Afinal: quanto lixo gera uma praia?

Depois de mais de 150 milhões de metros quadrados de praias limpas e saneadas no Estado do Paraná, acredito que possa responder essa pergunta

© John Johnson, onebreathphoto.com

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por Roberto Façanha, CEO da Ecocity Soluções Ambientais

“QUASE NADA!”.

A praia seja ela no Paraná, na Bahia, em Santa Catarina ou no Ceará, não gera lixo. É claro que podemos falar sobre os resíduos trazidos pelas marés, que se resumem a gravetos, folhas e sem dúvida alguns resíduos recicláveis, oriundos da abusada ação do homem em diversos pontos do planeta.

O lixo encontrado nas praias é em quase sua totalidade (mais de 85%), oriundo da alimentação do veranista e do usuário daquele espaço, isto é, um lixo gerado ali mesmo. São cocos verdes, latas de refrigerante, espetos de madeira, palitos de sorvete, canudinhos e outros resíduos que em algum momento foram “devorados” pelo veranista. Todo esse resíduo, depositado nas areias tem dois grandes parceiros: o veranista e o vendedor ambulante.

O veranista, que traz sua bebida ou alimento de casa, tem se mostrado o mais responsável pelo seu lixo. Normalmente carrega consigo uma sacolinha e cuida um pouco melhor do resultado de sua “farra gastronômica”. O veranista que tem nos ambulantes seu recurso mais próximo para saciar essa necessidade, se demonstra menos preocupado com o meio ambiente, deixando nas areias um rastro de irresponsabilidade ambiental e um descaso sem tamanho.

Aqui no Paraná, desde 2011, implantamos o PROGRAMA ECOPRAIA, que desenvolvido pela ECOCITY SOLUÇÕES AMBIENTAIS, tem apresentado resultados surpreendentes. Criado visando uma solução operacional e educativa, o ECOPRAIA surpreendeu até os mais céticos. O programa apresenta alguns vetores básicos:

– Geração de emprego e renda locais. 100% dos colaboradores são pessoas locais, treinadas e instruídas sobre as questões dos resíduos e sobre o trato com o veranista.

– Saúde pública. A limpeza e o saneamento das areias secas têm demonstrado uma redução no uso dos equipamentos de saúde pelos veranistas. Uma areia limpa e saneada de bactérias oferece um ambiente menos hostil ao ser humano.

– Aumento do turismo local. Pesquisas demonstram um incremento de até 15% na frequência e no tempo de hospedagem na região, após a implantação do programa.

– Valorização imobiliária. Também segundo pesquisas, a valorização diante do aumento do fluxo de turistas se dá na faixa de 5 a 8%, acima dos índices normais de mercado.

– Resultados de marketing. O programa tem trazido ao Governo do Estado do Paraná e a SANEPAR, contratantes dessa ação socioambiental, resultados satisfatórios, tanto que as contratações já ocorrem pelo terceiro ano consecutivo. Pesquisas realizadas na orla têm apresentado satisfação de quase 100% (não se pode agradar a todos mesmo), de veranistas e moradores.

– Redução dos índices bacteriológicos das areias. Estudos do Instituto Ambiental do Paraná resultam em reduções de mais de 85% na presença de bactérias, parasitas, fungos e outros hospedeiros, causadores de doenças de pele e gastrointestinais.

© Bernardo Mussi

© Bernardo Mussi

Não bastassem essas ações e resultados, o ECOPRAIA é sem sombra de dúvidas um gerador de mídia gratuita sem proporções, em emissoras locais, rádios e jornais a nível estadual.

Mas afinal, como operacionalizar essa ação com resultados tão satisfatórios? Muito trabalho e uma logística única seria a primeira resposta.

No ECOPRAIA toda a ação se desenvolve enquanto todos os “atores” envolvidos estão atuando: veranistas, ambulantes e as equipes de limpeza. Adotamos no ECOPRAIA a limpeza realizada durante o dia, com a praia cheia e vibrante. Ali, equipes treinadas e uniformizadas passeiam em um verdadeiro “arrastão” de limpeza enquanto o lixo é gerado. Esse formato, único em todo o mundo, diverge frontalmente da limpeza realizada pelas madrugadas. Na madrugada ninguém é visto, e o ditado já ressalta: QUEM NÃO É VISTO NÃO É LEMBRADO!

