte do lixo – cerca de um terço do total – consistiu de objetos feitos de plástico. Desses objetos, mais da metade eram sacolas plásticas. As sacolas plásticas são potencialmente perigosas para a vida marinha, porque elas podem sufocar organismos que ficam presos ou sufocar animais que as consomem.

Os objetos de metal foram o segundo tipo mais comum de lixo observado neste estudo. Cerca de dois terços desses objetos eram de alumínio, aço ou latas. Outros lixos frequentes incluíram: corda, petrechos de pesca, garrafas de vidro, papel e artigos de pano.

Os pesquisadores descobriram que o lixo não foi distribuído aleatoriamente no fundo do mar. Em vez disso, ele foi coletado em encostas íngremes e rochosas, como nas extremidades do Cânion de Monterey, assim como em alguns pontos do eixo do Cânion. Os pesquisadores especulam que o lixo se acumula nos lugares onde as correntes oceânicas passam por afloramentos rochosos ou outros obstáculos.

Os pesquisadores também descobriram que o lixo era mais comum nas partes mais profundas do cânion, abaixo de 2.000 metros (6.500 pés). Schlining comentou: “Fiquei surpresa que vimos muito lixo em águas mais profundas. Nós não costumamos pensar nas nossas atividades diárias afetando a vida duas milhas de profundidade no oceano.” Schlining acrescentou: “Tenho certeza de que há muito mais lixo no cânion que não estamos vendo. Muito desse lixo fica soterrado por deslizamentos submarinos e pelo movimento dos sedimentos. Certa quantidade desse lixo também pode ser carregada para águas mais profundas, mais abaixo do cânion.”

Nas mesmas áreas onde eles viram lixo no fundo do mar, os pesquisadores também viram algas marinhas, madeira e lixo natural proveniente da terra. Isso os levou a concluir que a maior parte do lixo no Cânion de Monterey vem de fontes baseadas em terra, ao invés de barcos e navios.

Embora o estudo do MBARI também tenha mostrado uma proporção menor de petrechos de pesca perdidos, do que alguns estudos anteriores, os petrechos de pesca representaram os impactos negativos mais evidentes sobre a vida marinha. Os pesquisadores observaram vários casos de animais aprisionados em petrechos de pesca antigos.

Outros efeitos sobre a vida marinha foram mais sutis. Por exemplo, o lixo nas áreas com fundo lamacento foi frequentemente utilizado como abrigo pelos animais do fundo do mar, ou como uma superfície dura na qual os animais se ancoraram. Embora tais associações pareçam beneficiar os animais individuais envolvidos, elas também refletem o fato de que o lixo marinho está criando mudanças nas comunidades biológicas naturais existentes.

Para piorar a situação, os impactos do lixo no fundo do mar pode durar anos. Água quase congelando, ausência de luz solar e baixas concentrações de oxigênio desencorajam o crescimento de bactérias e outros organismos que podem decompor o lixo. Sob estas condições, uma sacola plástica ou uma lata de soda pode persistir por décadas.

Os pesquisadores do MBARI esperam fazer pesquisas adicionais para entender os impactos biológicos a longo prazo do lixo no fundo do mar. Trabalhando com o Santuário Marinho Nacional da Baía de Monterey, eles estão atualmente terminando um estudo detalhado dos efeitos de um grande pedaço de lixo em particular – um contêiner que caiu de um navio em 2004.

Durante expedições de pesquisa, pesquisadores ocasionalmente recuperam o lixo do fundo do mar. No entanto, remover tais lixos em larga escala é exageradamente caro e às vezes pode causar mais dano do que simplesmente deixá-lo no mesmo lugar.

Schlining observou: “A coisa mais frustrante para mim é que a maioria do material que vimos – vidro, metal, papel, plástico – poderia ser reciclado”. Ela e seus coautores esperam que sua descoberta possa inspirar os moradores do litoral e usuários do oceano a reciclar seu lixo ao invés de permitir que ele acabe indo parar no oceano. Na conclusão de seu artigo, eles escrevem: “Em última análise, evitar a introdução de lixo no ambiente marinho através do aumento da consciência pública continua a ser a solução mais eficiente e economicamente viável para esse dilema.”

Projeto online do artigo:
Schlining, K., von Thun, S., Kuhnz, L., Schlining, B., Lundsten, L., Jacobsen Stout, N., Chaney, L., Connor, J., Debris in the deep: Using a 22-year video annotation database to survey marine litter in Monterey Canyon, Central California, USA, Deep-Sea Research I, (in press) http://dx.doi.org/10.1016/j.dsr.2013.05.006

Vídeo do YouTube do MBARI sobre o lixo em alto mar:
Lixo no fundo do mar: Trazendo um problema escondido à luz

5 de junho de 2013
Monterey Bay Aquarium Research Institute (MBARI)

Traduzido por Natalie Andreoli, Global Garbage Brasil

Faça uma conferência livre e participe da 4ª CNMA

© Global Garbage Brasil

© Global Garbage Brasil

Dentro de um ônibus, numa escola, numa sala de aula, em uma casa de detenção, na casa de um amigo, na repartição pública, na beira do rio, em uma aldeia indígena, comunidade quilombola, universidade, associações de bairro e tantos outros são espaços propostos pela 4ª Conferência Nacional do Meio Ambiente para a organização de conferências livres. “É mais uma possibilidade de diálogo aberto entre grupos, entidades e pessoas; é mais um espaço para dar voz à diversidade”, afirma o coordenador geral da 4ª CNMA e diretor do Departamento de Cidadania e Responsabilidade Socioambiental do Ministério do Meio Ambiente, Geraldo Vitor de Abreu.

