Lixo Marinho é abordado no Congresso Brasileiro de Oceanografia (CBO’2014)

Cartaz de divulgação do CBO'2014. © Comissão Organizadora do CBO'2014

Cartaz de divulgação do CBO’2014. © Comissão Organizadora do CBO’2014.

por Natalie Andreoli, da ABLM – Associação Brasileira do Lixo Marinho
10 de novembro de 2014

Entre os dias 25 a 29 de outubro de 2014 foi realizado na cidade de Itajaí, Estado de Santa Catarina, Brasil, a sexta edição do Congresso Brasileiro de Oceanografia (CBO’2014), organizado pela Associação Brasileira de Oceanografia – AOCEANO em parceria com o Curso de Oceanografia da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI.

Este é o evento técnico-científico mais importante na área das ciências do mar do Brasil e contou com a participação de aproximadamente 2.000 congressistas e uma diversificada programação, incluindo quatro conferências internacionais, 21 sessões temáticas, 14 palestras, 32 minicursos e a apresentação de 996 trabalhos científicos, nas formas de painéis e orais.

O lixo marinho esteve presente entre os diversos assuntos abordados no Congresso, tanto nas apresentações orais, como na forma de painéis. Foram apresentados os resultados obtidos em pesquisas científicas, como por exemplo, a interação de tartarugas marinhas com o lixo e seus efeitos prejudiciais, a geração e distribuição de lixo em praias turísticas. Veja mais abaixo a relação dos trabalhos que abordaram o tema lixo marinho.

Além disso, durante a palestra dos “Principais Resultados da Análise Integrada dos Projetos de Monitoramento de Praias Executados nas Bacias Potiguar, Sergipe-Alagoas e Campos-Espírito Santo”, feita pelo Professor Doutor Sérgio Rosso, do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), foram apresentados os principais achados necroscópicos evidenciando as principais causas de morte de animais marinhos. De acordo com os resultados apresentados, dos 17.619 registros de encalhes de mamíferos, aves e quelônios marinhos, ocorridos nas três Bacias desde 2010, as principais causas de morte foram devido a: interação com artefatos de pesca (0,54 registros/10 km); resíduos sólidos antropogênicos (0,35 registros/10 km); e afecção do trato intestinal (0,31 registros/10 km). Os resultados destes projetos fazem parte de condicionantes do licenciamento ambiental de obras da Petrobras e ainda não foram divulgados. De acordo com a empresa, para se ter acesso aos dados é necessário entrar em contato com a Coordenação-Geral de Petróleo e Gás – CGPEG do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A organização do CBO’2014 informou que no final deste mês os resumos apresentados no congresso estarão disponíveis para download no site www.cbo2014.com/site/.

Trabalhos científicos, nas formas de painéis e apresentações orais que abordaram o tema Lixo Marinho durante o CBO’2014:

Apresentações Orais

Oceanografia Biológica – Necton – Aves, Répteis e Mamíferos

1191. Interação de tartarugas marinhas com resíduos antropogênicos no litoral do estado do Rio de Janeiro, Brasil. Katie Lima da Costa, Liana Rosa, Alexandre de Freitas Azevedo, José Lailson Brito Junior.

Gestão Ambiental

133. Praias turísticas do Rio Grande do Norte (Jenipabu, Ponta Negra e Pirangi): Caracterização do uso e impactos associados. Gabriela Pereira, Dina Ayara Araujo de Azevedo, Maria Christina Barbosa de Araujo.

Gestão Ambiental

134. Geração de resíduos em praias turísticas do Rio Grande do Norte (Jenipabu, Ponta Negra e Pirangi): Relação com o uso das praias. Gabriela Pereira, Dina Ayara Araujo de Azevedo, Ingrid Paulliany Bezerra Dantas, Maria Christina Barbosa de Araújo.

Painéis

Gestão Ambiental

362. A contribuição dos fragmentos plásticos na composição do lixo marinho nas praias de Salvador / BA. Thiago Brito, Gerson Fernandino, Carla Elliff.

Gestão Ambiental

365. Diagnóstico do estado de poluição por lixo marinho de praias do litoral da Bahia, Brasil. Gerson Fernandino, Carla Elliff, Kalena Ferraz, Poliana Guimarães, Mariana Vasconcelos.

Gestão Ambiental

830. Análise do lixo marinho na orla da Baía de Guanabara no município de Niterói. Amanda Paiva, Barbara Franz.

Gestão Ambiental

1177. Distribuição de lixo marinho na orla da Baía de Guanabara no município do Rio de Janeiro. Barbara Franz, Arlindo Leoni Hartz.