Enquanto os atores principais estão sujando, nossos colaboradores equipados com carrinhos-de-mão, sacos plásticos e rastelos, driblam os guarda-sóis procurando lixo em cada canto em cada barraca. A participação dos veranistas se torna natural. Cada um busca em seu espaço o resíduo e o disponibiliza, em muitos casos, acompanhado de um sorriso e de um “muito obrigado”. Isso é educação ambiental de verdade! As pessoas se sentem estimuladas a participar e interagir com o “arrastão”. É comum, vermos crianças e turistas levando seus lixos aos carrinhos, ou os depositando nos DUMPERS (veículos de apoio que trafegam junto com as equipes).

Tudo isso, acontecendo com muita naturalidade. Toneladas de lixo são retiradas das areias Paranaenses diariamente (em média 15 T/dia). Mas a ação não para por aí!

Todos os resíduos coletados são selecionados entre orgânicos e recicláveis. Os recicláveis enviados para associações de catadores, gerando ainda mais emprego e renda na região. Os orgânicos, uma vez ensacados, são deixados em pontos estratégicos da orla, de onde serão retirados pela madrugada por equipes com caminhões e pás carregadeiras.

Ao final do dia, começamos então a segunda etapa do ECOPRAIA: o saneamento das areias secas.

Equipamentos saneadores são rebocados por tratores, e peneiram toda a faixa de areia seca, retirando micro lixos e aerando a faixa. Após esse revolvimento e aeração, os raios solares no dia seguinte, farão a higienização dessa areia, sem o uso de nenhum produto químico. A natureza faz seu papel! A Ecocity Soluções Ambientais, apenas facilita esse trabalho.

Tudo ocorre na praia, com a maior e mais segura interação: equipes, veranistas, ambulantes, equipamentos e principalmente o meio ambiente. Nosso respeito com o ecossistema local, com a fauna e flora preservadas, tem sido motivo de elogio dos órgãos ambientais do Estado e inclusive, a atenção da organização internacional BANDEIRA AZUL, que certifica no Brasil e no mundo, as mais bem cuidadas áreas de praias. Mesmo após três anos de implantação, nenhum acidente foi registrado, tanto com relação aos colaboradores, bem como os turistas ou com equipamentos.

Alguns outros equipamentos fazem parte dessa ação socioambiental:

– sacolas biodegradáveis, que distribuídas entre os veranistas, serve de apoio ao processo de coleta.

– bituqueiras de bolso, que desenvolvidas pela Ecocity Soluções Ambientais, reduzem em muito a presença desse resíduo nas areias.

– tambores de 200 litros, que distribuídos pela orla da praia, se transformam em pontos de apoio que durante a noite serão devidamente esvaziados.

Todas essas ações, equipamentos e acessórios de apoio, são devidamente estudados para cada cidade, para cada praia. Uma ação que após anos de grande sucesso, nos permite afirmar:

“ECOPRAIA: SATISFAÇÃO DE QUEM CONHECE E ORGULHO DE QUEM CONTRATA!”

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População aprova trabalho de limpeza das praias do Paraná

por Agência Estadual de Notícias do Estado do Paraná
Publicado em 06/01/2014 12:30

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População aprova a limpeza na faixa de banho, no Litoral. Foto: Sanepar

População aprova a limpeza na faixa de banho, no Litoral. Foto: Sanepar

Moradores e veranistas que frequentam o Litoral do Paraná, assim como vendedores e comerciantes, aprovam o trabalho de limpeza das praias que será feito até 6 de março. A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) participa da Operação Verão, garantindo a limpeza das praias de Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba, numa faixa de 63 quilômetros lineares de orla – o equivalente a 1,5 milhão metros quadrados de área de areia.

A Sanepar é responsável pela coleta do lixo gerado na faixa de banho, transporte e destinação final de resíduos sólidos. As bases de apoio ao trabalho são as tendas localizadas em Caiobá e Flamingo (Matinhos), Guaratuba, Ipanema e Shangri-lá (Pontal do Paraná). Todo o lixo coletado é direcionado para os aterros sanitários da região.