O prazo para acontecerem as conferências livres começou em 1º de abril e vai até 10 de setembro, sendo que duas conferências livres já aconteceram em Brasília, a primeira durante o Curso de Formação das Comissões Organizadoras Estaduais, e a segunda no Instituto Federal de Brasília, ambas no final de abril.

Qualquer cidadão ou segmento social que queira participar da 4ª CNMA pode organizar uma conferência livre, pois não é necessário convocação formal. A Coordenação Executiva Nacional ressalta a importância das Conferências Livres e o desejo de que aconteçam em todo país, pois são um grande exercício de cidadania e democracia, que possibilitam a participação de diferentes atores em busca de um objetivo comum. Para tanto, foi elaborado um Manual das Conferências Livres, com o passo a passo para organizar um evento como esse.

A possibilidade de apresentar ações para a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos em qualquer lugar e enviá-las diretamente à Coordenação Executiva Nacional garante e amplia a participação de grupos até então distantes dos processos de Conferências e permite o acolhimento de ideias vindas de todo o país.

Os pontos iniciais de provocação para o diálogo estão tratados no Texto Orientador, em cada um dos quatro eixos temáticos: Produção e Consumo Sustentáveis; Redução dos Impactos Ambientais; Geração de Trabalho, Emprego e Renda; e Educação Ambiental. Contudo, em uma Conferência Livre não é necessário o debate dos 4 eixos temáticos, diferentemente das Conferências Municipais/ Regionais, Estaduais ou Distrital. Caso deseje, o debate pode ser realizado sobre um ou mais eixos temáticos. As únicas regras são:

1. Realizar a leitura do eixo temático escolhido (Texto Orientador) antes de iniciar o diálogo no(s) grupo(s) de trabalho;
2. Elencar, ao final, até 20 Ações priorizadas;
3. Enviar o relatório para o MMA.

Ascom MMA

Ata – 3ª Reunião do Grupo de Trabalho Sacolas Plásticas

© Global Garbage Brasil

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3ª. Reunião do GT Sacolas Plásticas

Data: 03 de abril de 2013
Horário: 10h às 17h
Local: Ministério do Meio Ambiente, 8ºandar, sala 830
Pauta:
Apresentação Plastivida: Sacolas Plásticas: uma abordagem ampla sobre o tema
Apresentação SENACON: Atuação da Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor: consumo e sustentabilidade.
Ata – 3ª Reunião do Grupo de Trabalho Sacolas Plásticas
Regimento Interno Finalizado

Ministério do Meio Ambiente

Boletim #05 da 4ª Conferência Nacional do Meio Ambiente

Fernando de Noronha. Foto: João Vianna

Fernando de Noronha. Foto: João Vianna

Prezados,

Segue o link para o Boletim #05 da 4ª Conferência Nacional do Meio Ambiente. Leia, comente e reenvie para suas listas de contatos. (http://www.conferenciameioambiente.gov.br/noticias/boletim/)

Qualquer dúvida ou informação, a Equipe da 4ª CNMA está à disposição.

Att.

Equipe da 4ª CNMA
DCRS/SAIC
Ministério do Meio Ambiente
www.conferenciameioambiente.gov.br
61-2028-1372

© Global Garbage Brasil

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BOLETIM 4ªCNMA #05 – 13/maio/2013
BOLETIM 4ª CNMA #04
 – 28/abril/2013
BOLETIM 4ªCNMA #03
 – 05/abril/2013
BOLETIM 4ªCNMA #02
 – 22/março/2013
BOLETIM 4ªCNMA #01 – 08/março/2013 

Boletim #04 da 4ª Conferência Nacional do Meio Ambiente

Fernando de Noronha. Foto: João Vianna

Fernando de Noronha. Foto: João Vianna

Prezados,

Segue em anexo o Boletim #04 da 4ª Conferência Nacional do Meio Ambiente. Leia, comente e reenvie para suas listas de contatos. Qualquer dúvida ou informação, a Equipe da 4ª CNMA está à disposição.
Está também disponível no sítio eletrônico da 4ª CNMA (www.conferenciameioambiente.gov.br). Veja em Notícias > Boletim.

Att.
Equipe da 4ª CNMA
DCRS/SAIC
Ministério do Meio Ambiente
www.conferenciameioambiente.gov.br
61-2028-1372

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BOLETIM 4ª CNMA #04 – 28/abril/2013
BOLETIM 4ªCNMA #03
 – 05/abril/2013
BOLETIM 4ªCNMA #02
 – 22/março/2013
BOLETIM 4ªCNMA #01 – 08/março/2013