Educação Ambiental

668. O lixo na praia do Francês, Alagoas, Brasil. Conhecer para evitar. Elaine Martins Silva, Elíne Monteiro Calazans, Josinete da Silva de Liro, Cláudio l. S. Sampaio.

Oceanografia Química – Poluição

24. Variação sazonal, espacial e composicional de lixo nas praias de Boa Viagem, São Francisco, Charitas, Piratininga, Itacoatiara e Camboinhas, Niterói, RJ no ano de 2009. Rodrigo Alexandre de Sousa, Tadeu Albuquerque Cardoso da Cunha, Graciano Lourenço Fernandes Junior.

Oceanografia Química – Poluição

1166. Lixo marinho vamos reutilizar? Avaliação do potencial energético do lixo marinho da praia do Embrulho em Bombinhas (SC). Diulie Ane Tavares Carneiro, Camila Burigo Marin, Patricia Foes Scherer Costodio.

Oceanografia Biológica – Necton – Aves, Répteis e Mamífero

336. Ingestão de lixo por tetrápodes marinhos no litoral norte de Santa Catarina. Suelen Maria Beeck da Cunha, Renan Paitach, Tiago Ramos de Andrade, Mariana Flach, Marta Jussara Cremer.

Lixo sem fim na praia do Bessa

© Jó de Lima

© Jó de Lima

Jó de Lima
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De um lado o que o ser humano faz com sua má educação. Lixo sem fim na praia do Bessa. Do outro a consequências. Segundo né falaram, chega a mais de trezentas tartarugas marinhas mortas desde julho apenas nesse trecho do litoral. Absurdo. Ou se impõe multas pesadas para os imbecis que frequentam essas praias, especialmente o trecho entre o iate clube e o Mag shopping ou a catástrofe vai continuar. Só eu já contei, com este, cinco animais dessa espécie, de grande porte, mortos por comerem lixo. Indignado. Se vc concorda, compartilha e se conhecer alguém da secretaria do meio ambiente, prefeitura, governo, imprensa, qualquer coisa, leva ao conhecimento porque ta virando o caos.

Tartarugas em perigo de extinção ingerem mais plástico do que nunca

Tartarugas verdes estão ingerindo o dobro de plástico que ingeriam há 25 anos, de acordo com um estudo da Universidade de Queensland, Austrália

Plastic bags, like these floating near the Philippines, look like jellyfish. These pieces of ocean debris float on ocean currents and accumulate in collections called "garbage patches."

Photograph by Norbert Wu/Minden Pictures
http://education.nationalgeographic.com/education/encyclopedia/great-pacific-garbage-patch/?ar_a=1

The University of Queensland, Australia
Publicado em 07 de agosto de 2013
Traduzido por Heidi Acampora, Global Garbage Brasil

Pesquisadores do School of Biological Sciences (Departamento de Ciências Biológicas) da Universidade de Queensland e da “Riquezas do Oceano” da Organização Governamental CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation) analisaram dados de pesquisas globais dos últimos 25 anos e descobriram que tartarugas verdes e de couro estão ingerindo mais plástico do que nunca.

A líder do estudo e estudante de doutorado, Qamar Schuyler, diz que tartarugas estão comendo mais plástico do que qualquer outro tipo de lixo.

“Nossa pesquisa revelou que tartarugas juvenis, que têm hábitos oceânicos, têm maior probabilidade de comer plástico que tartarugas adultas, que se alimentam na costa”, diz Schuyler.

O estudo demonstrou que tartarugas encontradas mortas em áreas com alta concentração de lixo marinho não possuíam uma correspondente alta probabilidade de ingestão de lixo.

“Surpreendentemente, tartarugas encontradas em áreas adjacentes às cidades altamente populosas, como Nova Iorque, demonstraram pouca ou nenhuma evidência de ingestão de lixo, enquanto todas as tartarugas encontradas perto de uma área não desenvolvida no sul do Brasil haviam ingerido lixo marinho, diz Schuyler.

“Isso significa que conduzir limpezas de regiões costeiras não é a única solução para o problema de ingestão de lixo para as populações locais de tartarugas, apesar de ser um passo importante para prevenir a entrada de lixo no oceano”.

“Resultados dessa análise global indicam que tartarugas de couro e verde em fase oceânica possuem grande risco de serem mortas ou feridas por ingestão de lixo marinho”.

“Para reduzir esse risco, resíduos antropogênicos precisam ser gerenciados em nível global, desde os fabricantes até os consumidores, antes que esses resíduos cheguem ao oceano.”