A dona de casa de Curitiba, Gilda Maria Messias Franco, dá o exemplo quando o assunto é cuidar da praia onde costuma passar os finais de semana, feriados e férias no Litoral do Paraná. “A praia limpa é bem melhor. É saúde. Eu venho sempre com minha família e me preocupa muito se a praia está em condições ou não. Quando venho para a praia, trago minha sacola para levar o lixo de volta para casa, mas nem todo mundo é assim”, afirma.

Durante o dia, a limpeza das praias é feita com o uso de carrinhos de mão, utilizados em pequenas distâncias e há ainda oito veículos de carga (dumper), que podem transportar até duas toneladas de resíduos. À noite, são utilizadas seis saneadoras de areia, equipamentos para peneirar e aerar as areias secas, retirando resíduos de menor tamanho, como cacos de vidro, palito de sorvete, objetos cortantes, bitucas de cigarro, tampinhas de garrafa, entre outros.

De acordo com o supervisor da equipe de coletores, Jair Franco, o serviço de saneamento da areia é essencial. “As máquinas saneadoras são como tratores que, à noite, revolvem a areia numa profundidade de 10 centímetros. Durante o dia, o sol mata os germes, saneando a areia”, detalha.

Jair afirma que recebe muitos elogios sobre o serviço. “Um turista me disse que retornou ao Litoral do Paraná porque aqui a praia é limpa. Acho que esse trabalho também ajuda a conscientizar as pessoas. Elas veem a gente trabalhando e começam a fazer a parte também. É bom para quem frequenta a praia porque não tem perigo de pisar em caco de vidro, numa lata, num peixe morto”, esclarece.

População aprova a limpeza na faixa de banho, no Litoral. Foto: Sanepar

População aprova a limpeza na faixa de banho, no Litoral. Foto: Sanepar

BONS EXEMPLOS – O casal Cláudio e Irani Tomadon mora em Palmeira e frequenta o Litoral do Paraná há 20 anos. Para Cláudio, que é farmacêutico, a praia está melhor. “Isso ajuda até os empresários a investir em melhorias. Eu já vi a máquina passar, é excelente. Caiobá era uma praia conhecida no Brasil todo. Se o turista vê que a praia está limpa, ele volta, traz os parentes, fala para outras pessoas. Mas, se estiver suja, aí é difícil”, afirma.

Irani conta que desde pequenos os filhos sempre passaram férias no litoral paranaense. “A praia era suja. Está melhor com o serviço, mas não é só o setor público que tem que trabalhar. Cada um tem que fazer sua parte, ter consciência, ter educação. Eu não vou deixar lixo aqui, largar plástico aqui”, diz ela.

Jorge Lourenço, que vende coco e bebidas na praia há 20 anos, conta que costuma trazer o seu saco de lixo. “Gasto cem sacos por mês, mas a gente sabe que nem todo mundo recolhe o lixo, muita gente joga tudo na areia. Antes, dava vergonha de ver. Agora está louco de bom”, comemora o vendedor, que mora no bairro Vila Nova, em Caiobá.

MUITO LIXO – Edson Luis dos Santos é um dos operadores da máquina dumper de limpeza na areia desde a praia de Caieiras até a Barra do Saí, numa extensão de 20 km. “Eu opero a máquina na areia. Os coletores trazem o lixo e eu faço o transporte. Tem muito, muito lixo. É latinha, é côco, é plástico. Sai uma tonelada em dia de movimento fraco. Para o veranista e para o morador é muito importante esse serviço porque eles têm a praia bem mais limpa, não tem comparação com o que era antes. E para mim também é porque, além disso, eu peguei um emprego que vai me ajudar com as contas em casa”, comemora ele que mora em Guaratuba há 38 anos.

Pedro Barbosa, que aluga cadeiras, guarda-sóis e tendas em Caiobá há 12 anos aprovou o trabalho. “O serviço está nota 10, ótimo. O pessoal trabalha muito bem. A limpeza traz muitos benefícios. Há três anos vejo que a praia está mais limpa. A cidade precisa disso. É benfeitoria para todos”, disse.