Porto da Barra tem beleza e lixo

Cartão-postal de Salvador, a praia está maltratada

© Bernardo Mussi

© Bernardo Mussi

por Daniela Pereira

Praia, sol, cerveja, turistas e muito lixo compõem o cenário encontrado no Porto da Barra, uma das mais belas praias do mundo. Vandalismo, falta de educação e lixeiras pequenas são apontadas como os principais fatores que contribuem para a sujeira do local. Nos finais de semana e feriados a situação se complica, diante do intenso movimento.

Segundo comerciantes da praia, o serviço de limpeza pública ocorre com regularidade, porém ainda falta conscientização por parte dos banhistas e alguns ambulantes.

Garrafas e copos plásticos, cocos, canudos, latas de refrigerante e sacos plásticos são alguns dos resíduos sólidos encontrados na areia e calçada do Porto da Barra. Logo no começo de uma das escadas que dá acesso à praia é possível observar uma quantidade de lixo acumulado.

Na areia, a sujeira é encontrada apenas próxima à balaustrada. “As pessoas não têm educação. Toda hora o gari passa a vassoura e daqui a pouco está sujo novamente. Final de semana e feriado é ainda pior. Aqui só não vira um chiqueiro porque alguns barraqueiros recolhem o lixo e limpam tudo”, conta Elis Regina Oliveira, 40 anos, que trabalha há 12 anos como ambulante no Porto.

Um exemplo desses agentes de limpezas voluntários é dona Neuza Alves Sena, 51. Há cerca de um ano ela assumiu a responsabilidade de limpar a praia e varrer a calçada, sem garantia de receber nenhuma renda. “Comecei a trabalhar numa cooperativa daqui da Barra, mas ainda continuei recolhendo o lixo da praia e sempre os clientes me dão um trocado”, contou. Modesta, dona Neuza não reconhece o valor do trabalho prestado para o bairro. “Só pego do chão e jogo no lixo, mais nada”, resume.

© Bernardo Mussi

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Há também tem reclame da falta de lixeira apropriada para receber cocos e latas de refrigerantes. “Se jogar três cocos nessa lixeira, ela enche”, reclamou Fernando dos Santos Jr, 29. Cena comum em diferentes pontos da praia, ao lado do isopor da autônoma Nil Fraga, 31, foi possível encontrar latas de cervejas e pratos descartáveis.

Acompanhada pelas irmãs, ela afirmou que dentro da bolsa, havia sacolas plásticas para recolher o material. “O lixo está aqui, mas a sacola está dentro da bolsa. Sempre recolhemos o que sujamos. Seria bom que todos fizessem a mesma coisa. Acredito que os ambulantes também deveriam contribuir dando sacolas de lixos para os banhistas”, afirmou.

A presença de usuários de drogas também é um fator predominante para a degradação visual do Porto da Barra. Além do barulho e confusão provocados pelos mais exaltados, comerciantes garantem que eles são responsáveis por arrancar as lixeiras da praia.

“Como os vendedores de cachorro-quente não tem direito de receber lixeira da Prefeitura, os usuários de droga arrancam as da praia e vendem por qualquer dinheiro. Assim somos obrigados a recolher o lixo e jogar no canto”, contou Tico, um dos ambulantes mais antigos do Porto da Barra. Sobre a coleta de lixo, os comerciantes confirmaram a coleta diária e pontual. “O que falta é só um pouco de conscientização da sociedade”, disse Tico.

06/04/2013
Tribuna da Bahia