Existe uma estimativa de que 80% do lixo vêm de fontes terrestres, dessa forma, é criticamente necessário ter um gerenciamento de resíduos eficiente e engajar a indústria para criar inovações e controles apropriados que possam auxiliar a reduzir o acúmulo de lixo marinho.

As descobertas deste estudo estão publicadas na revista Conservation Biology.

Após comerem plástico, tartarugas fazem tratamento e são soltas no ES

Tartarugas verdes vão até a baía de Vitória para se alimentarem.
Neste domingo (3) também é dia de soltura, no Tamar, na Enseada do Suá.

Plastic bags, like these floating near the Philippines, look like jellyfish. These pieces of ocean debris float on ocean currents and accumulate in collections called "garbage patches."

Photograph by Norbert Wu/Minden Pictures
http://education.nationalgeographic.com/education/encyclopedia/great-pacific-garbage-patch/?ar_a=1

Gabriela Ribeti
Do G1 ES, com informações da TV Gazeta

Duas tartarugas verdes, que haviam chegado doentes à costa de Vitória, foram soltas em uma praia na Enseada do Sua, na manhã deste sábado (2). Os responsáveis pelos cuidados com os animais e a soltura são funcionários do projeto Tamar, que explicaram que as tartarugas haviam comido plástico e por isso passaram mal. Elas ficaram em tratamento durante 15 dias. No momento da soltura, várias crianças acompanharam encantadas o retorno dos bichos para o mar.

As duas tartarugas foram encontradas boiando em praias da capital e foram resgatadas. Elas estavam com marcas de rede pesca e muito magras, doentes. O gestor do Centro de Visitantes do Projeto Tamar, Paulo Rodrigues, explicou que esses animais chegam à costa do Espírito Santo, especificamente na capital, pois encontram os melhores lugares para se alimentar. Mas muitas vezes acabam confundindo lixo com comida.

“Uma das tartarugas chegou muito magra até a Praia de Camburi. Vimos que ela tinha engolido muito plástico. Com o tempo de tratamento, ela conseguiu eliminar esse plástico e voltar à forma física antiga, ficou mais gordinha”, contou o gestor.

Muitos pais levaram os filhos até a praia na Enseada do Suá para acompanharem a soltura. “Gostei mais do casco da tartaruga, é duro. Nunca tinha visto”, falou o menino Maurício Oliveira, de cinco anos.

A jornalista Flávia Tygel levou a filha Anita, de seis anos. “Tive uma oportunidade de ver tartarugas sendo soltas quando eu era adolescente. Agora pude trazer minha filha”, disse.

Ao serem colocadas na areia da praia, as tartarugas mostraram que já sabiam o caminho para o mar, mas até conseguirem chegar em áreas mais profundas, tiveram que passar por uma barreira nada agradável.

“No momento que as tartarugas estavam voltando para o mar, ainda tiveram que romper uma primeira barreira de plástico de lixo. Temos que nos conscientizar e também aos outros para que isso não continue acontecendo”, falou o presidente do Instituto Chico Mendes, Roberto Vizentin.

Neste domingo (3) também é dia de soltura. As famílias que quiserem, podem acompanhar de perto o procedimento, a partir das 15h. Será no Centro de Visitantes do Projeto Tamar, que fica na Praça do Papa, na Enseada do Suá. O local funciona de terça-feira a domingo, das 8h30 às 19h.

Números
Apenas em 2013, 200 tartarugas foram resgatadas com ferimentos ou com a barriga cheia de lixo na baía de Vitória. De acordo com os dados levantados pelo Tamar, de cada 10 apenas uma sobrevive.

02/11/2013 17h30 – Atualizado em 02/11/2013 17h30
G1 ES

Banhistas encontram tartaruga verde morta na praia de Garça Torta, AL

Voluntários do Instituto Biota encontraram plástico dentro da tartaruga.
Esse é o 14º animal achado em menos de dois meses no estado.

Banhistas disseram que tinha um plástico na boca da tartaruga quando ela foi encontrada. (Foto: Jonathan Lins/G1)

Banhistas disseram que tinha um plástico na boca da tartaruga quando ela foi encontrada. (Foto: Jonathan Lins/G1)

Do G1 AL

Mais uma tartaruga verde foi encontra morta no Litoral de Alagoas, na tarde desta terça-feira (15). Banhistas encontraram o animal boiando na Praia de Garça Torta, em Maceió. Segundo o Instituto Biota, só nos últimos 45 dias, foram encontradas 14 tartarugas no estado. Muitas são encontradas com vida, mas, mesmo sendo tratadas, não resistem.

O Instituto Biota foi acionado e, chegando ao local, constatou que se tratava de uma tartaruga juvenil. Como os banhistas relataram que tiraram um plástico da boca do animal, os voluntários e estudantes de biologia resolveram abrir a tartaruga para verificar se também tinha plástico no intestino dela.

“Somente um veterinário pode identificar a causa da morte do animal, mas como nem sempre podemos contar com um profissional que esteja disponível para fazer a necropsia, nós abrimos só para verificar se houve ingestão de plástico. E realmente houve”, diz Waltyane Bonfim.

Estudantes de biologia e voluntários do Biota encontraram plástico dentro da tartaruga. (Foto: Jonathan Lins/G1)

Estudantes de biologia e voluntários do Biota encontraram plástico dentro da tartaruga. (Foto: Jonathan Lins/G1)

A tartaruga foi enterrada na praia pelo voluntário e estudante de biologia Oscar Cadique, 18. “A gente ainda não fez o balanço deste ano, mas tenho a sensação de que os casos de tartarugas encalhadas estão aumentando em nosso litoral”, relata Waltyane Bonfim que trabalha no Biota desde 2009.

Essa foi a mesma sensação da aposentada Clícia Leite. Ela é de Porto Alegre e sempre visita a filha que mora em Garça Torta.”Eu sempre venho pra cá, mas nunca tinha visto tanta tartaruga morta. Em 15 dias, eu encontrei duas enormes por aqui mesmo, duas pequenas perto de Guaxuma e hoje essa, de tamanho médio. É muito triste saber que elas estão morrendo e que nós, seres humanos, somos os grandes responsáveis”, afirma se referindo ao lixo deixado nas praias e que elas acabam ingerindo.

15/10/2013 17h59 – Atualizado em 15/10/2013 18h09
G1 AL

Com sacolas amarradas aos pés, ‘nadador’ recolhe lixo em ilha do ES

‘Motivação é deixar o lugar que a gente usa mais limpo’, diz o jovem.
Material é fatal para animais marinhos, como peixes e tartarugas.

Sujeira é econtrada nas praias da Grande Vitória. (Foto: Reprodução / TV Gazeta)

Sujeira é econtrada nas praias da Grande Vitória. (Foto: Reprodução / TV Gazeta)

Leandro Tedesco
Do G1 ES

Pedaços de pano, restos de sapato, sacolas, copos, garrafas e embalagens de plástico ilustram a sujeira deixadas em praias e ilhas da Grande Vitória, no Espírito Santo, por quem frequenta o local. O lixo pode ser fatal para animais marinhos, como peixes e tartarugas. Mesmo na semana em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, ainda é possível encontrar esse tipo de cenário. Mas ainda há exemplos de capixabas que se preocupam com a preservação ambiental.

O universitário Davi Nogueira é um deles. Ele nada até a ilha Pituã, em Itapuã, na cidade de Vila Velha, e, com várias sacolas, recolhe o lixo deixado na ilha e os leva até um local apropriado. Davi contou que prende as sacolas cheias com um barbante e as amarra nos dedos para poder voltar nadando. “A motivação principal é deixar o lugar que a gente usa e está sempre visitando com uma cara mais limpa, mais agradável”, disse.

Praias sujas
O funcionário público Maurício Bourguinon também contou que não gosta de deixar o lixo para trás. “Praia suja mostra que é um povo que não tem educação, então é importante que todos tenham essa consciência de manter a praia limpa. É simples é fácil, saiu de casa já trás a sacolinha”, afirmou.

Para o analista de sistema, José Roberto, as lixeiras presentes nas orlas das praias não são suficientes, às vezes elas estão destruídas ou cheias de mais. “Isso é horrível porque tem muitas crianças por aqui e faltam lixeiras. Têm poucas aqui”, contou.

O lixo encontrado na praia também pode ser visto nas ilhas que fazem parte do litoral capixaba. A chuva, o vento e as próprias pessoas que visitam o local acabam levando o lixo debaixo d’água. De acordo com o oceanógrafo Paulo Rodrigues, as sacolas são fatais para as tartarugas. “Geralmente a tartaruga tenta se alimentar de algas e confunde o lixo com a alga. A tartaruga verde é a mais afetada. De 500 tartarugas que a gente fez a necropsia no ano de 2012, 165 tiveram lixo dentro delas”, apontou.

Clique aqui para assistir ao vídeo

06/06/2013
G1 ES